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Atriz portuguesa Ana Paula Aleixo Lopes, sonha fazer carreira
em Hollywood
É natural de Coimbra, mas aos dois anos de idade foi viver para São Miguel,
onde ainda na tenra idade da sua infância deu os primeiros passos para o
teatro. Efetivamente, a sua primeira experiência em representação ocorreu na
escola elementar, numa peça de Natal e terá sido aqui que descobriu a sua
verdadeira paixão, ser atriz, se bem que a ilha e o arquipélago açoriano não
permitissem sonhar alto neste ramo. Durante os tempos de liceu decidiu fazer
um pacto com os pais: se completasse os estudos universitários no mínimo
tempo possível deixariam a filha concretizar o sonho: estudar a arte de
representação em Hollywood.
Licenciou-se em Direito (2001-2006), ao mesmo tempo que integrava elencos de
filmes de curta metragem.
Concluídos os estudos, Ana desloca-se a Los Angeles, tendo concluído o Curso
Profissional de Representação (2007-2008) na New York Film Academy
(Universal Studios), sendo autorizada a trabalhar nos EUA durante um ano,
tendo atuado em vários teatros, nomeadamente o Victory Theatre, Dorie
Theatre, The Lizard Theatre e The Bootleg Theatre, bem como vários
comerciais, curtas metragens, vídeos musicais e séries televisivas.
Um ano depois regressa a Portugal tendo assinado contrato com uma das
agências mais conceituadas e onde participa assiduamente em curtas
metragens, peças de teatro e TV.
Fluente em português, inglês, espanhol e francês, Ana sonha regressar aos
EUA, aguardando visto de trabalho.
Dos vários filmes em que participou, curtas e longas metragens, destacamos
"Contraluz", em que contracena com Joaquim de Almeida, "Are You Still Down"
(Liquid Flame Productions), "The Last Tenant", "Christmas Break", "Endless
Love", "The One Nighter" e "Pele".
Na televisão, Ana Lopes integrou o elenco de "Podia Acabar o Mundo",
contracenando com Virgílio Castelo, uma produção da SP Televisão para a SIC,
entre outras.
No teatro, há a destacar "Affair Play", "Mary Stuart" "Baby Dance", "Fool
for Love", entre outros.
No referente a videoclips musicais, saliente-se a participação em "Let's
Make Love in the Club", do cantor Usher.
Ana Paula, que reparte atualmente a sua residência entre os Açores, Porto e
Lisboa, concedeu ao PT a entrevista que abaixo publicamos, mercê dos
diversos canais de divulgação atualmente disponíveis (www.ana-lopes.com
ou
ainda no Facebook).
Como e quando se envolveu no mundo do espetáculo?
"Quando tinha 7 anos fiz uma peça de teatro na escola e foi a primeira vez
que senti que me tinha conseguido soltar. Era uma criança muito tímida fora
de casa. Apercebi-me logo da magia que era representar e fui crescendo com a
ambição de vir um dia a ser atriz. Apesar de todos os espetáculos que ia
organizando com os amigos em São Miguel, só quando vim para Lisboa para a
faculdade (2001) e pude pisar verdadeiros palcos e atuar em frente de
câmaras a sério é que decidi que tinha mesmo que fazer disto a minha vida.
Cheguei à conclusão que não valia a pena olhar a meias medidas e comecei a
juntar esforços para, mal acabasse o curso, ir para Hollywood. Assim
aconteceu e, lá, estudei Representação durante um ano. Considero que,
profissionalmente, só me envolvi no mundo do espetáculo quando acabei esse
curso em Los Angeles, pois a partir daí (2007) é que me dediquei a tempo
inteiro ao objetivo de ser actriz. Tive a sorte de poder iniciar a minha
carreira profissional lá, porque a escola deu-me um visto de trabalho de um
ano. Comecei a ir a castings e as oportunidades no mundo do espetáculo foram
surgindo".
A sua carreira tem correspondido às expetativas?
"Talvez porque exijo imenso de mim mesma, ou talvez porque pus a fasquia
demasiado elevada, tenho que admitir que não. Tenho trabalhado bastante,
atuado em vários projetos, mas ainda não tive oportunidades que me lançassem
definitivamente no meio artístico e sei que isso não se deve a falta de
dedicação ou persistência. Porém, posso-me orgulhar de já ter um currículo
minimamente consistente em cinema, o que não é assim tão comum entre os
atores portugueses".
O que mais gosta de fazer: cinema, TV ou teatro?
"Confesso que gosto da pressão que trabalhar em televisão implica e do facto
de podermos ver o resultado final a curto prazo. Adoro a adrenalina do
palco, poder usar toda a minha expressividade e o trabalho de preparação de
personagem que o teatro nos permite fazer. Mas o cinema é, sem dúvida, a
minha grande paixão. Para mim, os filmes são as peças de arte mais
completas, por conseguirem juntar um pouco de todas as outras áreas
artísticas. São quadros, fotografias sonoras e em movimento que despertam em
nós reações emotivas e que podemos levar para qualquer parte para rever
quando nos apetecer. Ao atuar num filme, sei que a minha interpretação vai
ficar imortalizada naquela obra. E o facto de trabalharmos cena a cena,
permite-me dar uma atenção especial aos pormenores, o que me delicia. Além
disso, todo o processo por que um filme passa me fascina imenso, desde a
produção à montagem, passando pela realização".
Onde tem mais oportunidades, em Portugal ou aqui?
