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Há 55 treinadores e 340 futebolistas
portugueses espalhados pelo mundo
Portugueses em geral, e os minhotos em particular, celebraram a semana
passada o sucesso inesperado do Sporting de Braga em Espanha, ao vencer o
Sevilha por 4-3, assegurando presença na fase de grupos da Liga dos Campeões. Os
golos da equipa portuguesa foram marcados por dois brasileiros, que são 17 no
plantel do Braga, a equipa da primeira liga portuguesa com mais jogadores
estrangeiros: são 22, dos quais 17 brazucas e apenas oito portugueses.
Seguem-se União de Leiria (oito portugueses contra 18 estrangeiros), Marítimo
(nove contra 20), Nacional (nove contra 19), Benfica (nove contra 17) e Porto
(10 contra 17).
Nas 16 equipas da Liga, os portugueses apenas estão em maioria em cinco
equipas: Beira-Mar (13 portugueses contra 11 estrangeiros), Paços de Ferreira
(18 contra 12), Rio Ave (22 contra oito), Sporting (17 contra 11) e Vitória
de Guimarães (15 contra 13). A Liga portuguesa é a terceira liga europeia com
mais estrangeiros, superada apenas pela cipriota e inglesa e, dos 436
jogadores inscritos, 199 são portugueses e 237 estrangeiros, dos quais 138
brasileiros.
Nas 16 equipas da Liga de Honra, os portugueses são 278 e os estrangeiros
106; nas 48 equipas da II Divisão nacional há 222 estrangeiros distribuidos
por 48 equipas e nas 94 da III Divisão são 227. No total, os 174 clubes
portugueses das competições nacionais integram 774 jogadores estrangeiros de 53
nacionalidades, entre os quais 374 brasileiros, 64 cabo-verdianos, 58
guineenses, 29 angolanos,18 argentinos, 10 franceses, seis sãotomenses, três
asiáticos, um moçambicano e um da Oceânia. Estrangeiros não são novidade no
futebol português, embora Portugal nunca tenha sido propriamente meca das
grandes
estrelas devido às fracas condições financeiras dos clubes. Contudo, a atual
aposta maciça em jogadores estrangeiros é fenómeno recente e resulta de uma
lógica meramente economicista: é mais barato para um clube português ir
buscar quatro ou cinco jovens desconhecidos ao Brasil do que investir na
formação de portugueses. Conseguem-se pechinchas e eventualmente grandes lucros,
caso de Pepe, que rendeu ao Porto 36 milhões de dólares quando foi cedido ao
Real Madrid.
A consequência da invasão estrangeira do futebol português é a emigração
dos nacionais à procura de oportunidades. O número de jogadores portugueses no
estrangeiro tem vindo a aumentar: época de 2004/05, 39 jogadores; 2005/06,
75; 2006/07, 83; 2007/08, 133; 2008/09, 149; 2009/10, 128 jogadores, até ao
momento.
A última transferência foi Tonel, do Sporting para o Dínamo de Zagreb,
Croácia e parece ser o único português naquele país. Aliás, temos outros
solitários: Azerbaijão (Paulinho Tavares, AFK Oabala), Estónia (Bruno Gomes,
Nomme
Katiu), Lituânia (José Vide, Legia), Finlândia (A. Martins, Mariehamn),
Noruega (N. Marques, Notodden), Georgia (Edmilson, Dinamo Tiblisi) e China (F.
Pina, Sichan).
Na América do Norte há três portugueses a disputar o campeonato
profissional da USSF: Valdemar Teixeira, Crystal Palace Baltimore (ex-Amora e
Benfica),
Carlos Semedo, Syracuse Salt Dogs (ex-Estrela da Amadora e Nacional) e
Filipe Pastel, Montreal Impact (ex-Freamunde e Vizela).
Há presentemente 340 futebolistas portugueses espalhados pelo mundo, a
maioria na Europa, onde dão toque em 25 campeonatos, mas tirando os nomes mais
mediáticos desconhece-se o paradeiro da maioria.
Em Espanha jogam 52 portugueses e Cristiano Ronaldo é a maior estrela.
