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Red Tails, a aventura dos Tuskegee Airmen no cinema
Estreou sexta-feira nos EUA o filme Red Tails, produzido por George Lucas,
o homem das sagas Star Wars e Indiana Jones e que tem a particularidade de
ser o primeiro filme de Daniela Ruah, jovem (28 anos) atriz portuguesa que
integra o elenco da série televisiva NCIS: Los Angeles, da CBS.
Baseado em histórias verídicas, Red Tails conta a história dos primeiros
pilotos negros da força aérea dos EUA, que combateram durante a II Guerra
Mundial enfrentando os perigos do conflito e os preconceitos raciais das altas
patentes do exército norte-americano.
Formalmente, trata-se do 332º esquadrão de combate e do 447º esquadrão de
bombardeamento, que foram treinados em Tuskegee, no Alabama e por isso
ficaram conhecidos como Tuskegee Airmen, embora tivessem também alcunha de
Airmen
Redtails, pilotos da cauda vermelha ou Redtails Angels, anjos da cauda
vermelha, por terem a cauda e o bico dos aviões pintados de vermelho. Até a
Luftwaffe de Hitler premiou o grupo com a alcunha de Schwarze Vogelmenschen,
homem-pássaro negro, talvez longe de adivinhar que todos os pilotos e técnicos
dos dois esquadrões eram negros.
Até então, nenhum negro tinha sido piloto na força aérea dos EUA e os
poucos afro-americanos que sabiam pilotar tinham sido treinados no estrangeiro
ou
centros de instrução civis. Em 1939, o governo de Washington aprovou o
treino de pilotos negros em caso de emergência nacional e, num derradeiro
esforço para impedir o acesso dos negros à Forca Aérea, os comandos exigiram
candidatos com experiência de voo e formação universitária, mesmo assim
alistaram-se 429 negros satisfazendo os requisitos.
O centro de treinos dos esquadrões 332 e 447 foi instalado em 1940 no
Instituto Tuskegee, em Alabama, um estabelecimento de ensino aberto no fim da
Guerra Civil como escola de formação de professorado para os escravos
recém-libertados e os seus filhos.
Em 2 de setembro de 1941, o então capitão Benjamim Oliver Davis Jr.
tornou-se o primeiro piloto negro formado em Tuskegee e, até 1945, seguiram-se
mais
996. Davis foi o primeiro comandante do esquadrão 332 e mais tarde o
primeiro general negro da Força Aérea dos EUA.
Os Tuskegee Airmen realizaram 1.578 missões e perderam 150 homens em
combate ou acidentes. O esquadrão 332, dotado dos caças Mustang P-47, esteve
envolvido na Operação Tocha, que expulsou as tropas nazis da Sicilia e de
Itália. O esquadrão 447 fazia escoltas de bombardeiros pesados com o Mitchell
B-25, o mais famoso bombardeiro médio da II Guerra Mundial, capaz de operar a
partir de porta-aviões e que foi usado também pelos ingleses e russos.
Foi creditado aos Tuskegee Aimen o derrube de 111 aviões inimigos, a
destruição de 150 aviões em terra e de 950 comboios e colunas de camiões. Houve
até um dia em que as metralhadoras do Mustang P-47 do tenente Pierson
afundaram um destróier alemão.
O Tuskegee Institute é hoje a Universidade de Tuskegee, mas a sete
quilómetros do campus, no Hangar Um, continuam a existir aviões e está aberto ao
público o Tuskegee Airmen Historic Site and Museum (Museu e Memorial Nacional
dos Aviadores de Tuskegee), criado em 1998 e onde o filme foi estreado.
Red Tails foi rodado sobretudo em Praga, ao longo de 13 semanas. Realizado
por Anthony Hemingway, conta com um elenco forte encabeçado por Cuba Gooding
Jr., Terrence Howard, Bryan Cranston, Theo James, Brandon T. Jackson e Nate
Parker. Terrence Howard interpreta o coronel A.J. Bullard, personagem
inspirado no comandante Benjamin Oliver Davis Jr.; Theo James faz um oficial dos
serviços secretos e Cuba Gooding Jr. é o major Emanuelle Stance, que tem um
romance com a italiana Sofia, papel interpretado por Daniela Ruah e ambos
enfrentam os preconceitos de um namoro entre raças diferentes. Por
coincidência, Sofia é também nome da atriz, cujo nome completo é Daniela Sofia
Korn
Ruah, Danni para os amigos.
