Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

O voto e a crise

Na próxima terça feira, 2 de novembro, é dia de eleições nos Estados
Unidos. Serão eleitos 30 governadores estaduais e, além de outras disputas locais,
também se procederá à eleição de um terço do Senado e da totalidade da
Câmara dos Representantes.
Os democratas poderão perder a atual maioria no Congresso, os números estão
contra eles. A taxa de pobreza nos EUA era 13,4% em 2008 e subiu para 14,3%
em 2009, já com os democratas no poder.
A repartição do censo revelou que 43,6 milhões de americanos, um em cada
sete, viviam na pobreza em 2009, acima dos 39,8 milhões em 2008.
Muitos eleitores são vítimas da crise e estão descontentes com a
incapacidade dos democratas em relançar a economia e esquecidos de que foram
republicanos que provocaram a crise.
O descontentamento é generalizado e os imigrantes não fogem à regra. Nas
eleições de 2008, a participação dos eleitores hispânicos subiu aos 9,7
milhões de pessoas, das quais 67% votaram no então candidato democrata Barack
Obama, mas no próximo dia 2 de novembro poderão ir à urnas 6,8 milhões de
hispânicos ou nem isso, uma vez que a motivação é menor.
Também não se sabe ao certo quantos luso-americanos irão votar dia 2 de
Novembro, mas calcula-se que sejam pelo menos 200 mil e sobretudo em
Massachusetts, Rhode Island, onde representam 4% do eleitorado e Califórnia, onde não
passam de 1%.
Por tradição, os imigrantes portugueses são simpáticos às políticas sociais
do Partido Democrata, embora alguns passem a identificar-se com os
republicanos à medida que melhora a situação económica.
Mas a tradição já não é o que era, nem sequer em Massachusetts, onde quatro
em cada cinco eleitores são democratas, mas não impediu que quatro dos
últimos cinco governadores estaduais tenham sido republicanos.
No início deste ano (19 de janeiro), o obscuro senador estadual republicano
Scott Brown concorreu contra a desastrada democrata Martha Coakley nas
eleições intercalares para escolha do sucessor do falecido Edward Kennedy no
Senado e foi eleito para um lugar ocupado durante 47 anos por um democrata.
Muitos luso-americanos votaram Brown seduzidos pela promessa de emprego.
Esqueceram-se de que o emprego que ele pretendia criar era o dele próprio, no
Senado.

Fado na TV dos EUA
 A propósito do recente falecimento do cantor Eddie Fisher, lembrou-se aqui
a passagem de Amália Rodrigues pelo seu programa televisivo na NBC, Coke
Time.
Foi em 1952, Amália fazia uma temporada (quatro meses) na boite
novaiorquina La Vie en Rose, foi convidada a ir ao programa e cantou Coimbra, a canção
de Raúl Ferrão e José Galhardo que começava a dar volta ao mundo.
Parece ter sido a primeira fadista a apresentar-se na televisão dos EUA e
não foi a última porque Mariza apresentou-se no David Letterman Show, na CBS,
a 11 de outubro de 2007.
Quer isto dizer que a audição de música portuguesa nos canais anglófonos é
rara, mas às vezes podemos ser surpreendidos, como me aconteceu há anos
quando via o Tonight Show, da NBC.
Já uma vez falei nisso, mas vale a pena recordar. Foi no dia 5 de abril de
1989, quando o programa ainda era apresentado pelo Johnny Carson.
Foi, por sinal, uma emissão em que foi também entrevistada Jodie Foster, a
Sarah Tobias do filme The Accused, inspirado no caso Big Dan de má memória
para os portugueses de New Bedford.
Johnny Carson mantinha um concurso em que os concorrentes davam o título de
canções que a orquestra tentava executar. Se a orquestra não acertasse, os
concorrentes trauteavam a canção e ganhavam um jantar num restaurante de Los
Angeles.
 “E qual é a sua canção?”, perguntou Carson a um concorrente gorducho que
se apresentou como John Santos.
 “A minha terra”, respondeu o Santos, em português.
“What?!”, estranhou Carson.
“A minha terra”, insistiu Santos.
Suspeitando de influências ibéricas, a orquestra atacou um pasodoble ou
coisa parecida, mas não acertou e Santos trauteou então a sua canção em
português:
“Ó minha terra, onde eu nasci/ quantas saudades eu tinha de ti...”
Era a canção da autoria de Rezende Dias que António Calvário levou em 1960
ao Festival da Canção da Figueira da Foz e, se a música portuguesa fosse
mais conhecida nos EUA, o concorrente teria sido desqualificado, pois  o título
da canção é Regresso e não A minha terra.
De qualquer forma, se alguém em Portugal se lembrasse de promover a música
portuguesa no Tonight Show era capaz de morrer de susto com o preço, pois o
programa tem uma das tabelas de publicidade mais caras da TV americana.
Contudo, um anónimo português na Califórnia, conseguiu cantarolar durante
uns minutinhos uma canção portuguesa no programa de maior audiência dos EUA
e, ainda por cima, ganhar uma palmada nas costas, de Johnny Carson e um
jantar para quatro no restaurante Fontana di Trevi.