Representa o Real Madrid, que conta com outros dois internacionais portugueses,
Ricardo Carvalho e Pepe, tem como treinador o special one José Mourinho e
ainda outros três portugueses nos quadros técnicos: Rui Faria, Silvino Louro e
José Morais. No Málaga jogam Duda, Eliseu, Hélder Rosário e Edinho, e o
treinador é o português Jesualdo Ferreira, que se estreou a perder 3-1 com o
Valência, onde jogam Manuel Fernandes, Ricardo Costa, Miguel e Hugo Viana, que
entretanto já regressou ao Braga. No Atlético de Madrid temos Simão, que
agora renunciou à seleção e Tiago, emprestado pela Juventus.
Em Inglaterra, jogam 13 portugueses, quatro dos quais no Chelsea: Hilário,
Paulo Ferreira, Bosingwa e o jovem Aliu Djaló, filho do ex-jogador Bobó, que
foi craque no Boavista; Nani e Bebé (Manchester United), Luís Boa Morte e
Manuel da Costa (West Ham), João Silva (Everton), Miguel Vítor (Leicester),
Ricardo Rocha (Portsmouth), José Semedo (Charlton) e José Fonte
(Southampton).
Na Itália temos Eduardo e Miguel Veloso, Génova, que estrearam a ganhar 1-0
à Udinese; Antunes, Roma; Filipe Oliveira, Torino; Vasco Faísca, Calcio
Padova; Gonçalo Brandão, Siena; Diogo Tavares, Frosinone.; P. Oliveira, Arezzo;
P. Correia, Crotone; Pedro Rosário, Lazio U18; Pedro Ferreira, Sassuolo e
Flávio Almeida, Roma U16.
Na Alemanha jogam 11 portugueses: Carlitos e Sérgio Pinto, Hannover; Hugo
Almeida, W. Bremen; Marcel Correia e Ricky Pinheiro, Kaiserlauten; Kevin
Pires, A.H. Chenuin; Petit, Colónia; Patrick Pais, Estugarda; Roberto Pinto,
Saubhausen; Telmo Rebelo, Hallescher e Marcelo Paulino, Wolfburgo.
Na Rússia, depois da experiência desastrosa do Dínamo de Moscovo, agora é o
Zenit que aposta no mercado português e assegurou o concurso de três
portugueses: Bruno Alves, Danny e Fernando Meira.
Na Turquia jogam três portugueses: Ricardo Quaresma, Besiktas; Makukula,
Kayseripor e Pile, Eskisehrspor.
Em Israel jogam quatro: Adrien Silva e Zahavi, Maccabi Haija, e R. Fernanes
e B. Vasconcelos, H. Beer Sheva.
E na Islândia jogam dois: Jordão Diogo, KR Reykjavik e Guilherme, UMF
Njardvik.
Chipre é destino de 59 portugueses, alguns conhecidos, como Nuno Morais,
que já esteve no Chelsea e representa agora o Apoel, mas a maioria são
ilustres desconhecidos a tentar a sorte naquela ilha do Mar Egeu.
Com celebridades e craques anónimos, Portugal tornou-se campeão a exportar
jogadores de futebol e, se acrescentarmos aos 340 futebolistas emigrantes,
os vários treinadores que também emigraram, podemo-nos orgulhar da diáspora
futebolistica lusa.
Na Associação Nacional de Treinadores de Futebol há registo de 45
treinadores portugueses a exercer a profissão no estrangeiro. Na Europa temos o
mediático Mourinho no Real Madrid, Jesualdo Ferreira no Málaga, Paulo Sousa no
Leicester, de Inglaterra e José Alves, o “luvas-pretas”, no Servette, Suiça.
Os treinadores portugueses têm como destino preferencial países africanos e
o Médio Oriente, caso de Manuel José, que ingressou em 2001 no Al-Ahly, do
Egipto, ganhou três campeonatos nacionais, quatro Ligas dos Campeões
Africanos, duas Supertaças de África e duas Supertaças do Egipto, e treina
presentemente o Ittihad, da Arábia Saudita.