Os veteranos dos Tuskegee Airmen continuam sendo alvo de homenagens. O
presidente George W. Bush distinguiu o grupo com a Medalha de Ouro do Congresso
em 2007. Barack Obama convidou 180 Tuskegee Airmen para a cerimónia da sua
posse, a 20 de janeiro de 2009 e, no dia 13 de janeiro de 2012, vários
veteranos assistiram à projeção de Red Tails na sala de cinema da Casa Branca,
na
companhia do presidente e de Michelle Obama.
Quinze residentes de Rhode Island integraram os Tuskegee Airmen e foram
homenageados em 2009 durante o 7º Salão da Fama de Aviação, no Armory Varnum,
em East Greenwich, alguns a título póstumo.
Do grupo faziam parte quatro filhos de imigrantes cabo-verdianos: George S.
Lima, Pedro “Pete” Carvalho, Pedro Coelho e Benjamin D. Metts.
Só um foi piloto, George S. Lima, que nasceu em Fall River, mas viveu a
maior parte da sua vida em Rhode Island, integrou o esquadrão 447. Dos
restantes, Metts, que faleceu em 1987, em Bristol, com 65 anos, foi operador de
rádio; Pedro “Pete” Carvalho, de Providence, foi artilheiro dos B-25 e Peter
Coelho, de East Providence, era amanuense, ocupando-se das questões
administrativas da Tuskegee Army Air Force.
Depois da Guerra, Coelho tornou-se o primeiro descendente de cabo-verdiano
eleito para a assembleia estadual de Rhode Island, tendo sido deputado de
1967 a 1978. Lima, que era filho de cabo-verdianos da Boavista e de São
Nicolau, foi também deputado estadual, mas destacou-se sobretudo como ativista
dos movimentos de luta pelos direitos civis. Faleceu em março de 2011, dias
antes de completar 92 anos de idade e a Associação Nacional para o Progresso
de Pessoas de Cor (NAACP) instituiu um prémio com o seu nome.
A vida de George S. Lima foi tema do documentário Black Men Can Fly,
realizado em 2006 por Napoleon X e Ken Bento, onde recordou o que era viver com
a
segregação racial dentro e fora do quartel: “Quando íamos à cidade beber
umas cervejas, barravam-nos a entrada dizendo que não serviam negros; serviam o
meu ajudante que era branco, mas não a mim. Lutei na guerra pelo meu país,
regressei, concluí os meus estudos superiores e no fim não podia sequer
beber uma cerveja num bar”.
Lima foi um dos seis oficiais negros detidos por tentarem entrar na sala de
oficiais da base aérea de Freeman Field, em Indiana, em abril de 1945.
Devido ao embaraçoso incidente, o comandante da base foi substituido, os
oficiais negros passaram a ter acesso às salas dos oficiais brancos e três anos
depois o presidente Harry Truman ordenou o fim da segregação nas forças
armadas, mas o racismo não acaba só por decreto e George Lucas queixou-se numa
entrevista de que não houve nenhum grande estúdio interessado em financiar Red
Tails por não existir nenhum ator branco nos papéis principais.
Lucas acabou por investir 93 milhões de dólares na produção e distribuição
do filme e recuperar esse dinheiro será a próxima missão dos Tuskegee Airmen.