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Tragédia do Pico da Vara foi há 61 anos
Cumprem-se esta quinta-feira, 28 de outubro, 61 anos sobre a tragédia do
Pico da Vara. Foi a 28 de outubro de 1949, eram 2:50 da madrugada. Um
Constellation da Air France que voava de Paris para New York com 37 passageiros e 11
tripulantes, embateu na encosta da maior elevação da ilha açoriana de São
Miguel. Não houve sobreviventes. Da lista de passageiros destacam-se os nomes
de Marcel Cerdan, campeão mundial de boxe, 33 anos e da violinista Ginette
Neveu, que se diz ter sido encontrada agarrada ao seu Stradivarius, e o
irmão, o pianista Jean-Paul. Nas freguesias de Santo António Nordestinho,
Algarvia e Santana ainda há quem recorde essa noite de nevoeiro e os agitados dias
que se seguiram. As pessoas foram acordadas por um violento estrondo,
acompanhado de um enorme clarão. Muitos populares subiram ao Pico da Vara para
socorrer as vítimas e alguns aproveitaram-se para se apoderarem de relógios,
dinheiro, jóias e outros valores encontrados nos destroços. Ainda hoje se
fala em dedos cortados para arrancar anéis. A pilhagem originou um incidente
diplomático entre a França e Portugal, motivando nomeadamente a deslocação de
polícias franceses aos Açores para revistarem casas e procederem a
apreensões. Para além destes incidentes, o acidente enlutou a França pela morte de
Marcel Cerdan, ainda hoje considerado o maior pugilista francês com uma
carreira de 113 combates vitoriosos. Marcel voava para New York, para se juntar a
Edith Piaf, o maior nome da canção francesa e mundial. As vidas da cantora e
do pugilista tinham-se cruzado em New York no verão de 1948 e foi paixão
fulminante, apesar dele ser casado e com três filhos. Em outubro de 1949, Piaf
fazia uma temporada no nightclub novaiorquino La Vie en Rose e telefonou ao
amante para que a viesse ver. Cerdan acedeu ao pedido da amada e partiu
para a morte. Piaf recebeu a notícia do desastre horas antes de atuar e não
cancelou o espetáculo, mas no final da quinta canção desmaiou no palco. Em
homenagem a Marcel Cerdan, Piaf dedicou-lhe uma das suas mais belas canções,
Hymne à L’Amour, que ela tinha composto com Marguerite Monnot e cantado pela
primeira vez nessa digressão e que ficou como um momento sublime da paixão
vivida por uma cantora e um pugilista.

JOÃO SILVA, repórter fotográfico português, sofreu sábado a amputação de
ambas as pernas por altura dos joelhos em consequência da explosão de uma mina
anti-pessoal quando acompanhava uma patrulha de soldados americanos nos
arredores da cidade de Arghandab, no Afeganistão. Nascido em Lisboa, em 1966,
vive desde jovem na África do Sul e reside com a mulher, dois filhos de tenra
idade e os pais em Joanesburgo. Começou a fotografar em 1989 e tornou-se um
dos mais prestigiados fotojornalistas de conflitos, estando desde 1996 ao
serviço do New York Times. Foi distinguido com vários prémios, nomeadamente
da prestigiada World Press Photo. “É o melhor fotógrafo de guerra que pode
existir”, afirmou Bill Keller, editor do Times, explicando que é um
profissional “destemido mas cuidadoso”. No entanto, nem os cuidados nem a experiência
acumulada a cobrir conflitos no Afeganistão e no Iraque, impediram João de
cair numa mina, a principal arma usada pelos talibãs e responsável pela
morte da maioria dos 600 militares estrangeiros que só este ano já perderam a
vida neste país. João tem uma das profissões mais perigosas do mundo:
correspondente de guerra. Em 2009, morreram 132 jornalistas no  exercício da sua
profissão, em 2008 morreram 60, em 2007 morreram 64 e em 2006 morreram 56. No
Afeganistão já foram mortos 17 jornalistas e no Iraque 124. Contudo, apesar
do azar, João Silva ainda cá está para continuar a fotografar e não precisa
necessariamente de pensar como Fidel Castro, que disse um dia: “Eu não posso
desistir do jornalismo. Só duas coisas me podem parar - se eu morrer, ou
perder as pernas”.