Também estão no Médio Oriente José Romão, Kuwait DC; José Garrido Al Riffa,
Bahrein; Augusto Casimiro, Sanat Naft FC, Irão; Manuel Cajuda, Sarjah,
Emirados Áraes Unidos e cujo rival é o Al Wahda, treinado pelo romeno Laszlo
Boloni, que já passou pelo Sporting e forma equipa com os portugueses Joaquim
Preto, adjunto e Eurico Gomes. diretor desportivo.
Em Angola há sete treinadores portugueses: Bernardino Pedroto, Petro de
Luanda; Mariano Barreto, Libolo; J. Dinis, ASA; Augusto Portela, Bravos do
Maquis; Vitor Manuel, Sporting de Cabinda e Álvaro Magalhães, Interclube.
Seis portugueses são presentemente selecionadores nacionais: Fernando
Santos, Grécia; José Peseiro, Arábia Saudita; José Couceiro, Lituânia; Pedro
Duarte, Burkina Faso e Henrique Calisto, Vietname.
Na Ásia vamos encontrar Nelo Vingada, no FC Seul, Coreia do Sul, onde joga
Ricardo Esteves, ex-Maritimo. José Luís, estrela do Benfica dos anos 70/80,
treinou o South China, de Hong Kong e treinava agora Dong Tam Long, do
Vietname, mas regressou a Portugal em Março por razões de saúde, tendo sido
substituído por Ricardo Formosinho, que foi assistente de Mourinho no Porto, por
recomendação de Henrique Calisto, matosinhense que está há uma década no
Vietname, já conquistou três títulos nacionais e, como selecionador nacional, a
Taça do Sudoeste Asiático. Calisto tornou-se uma referência dos treinadores
portugueses no estrangeiro, foi agraciado este ano pelo governo português
com a Ordem de Mérito e na altura teve oportunidade de explicar que muitos
vietnamitas desconhecem Portugal, mas conhecem futebolistas portugueses: “Se
chegar ao Vietname e perguntar por Portugal ninguém sabe, porque a palavra
não existe na língua vietnamita”, esclareceu Calisto. “Portugal diz-se Bo Dao
Nha. Mas se disser Mourinho, Cristiano Ronaldo ou Calisto, as pessoas
exclamam logo Ah, Bo Dao Nha”.
Há treinadores portugueses nos quatro cantos do mundo, mas os melhores,
claro, costumam estar à segunda feira de manhã no Café Mimo, em New Bedford e
na Tabacaria Açoriana em Fall River.
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Alan Guedes Sharif apanha 17 anos de prisão. O Tribunal de Mangualde
condenou a semana passada o luso-americano Allan Guedes Sharif a 17 anos de
prisão
efetiva e o tio, José Guedes, a 12 anos, pelos crimes de burla, extorsão e
branqueamento de capitais que lesaram instituições financeiras de vários
países. Os restantes arguidos deste julgamento que começou em janeiro, eram
Maria e Carla Guedes, filhas de José Guedes, e o genro deste, Carlos Oliveira,
que foram condenados a 1 ano e 3 meses de prisão suspensa por crimes de
burla, mas com pena suspensa. Cláudia e Nuno Guedes, os outros dois filhos de
José Guedes, foram condenados a 3 anos e 3 meses de prisão, enquanto Horácio
Sousa, antigo empregado da família Guedes, foi condenado a 3 anos de prisão,
todos pelos crimes de burla. As penas também ficaram suspensas.
Pedro Melo, advogado de Sharif, anunciou que vai recorrer, enquanto Noémia
Pires, advogada da família, considerou que a sentença “já estava tomada
antes da entrada dos juízes” e vai “pedir a anulação do julgamento”.
Os factos remontam a 2008, quando os oito condenados foram detidos por
suspeitas de terem constituído um grupo que atuaria através da abordagem
telefónica, a partir de Portugal, de empresas onde funcionavam serviços
financeiros
da Western Union ou da Moneygram, situadas nos EUA, Reino Unido, Holanda e
Dinamarca. Através da ameaça de deflagração de engenhos explosivos ou “com o
uso de expedientes enganatórios”, os suspeitos conseguiram obter através de
transferências electrónicas o pagamento de quantias monetárias em
território português superiores a 193 mil euros, que o tribunal condenou a
devolverem
ao Estado português, por ausência de queixoso. Alan Guedes Sharif, que é
filho de uma portuguesa e um indonésio, nasceu nos EUA, onde tem quase toda a
família, mas viveu com o tio emTorre de Tavares até aos 12 anos, quando
voltou a New York, onde se fezhomem, estudou eletrónica e meteu-se em sarilhos.