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Padrasto de Daniela Ruah detido há anos por venda de armas para o Irão
Na foto, a atriz portuguesa Daniela Ruah ladeada pelo padrasto, Moisés
Szmulewicz Broder e a mãe, Catarina Lia Azancot Korn. A atriz da série
televisiva NCIS: Los Angeles nasceu a 2 de dezembro de 1983, em Boston, onde o
pai, o
dr. Moisés Carlos Bentes Ruah, era diretor do departamento de
otorrinofaringologia do Hospital Universitário de Boston. Quando Daniela contava
cinco
anos, os pais regressaram a Portugal e foram residir em Carcavelos, na casa do
avô paterno, também médico. Entretanto, o casal separou-se, Moisés Ruah
voltaria a casar e a ex-mulher também casou em 1985 com Moisés Szmulewicz
Broder.
Nascido em 1937, o padrasto de Daniela tem nacionalidade israelita e
portuguesa e é empresário do ramo imobiliário. Em 2004, como representante do
grupo internacional BCRE, quis comprar os terrenos da Feira Popular de Lisboa e
do Parque Mayer oferecendo 160 milhões de euros à câmara municipal e em
2006, com a Incentiveste - Imobiliária e Investimentos SA, de que é presidente
do conselho de administração, ensaiou a compra da Dinensino, a cooperativa
que detinha a Universidade Moderna, para transformar os terrenos de Belém num
condomínio de luxo.
Além de empresário de imobiliário, terá sido também em tempos negociante de
armas (note-se que digo negociante e não traficante) e a revista Nova Gente
recordou a semana passada que Moisés Broder foi detido e condenado em 1985
nos EUA por alegada tentativa de venda de equipamento militar para o Irão.
Segundo declarações do próprio empresário à referida revista, tudo não terá
passado de uma “armadilha”, já que na altura negócios como aquele porque
foi condenado eram “uma rotina”.
Em 19 de janeiro de 1985, o jornal Los Angeles Times noticiou a detenção de
três cidadãos portugueses no aeroporto de Los Angeles por suspeita de
estarem envolvidos num esquema para venda de munições para o Irão no valor de
619
mil dólares (à época 105 mil contos), incluindo componentes dos mísseis
Hawk.
Foram detidos a bordo de um avião que se preparava para descolar rumo a
Portugal e identificados Eduardo Ojeda, 54 anos, Moisés Broder, 47, ambos
residentes em Portugal, e Carlos Ribeiro, 45 anos, nascido em Portugal mas
residente em Los Angeles, onde trabalhava como agente de viagens. A detenção
resultou de dez meses de investigações e foram apreendidas 23 caixas com
componentes de sistemas de radar e de mísseis Hawk num armazém de Irvine,
subúrbio
de Los Angeles.
Segundo o LA Times de 4 de Junho de 1985, durante o julgamento Moisés
Broder disse que tinha “envergonhado” a sua família e pedia, aos soluços, para
regressar a Portugal: “Tem a minha palavra - a palavra de um homem de honra -
de que não se arrependerá se me deixar voltar a Portugal.”
O juiz federal Harry L. Hupp mostrou-se compreensivo, mas implacável:
“Acredito em si, mas tenho uma grande responsabilidade. Vou condená-lo para
desencorajar outros homens de negócios estrangeiros que podem ser tentados pelo
dinheiro fácil.”
Moisés Broder foi condenado a um ano e um dia, mas foi um privilegiado no
cumprimento da pena. Cumpriu apenas três meses de prisão efetiva e cinco
meses de prisão domiciliária num condomínio luxuoso, com escolta policial, para
assim poder continuar a gerir os seus negócios.
“É um homem muito rico. Mas foi ganancioso”, apontou-lhe um procurador
americano. Moisés Broder vivia ao tempo em Birre, Cascais, era apresentado como
“um conhecido empresário, de origem judaica”, e que tinha sido
representante das calças Levi’s.
Em 1967, durante a Guerra do Biafra, houve também um Moisés Broder (com 29
anos) residente em Port Gentil, no Gabão e negociando em armas. Há registos
de que, no dia 15 de julho de 1967, a American Federal Aviation Authority
autorizou a venda de um avião ao referido indivíduo. Será o Moisés Broder
português?
