Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha



“A humanidade tem de pôr fim à guerra ou a guerra porá fim à humanidade!...”
— John F. Kennedy

Já vem dos séculos passados,
Desde o princípio do mundo,
Que, dum modo nauseabundo,
Se formaram as nações
E se treinaram soldados,
Ensinando-os a matar,
Mandar p’rá frente lutar,
Sem saberem as razões!

Chamaram Pátria à terra
Aonde habita a sua gente,
Uma Ilha, um Continente,
Que visto dum certo modo,
Tudo que ali encerra
É do mundo, vendo bem,
Terra não é de ninguém!
Pátria é o mundo todo!

A guerra, sempre se disse
Não há nada que se herde,
Ali tudo o homem perde,
Duma maneira estranha.
Por isso, a guerra é tolice,
Custa sempre um dinheirão,
Põe de rastos a nação,
Que com isto nada ganha!

É por isso que na Terra
A humanidade em geral
Terá que pôr um final
Na grande calamidade,
Que lhe chamamos de guerra,
Ou é ela, quanto a mim,
Qu’acabará pondo um fim
A nossa humanidade!

As guerras, antigamente,
Eram ganâncias dos Reis,
Umas esquisitas leis,
Que aos reis davam a vida.
Mas, os Reis iam na frente,
Lutando com os soldados.
Eram mortos, derrotados,
Se a luta fosse perdida!

Hoje, a coisa é contrária,
Quem faz a guerra não sofre,
Só vai enchendo o seu cofre,
Rodeado de cuidados.
Sentado à secretária,
Impondo ordens bem fortes.
Guardando bem suas sortes.
Quem morre, são os soldados!...

A guerra tudo destrói,
Formada por ambições,
Sempre daquelas nações
Qu’as ganâncias lhes ocorrem.
O que cá dentro mais dói,
É ver morrer tanta gente,
Sem culpa alguma, inocente,
Que nem sabem porque morrem!

Desde de novo vou ouvindo
O país forte dizer:
-Esta guerra tem que ser,
Apontando o qu’ o outro faz.
Hoje, velho, vão repetindo,
E há guerras por toda a parte,
Com o lamento... o descarte,
Que se está tentando a paz!

A paz está na pessoa,
No diálogo, que tentamos,
E nos modos que usamos,
P’ra não abrir nova dor.
Quem quer paz, até perdoa,
A parte arrependida.
Só há perdão, nesta vida,
Se lhe juntar muito Amor!


É aí que quero chegar,
O AMOR, três letras só,
Como seja um simples pó,
Vai misturado c’o vento,
Voa p’ra todo o lugar.
É o Amor bem profundo,
Que salvará este mundo!
Amor é um sacramento!...

Quem tiver Amor no peito,
Nunca quer mal a ninguém.
Ter Amor é querer bem
A tudo e todo o vivente.
O Amor dá sempre jeito,
Até pelo inimigo,
Por isso é que eu digo;
Feliz de quem Amor sente!...

Amor é das coisas boas
Que bem pode aqui na Terra
Evitar a fome, a guerra,
Genocídios e terror.
Não brigam duas pessoas,
Se uma delas não quer,
Por isso vamos nós ter
Mutuamente muito AMOR!...

P.S.
Na guerra, estão bons meninos,
Cravos que se estão abrindo,
Com a vida lhes sorrindo.
Levados a combater,
Estragam os seus destinos,
A sua missão na Terra.
Morrem ou matam na guerra,
Alguém sem o conhecer!

E que verdade se diga,
Muitos que os mandam lutar
Têm horror de matar,
Seja o que for, na verdade.
Nem matavam uma formiga,
E que ali, podem crer,
Matam, para não morrer.
Lado a lado, em igualdade!...

Pior são os resultados,
Os que voltam duma guerra,
Dentro de si se encerra,
Diferente comportamento.
Alguns vêm mutilados,
Outros imaginam perigos,
Encaram como inimigos,
Alguém que vêem no momento!

Fazem a guerra os que mandam.
Se lhes convém a disputa,
Que entrem eles na luta,
Metam-se eles nas trincheiras.
Reis, presidentes que andam
As lutas a fomentarem,
Sendo eles a lutarem,
Vão-se as guerras interesseiras!...

Cá por mim, não mando nada,
Fico aqui, boca calada!...


 


      
      


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