Em 2003, fez-se passar por agente da Drug Enforcement Administration,
roubou os cartões de crédito a um automobilista, proeza que repetiria desta vez
fazendo-se passar por agente do FBI. Finalmente, roubou uma máquina da
Western Union em Queens e usou 20 vales postais para comprar um automóvel em
Yonkers e quando o FBI emitiu um mandato de captura, pirou-se para Portugal. Foi
trabalhar para o tio como camionista, mas em 2005 foi condenado a cinco
meses no Estabelecimento Prisional de Coimbra, por agressão com um pau de
beisebol e, enquanto o sobrinho estava na prisão, José Guedes aproveitou para
conseguir-lhe a cidadania portuguesa com a identidade de João Paulo Tenreiro
Guedes, o que evita a extradição para os EUA. Na manhã de 27 de Março de 2007,
Paulo Manuel da Silva Almeida, 46 anos, um antigo empregado de José Guedes e
amigo de Alan Sharif, foi detido na Florida por alegada tentativa de
assalto ao Commercial Bank of Florida, de Miami. Um assalto bizarro, refira-se,
citando o FBI.
Realmente, nem mesmo nos EUA, é frequente um tipo assaltar bancos “armado”
de telemóvel e com as operações conduzidas pelo telefone a quatro mil
milhas de distância, em Portugal. Almeida talvez entre no Livro de Recordes
Guinness como o primeiro assaltante de bancos armado de telemóvel, embora
tivesse
dito mais tarde que estava era armado em otário e foi enganado pelo Alan
Sharif. Segundo o FBI, às 9:30 da manhã de 27 de Março de 2007, um
desconhecido, que o FBI presume ter sido Sharif, telefonou para o banco dizendo
que
pretendia fazer um levantamento de $20.000 e iria enviar alguém para receber o
dinheiro. Decorridos 30 minutos, Almeida entrou no banco com dois telemóveis
e uma pequena mala preta, entregou um telemóvel a uma funcionária, através
do qual Sharif informou a senhora de que aquilo era um assalto e queria 20
mil dólares. Dado o alarme, 70 polícias de dedo no gatilho irromperam pelo
banco e detiveram Almeida, que esperava sentado num sofá, recebendo instruções
de Sharif através do outro telemóvel. Sharif telefonou para o banco pelo
menos 10 vezes ameaçando fazer ir tudo pelos ares e, temendo as ameaças, a
polícia acionou o dispositivo de segurança máxima e Miami viveu sete horas em
estado de sítio.
Almeida foi julgado em Novembro de 2007 e saiu da prisão no mês seguinte,
depois de ter estabelecido acordo com as autoridades americanas para
testemunhar contra Sharif e terá já regressado a Portugal. Em 23 de Agosto de
2007,
começou outra dor de cabeça para o FBI: durante vários dias, pelo menos 26
estabelecimentos e bancos em 17 estados receberam telefonemas de um
indivíduo que ameaçava explodir o estabelecimento caso não fosse depositada
através
da Western Union uma determinada quantia numa conta bancária.
As chamadas eram feitas de Portugal num telemóvel e a conta fornecida pelo
chantagista era portuguesa. Desta vez, o FBI pediu a colaboração da Polícia
Judiciária portuguesa e Alan Sharif foi detido, em Julho de 2008, em Viseu,
num apartamento onde vivia com uma jovem brasileira, mãe do seu filho de um
ano. Enfim, em toda esta história há uma moral qualquer, embora não se
saiba qual é. A verdade é que, com a sua genialidade informática, Alan Sharif,
luso-americano com nome de astro de cinema, intimidou, e muito, poderosas
multinacionais e conseguiu ganhar dinheiro à custa disso mesmo. Não falta quem
pense que, se roubou aos bancos, então devia era ser condecorado. Ladrão que
rouba a ladrão tem cem anos de perdão.
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