Seja como for, Moisés Szmulweicz Broder é hoje pacato senhorio, mas nem por
isso é atividade mais tranquila do que a venda de componentes eletrónicos
ao Irão. O referido senhor voltou há dias às páginas dos jornais e aos ecrans
de televisão devido a problemas com um inquilino. É proprietário do
edifício onde Fernando Nobre teve a sede da sua campanha de candidatura à
presidência da República e ao que parece esqueceu-se de pagar a renda.
A REVISTA Cinemascope considerou o documentário do realizador português
Gonçalo Tocha, É na Terra, não é na Lua como um dos melhores filmes do ano de
2011. Ocupando o oitavo lugar da lista encabeçada por Isto não é um Filme, de
Jafar Panachi, o documentário de Tocha retrata a vida na mais pequena ilha
dos Açores, o Corvo e foi rodado ao longo de quatro anos. Tocha nasceu em
1979, em Lisboa e reparte-se entre o cinema e a música (canta e compõe). É na
Terra, não é na Lua foi também reconhecido com uma menção honrosa no
Festival de Locarno, Suiça, e vencedor da 9ª edição do festival DocLisboa,
valendo
dez mil euros ao realizador.
SE OS portugueses ainda tiverem memória para promessas eleitorais devem
estar lembrados que, antes de ser eleito, o primeiro-ministro Pedro Passos
Coelho garantia que governo seu não funcionaria como uma empresa para amigos,
mas as nomeações para o conselho geral de supervisão da EDP escandalizaram até
alguns setores do PSD, particularmente o antigo líder do partido, Marques
Mendes, que considerou “pornográfico” o salário de Eduardo Catroga.
EDUARDO Catroga, antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva e autor do
programa eleitoral do PSD, que se tornou conhecido dos portugueses por
considerar que os assuntos tratados com a troika eram p... enfim, eram pêlos
púbicos, foi nomeado presidente do conselho geral de supervisão da EDP com a
remuneração anual de 639 mil euros (mais do que ganha Obama), qualquer coisa
como
45 mil euros por mês e que acumulará com a pensão mensal de mais 9.600 que
já recebe. Como membros do referido conselho, irão também mamar na EDP,
Celeste Cardona, ex-ministra da Justiça do governo de Durão Barroso; Paulo
Teixeira Pinto, ex-presidente do BCP; Braga de Macedo, que foi deputado do PSD e
ministro das Finanças de Cavaco Silva e Ilídio Pinho, antigo patrão de
Passos Coelho. Para muitos sociais-democratas, as nomeações são o agradecimento
de Passos Coelho a quem o ajudou, mas António Capucho, ex-deputado do PSD e
ex-presidente da Câmara de Cascais, considera que o mais grave é o
agradecimento repercutir-se na fatura da eletricidade que os portugueses recebem
todos os meses.
NA VISITA que fez a semana passada ao Porto, o presidente Cavaco Silva
lamentou publicamente que a pensão de 1.300 euros que recebe da Caixa Geral de
Aposentações não vai dar para as suas despesas, provocando de imediato
reações da maioria dos reformados portugueses, que têm pensões de 300 e 200
euros e até menos. Mas Cavaco teve certamente um lapso de memória, uma vez que
os presidentes não mentem. Esqueceu-se de que na declaração de rendimentos
entregue a 14 de dezembro de 2010 no Tribunal Constitucional, aquando da sua
recandidatura à Presidência da República portuguesa, declarou receber
anualmente 140.601 euros em pensões. Concretamente, recebe 2.629 euros de pensão
do
Banco de Portugal, 5.629 por ter sido professor da Universidade Nova de
Lisboa e 2.876 euros de subsídio vitalício por ter sido primeiro-ministro.
Quando foi reeleito, de acordo com as novas regras, Cavaco teve de escolher ent
re as pensões de reforma e o ordenado de chefe de Estado (7.000 euros),
optando pelas pensões. Mas embora não receba o salário como presidente, tem
2.900
euros mensais para despesas de representação. Naturalmente que perderá esse
subsídio quando deixar Belém, em 2016, mas passará a receber a quarta
pensão, como ex-presidente. E além disso, se nem assim ganhar para as despesas,
sempre pode pedir emprego ao Eduardo Catroga.
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