DILMA ROUSSEFF deverá ser eleita presidente do Brasil no próximo dia 31 de
outubro e Washington faz como São Tomé, aguarda para ver como é. Na
juventude, Dilma foi membro do Partido Comunista e fez parte da Armada
Revolucionária Vanguarda na década de 1970, com o pseudónimo de Joana d’Arc. Foi presa e
torturada por agentes treinados pela CIA e passou três anos na prisão. Mesmo
décadas depois, poderá não ser grande fã dos EUA e alguns analistas
políticos brasileiros dizem ter sido por isso que o ex-chefe do Departamento de
Estado de Assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas A. Shannon, foi nomeado
embaixador em Brasília e que a embaixada inclui cerca de 40 agentes da CIA, DEA,
FBI, havendo planos para abrir 10 novos consulados nas principais cidades
brasileiras, como Manaus, na Amazónia. Segundo analistas brasileiros, na
primeira volta das presidenciais, a equipa de Shannon terá apostado em Marina
Silva, candidata do Partido Verde, que teve inesperadamente 20 milhões de
votos. Preocupados com a possível eleição de Dilma, os americanos apostaram no
Partido Verde, esquecidos de que é considerado o Partido Melancia - verde por
fora, vermelho por dentro.

Reticências...
Bom caráter é como uma boa sopa, usualmente tem que ser caseira... É
difícil ter a figura elegante de um violino quando começamos a ficar parecidos com
um violoncelo... Quando as empregadas dos estabelecimentos começam a
chamar-nos Sir, tudo o que há a fazer é passarmos a olhar para o Social
Security... Ria e os outros rirão consigo. Ressone e passará a dormir sozinho... Meia
idade é quando as nossas pernas se apertam, mas o cinto não...Os netos são a
recompensa de Deus quando envelhecemos...
• Ferreira Moreno

PARA ALÉM dos militares no destacamento norte-americano da base das Lajes,
ilha Terceira, há 15 mil cidadãos americanos nos Açores com direito a voto
nas eleições nos EUA. Na maioria trata-se de açorianos naturalizados
americanos que viveram nos EUA e que regressaram às origens depois da reforma.
Contudo, pouco votam. Pouco votam nas eleições regionais e ainda menos nas
americanas.

QUASE todos os automobilistas em Portugal usam no carro a imagem de São
Cristovão e basta-lhes. Nos EUA, não sei se pelo facto do tráfico ser mais
infernal, os automobilistas portugueses penduram no carro crucifixos, rosários e
medalhas de santinhos, e entregam-se à proteção do Criador, mesmo não
sabendo se tem carta de condução.

E. PINTO BASTO & CA, grupo português de representações e navegação,
instalou-se  em 2002 em Angola, em 2007 em Espanha e Inglaterra, em 2008 em Hong
Kong e 2011 poderá ser o ano dos EUA e já não é sem tempo. Fundada há 239 anos
no Porto, mas sediada há muito no Cais do Sodré, em Lisboa, a firma Pinto
Basto, é mais antiga que os EUA.

VIRGILIO TEIXEIRA completou ontem 93 anos e está excelente, desde que não
pense correr a maratona do Funchal, onde nasceu a 26 de outubro de 1917 e
regressou em 1967, quando deixou o cinema, depois de ter vivido muitos anos em
Espanha. Foi talvez o mais internacional ator português, tendo participado
em 92 filmes (46 espanhóis, 20 portugueses, nove ingleses, nove italianos e
18 americanos).

CLINT ESTWWOD apontou Manoel de Oliveira como um exemplo a seguir,
esperando continuar a fazer filmes tanto tempo quanto o português que comemora o
102º aniversário dia 11 de dezembro próximo. Falando a jornalistas no Festival
de Cinema de New York, onde foi apresentar Hereafter, a sua nova
longa-metragem, Eastwood, de 80 anos, negou ter planos para reformar-se. “Há um
português com mais de 100 anos que continua a fazer filmes. Planeio fazer a mesma
coisa”, garantiu Eastwood.

TRÊS anos depois de se ter radicado nos EUA, a portuguesa Daniela Ruah está
no bom caminho. Integra o elenco da série NCIS: Los Angeles (CBS), na pele
da agente Kensi Blye e o êxito abriu-lhe as portas da publicidade: é uma das
caras do champô Pantene, ao lado da supermodelo brasileira Gisele Bündchen
e da telejornalista espanhola Sara Carbonero, namorada de Hector Casilas,
guarda-redes do Real Madrid e da selecção espanhola.



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