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A crise económica e financeira na Europa

Está a assistir-se diariamente a uma grande confusão na  União Europeia e
os países mais poderosos, como a Alemanha e a França, não se têm poupado em
acusarem de irresponsabilidade governativa a Grécia, a Irlanda, Portugal, a
Espanha e a Itália, etc..
Em face desta situação, a chanceler alemã, Angela Merkel e o presidente
francês, Nicolas Sarkozy, até têm razão em imputar culpas a estes países, de
não cumprirem os acordos europeus e de não saberem fazer o trabalho de casa,
gastando sem controlo, para além das suas possibilidades, no último quarto de
século.
No entanto, nem Merkel nem Sarkozy não podem substituir as principais
entidades oficiais, em Bruxelas, que chefiam a regulam a União Europeia, ditando
leis  avulsas; considerando-se os donos da Europa e todos os outros países
tenham de as cumprir... Pois, todos nós sabemos que o mal está feito. Porém,
a partir de agora, a responsabilidade é de todos os parceiros europeus, em
ajudar a resolver esta grave situação, nomeadamente a França e a Alemanha,
etc..
Também não é menos verdade que a União Europeia, está enferma de falta de
liderança. E  mais se fez sentir a mesma, desde o “tsunami”, no princípio de
2008, que assolou os Estados Unidos da América, que abalou este país, quer
financeira quer economicamente, que contagiou o resto do mundo.
A partir dessa ocasião, devia de se ter precavido imediatamente, aumentando
o “fundo de resgate financeiro europeu” (“bail out”), superior a mil
milhões de euros, para em caso de emergência, auxiliar sem demora os parceiros
europeus em dificuldades, como aconteceu à Grécia, à Irlanda, a Portugal, à
Espanha e à Itália, etc., etc..
Porém, isso não foi feito e agora o fundo de resgate financeiro que existe
não é o suficiente para socorrer os países supracitados em dificuldades
económicas e financeiras.
Os fundadores da Comunidade Económica Europeia  em 1949 empenharam-se
profundamente em criar um grande bloco de desenvolvimento económico e de
solidariedade para com todos os países que iam fazendo parte do mesmo e ainda com o
objetivo de criar uma moeda única — o euro — o que aconteceu no dia 1 de
janeiro de 2002.
Praticamente as metas que os fundadores se propuseram foram atingidas, mas
não asseguradas presentemente. E, para assegurar o futuro da União Europeia,
é preciso criar outro modelo, porque este está desatualizado, passando pela
substituição do Banco Central Europeu para Banco Comunitário da Zona Euro.
Provavelmente terá que se proceder a uma alteração do “Tratado de Lisboa”,
porque está desatualizado e não serve à União Europeia, sendo preciso
estabelecer a confiança entre governantes e governados.
Desta feita, Bruxelas também nunca se importou devidamente supervisionar os
seus membros, se estavam ou não cumprindo os acordos, que se comprometeram
quando entraram para a mesma. Assim, os países supracitados, logo que
começaram a fazer parte da União Europeia convenceram-se que eram ricos, com os
fundos que iam recebendo, gastando-os desmesuradamente, como foi o caso da
Grécia, que organizou os Jogos Olímpicos em 2002, saldando-se com um enorme
prejuízo, superior a um bilião de euros.
Quanto a Portugal, passou-se quase a mesma coisa, organizando a Expo-98 e o
Campeonato de Futebol Europeu de 2002, cujos acontecimentos trouxeram um
saldo negativo ao nosso país, de muitas centenas de milhões de euros.
Felizmente que nos foi negado pela FIFA o Campeonato Mundial de Futebol, em
2018 ou 2022, o que seria mais uma pesada fatura que tinhamos de pagar.
Agora, não há outra alternativa senão a União Europeia ter de ajudar estes
países em dificuldades económicas e financeiras, a fim de os salvar da banca
rota, assim como a estabilidade do euro. Ela já tem ajudado banqueiros
corruptos estrangeiros, salvando-os da derrocada.
Agora, o que é mais estranho, é que a União Europeia está a curvar-se
perante aqueles que foram salvos... o que é lamentável.

Manuel M. Esteves
East Providence, RI

 


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