"Como, de momento, não estou autorizada a trabalhar nos EUA, só tenho
procurado oportunidades em Portugal. Mas nunca escondi a minha colossal
vontade de regressar a Los Angeles, porque, apesar de haver mais pessoas a
tentar vingar como atores lá, o número de projectos em produção é
infinitamente maior. E lá dão a importância merecida a uma fase muito
importante da pré-produção dos projetos, que é a dos castings. É aí que é
selecionado quem é realmente o melhor para determinado papel e, mais
importante, é aí que atores desconhecidos têm a oportunidade de mostrarem o
que valem. Voltei para Portugal há dois anos e não são precisos todos os
dedos de uma mão para contar os castings a que fui para projetos de ficção
profissionais. Em Hollywood, cheguei a ir a cinco castings num só dia".
Quais as condições que Portugal oferece a um artista de teatro, de cinema ou
TV para o desenvolvimento dessa carreira?
"Apesar de ter começado a representar no teatro e de atuar em peças sempre
que surge uma oportunidade ou convite, não posso dizer que tenha investido
para que o desenvolvimento da minha carreira se desse nesse sentido; por
isso, neste caso, não sei ao certo quais são essas condições. De resto, vou
falar apenas da perspetiva de quem se encontra nesta etapa, que é a de quem
está a tentar entrar num meio artístico demasiado fechado. No que toca à
televisão, de momento, parece-me que existe apenas uma porta entreaberta:
uma série juvenil, que já existe há sete anos e que é o único projeto
nacional que aposta em caras desconhecidas, as quais, a partir daí, podem,
então, ter a oportunidade de crescer noutros projetos de ficção mais
conceituados. Mas como tinha mais que a idade requerida quando regressei de
Los Angeles, esta porta já estava fechada para mim. Quanto ao cinema, que é
onde tenho trabalhado mais, existem alguns castings, mas maioritariamente
para projetos de realizadores em início de carreira. Os poucos que já estão
no meio e recebem subsídios, vão, quase sempre, buscar atores de renome e
outras caras conhecidas à televisão. E são tão poucos esses projetos que,
fazer cinema com profissionais, também não tem sido um objetivo fácil de
alcançar em Portugal. Não são, contudo, estas condições, ou falta delas, que
me vão impedir de continuar a crescer como atriz aqui. Há sempre algum
projeto em que se pode participar e mesmo criar de raíz. É preciso é nunca
parar".
Será que este ramo tem sido afetado pela atual crise global que se verifica?
"Sem dúvida. Embora nunca tenha estado no campo de batalha em alturas
prósperas para poder comparar, é óbvio que a crise tem abrandado imenso a
evolução dos artistas. No ano em que tinha visto de trabalho nos Estados
Unidos, os argumentistas fizeram greve e isso fez com que a produção de
inúmeros projetos fosse suspensa ou mesmo cancelada, o que diminuiu
drasticamente o número de papéis disponíveis e foi já um reflexo, em pequena
escala, da alteração do paradigma económico. Em Portugal, os atores sentem
as consequências da crise na medida em que as estações de televisão estão a
dar menos oportunidades a atores que não tenham contrato de exclusividade
com elas e a apostar cada vez menos em elenco adicional. No cinema, está bem
patente a influência da crise, por exemplo, no facto de o financiamento do
ICA ter descido quase 50% de 2001 a esta parte. Por seu turno, os
investimentos privados, que nunca tiveram grande expressão em Portugal, mas
que desempenham um papel fundamental no cinema americano, também se tornaram
cada vez mais raros. E até há estúdios a declarar falência".
Qual o papel que mais gostou de fazer?
"Já tive a sorte de desempenhar imensos papéis desafiantes e muito
diferentes uns dos outros, mas tendo que escolher um, vou dizer que foi
aquele que, de tanto gozo me ter dado, acabou por ser o culpado de eu ter
feito esta opção de vida: Lucky, na peça À Espera de Godot. Foi numa das
vezes que fiz o monólogo desta personagem que percebi claramente que nada me
fazia tão feliz como representar. E foi dos maiores desafios que tive até
hoje como atriz porque tive que mudar a minha postura, a minha expressão, a
minha voz, falar em todos os tons e em linguagem gestual ao mesmo tempo e o
monólogo é, no mínimo, inquietante e desordenadamente arrojado".
Como é o seu dia a dia num dia de trabalho?
"Mesmo quando sei que tenho trabalho garantido durante alguns meses
seguidos, todos os dias são diferentes e tanto há dias vazios, como dias
repletos de notícias e afazeres. Se, por exemplo, souber que vou ter ensaios
todos os dias durante um mês (como está a acontecer neste momento), para
além desse compromisso, num dia tenho também um casting, noutro que gravar,
noutro que fazer uma campanha, noutro vou a uma reunião, noutro tiro tempo
para me promover, noutro estudo personagens, noutro procuro trabalho para
quando esse mês acabarS Talvez só quando um ator faz parte do elenco fixo de
uma série de TV é que poderá falar de rotina ou algo similar. Posso garantir
é que esta faceta de instabilidade e surpresas diárias não é o que mais me
alicia nesta profissão".
Projetos futuros ou em perspetiva de concretização...
"Estou a trabalhar numa peça e numa curta metragem e, em 2001, tenho
agendada a minha participação no primeiro projeto da Picture Portugal, que
será também o meu primeiro papel importante numa longa metragem
profissional. Os meus objetivos passam por voltar a Los Angeles, o que conto
fazer ainda em 2011, e, aí, retomar uma percurso que interrompi quando o meu
visto expirou e ao qual não está a ser possível dar continuidade, de um modo
que me preencha, aqui em Portugal. Quero, a médio-prazo, conseguir fazer
parte da indústria de entretenimento norte-americana e realizar um filme nos
Açores".

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