Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

O previsto fim do visto

Obrigados a atravessar o Atlântico, nunca foi fácil para os portugueses
imigrar para os EUA e vai passar a ser ainda mais difícil e mais caro. A
embaixada dos EUA em Lisboa e o consulado em Ponta Delgada vão deixar de emitir
vistos de imigrante para residentes em Portugal, passando o processo a ser
assegurado pela representação norte-americana em Paris, França, o que
representa portanto um custo acrescido.  Um comunicado da embaixada norte-americana
em Lisboa dá conta de que a partir de 1 de março as “entrevistas para os
vistos de imigrante para os EUA e da lotaria de vistos para residentes de
Portugal e França passarão a ser efetuadas na embaixada dos EUA em Paris”, uma vez
que a embaixada em Lisboa e o consulado geral em Ponta Delgada deixarão de
“conduzir entrevistas para IV (immigrant visa - vistos para imigração) ou DV
(diversity visa - vistos destinados a preencher quotas de diversidade, em
função de critérios como raça, por exemplo).
As mudanças dizem respeito apenas aos vistos de imigração, mantendo-se em
Lisboa e Ponta Delgada a emissão de vistos para turismo, negócios e ensino,
bem como todos os serviços consulares para cidadãos americanos. As reações
não tardaram. Fernando Gomes, presidente do Conselho Permanente das
Comunidades Portuguesas, considerou, como monsieur Jacques de la Palice, que obrigar
os portugueses a deslocarem-se a Paris “é uma forma burocrática de
dificultar” a concessão de vistos para os EUA.
Sem papas na língua, o empresário José João Morais, conselheiro das
Comunidades Portuguesas, comentou indignado que “a comunidade é sempre a última a
saber”, frisando que tem “a certeza que eles, os diplomatas portugueses, já
sabem deste problema há muito tempo, mas não dizem nada, porque não lhes
convém e não querem reações”. “Eles brincam connosco”, afirmou, repetindo que
os diplomatas “não se preocupam nada com o que se passa com a comunidade
portuguesa” e que “não prestam para nada”.
Antecipando “um impacto muito grande na comunidade” com esta alteração na
concessão de vistos, Morais criticou também o presidente da República e o
ministro dos Negócios Estrangeiros, que “a única coisa que vêm cá aos EUA
fazer é gastar dinheiro e passear”.
Aparentemente, a decisão não preocupou o ministro de Estado e dos Negócios
Estrangeiros, Paulo Portas, que minimizou a questão afirmando: “Estamos a
falar de 150 mil vistos que continuam a ser feitos em Portugal e 150 apenas
que deixam de ser feitos aqui por uma reestruturação consular”.
Mais explícito, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José
Cesário, adiantou que a decisão não é dirigida particularmente a Portugal e
insere-se “numa reforma global da política consular norte-americana”.
Com efeito, em declarações à Lusa, Christopher Richard, cônsul americano em
Lisboa, esclareceu que, como “o número de vistos para imigração tem caído
em Portugal (em 2010, foram emitidos 134 na embaixada em Lisboa e 32 no
consulado de Ponta Delgada), Washington decidiu “centralizar em Paris as
operações de vistos para imigração de França e Portugal”, a exemplo do que já
acontece nos países nórdicos, onde os pedidos de noruegueses, dinamarqueses e
suecos são todos processados na embaixada em Estocolmo, capital da Suécia.
Os tempos mudam e nada nos garante que daqui a uns anos os EUA não tenham
uma única embaixada em Bruxelas, abrangendo toda a Comunidade Europeia e com
evidente redução de gastos.
O secretário da presidência do governo regional dos Açores, André Bradford,
 considerou que a decisão do Departamento de Estado “não é um tratamento
satisfatório para a região tendo em atenção a relação histórica e afetiva que
nos une” e acrescentou que estão a ser desenvolvidas “diligências no
sentido de assegurar a deslocação periódica aos Açores de um funcionário consular
norte-americano, o que permitiria evitar a deslocação a Paris”.
Mas a verdade é que, embora imigrem cada vez mais, os portugueses vêm cada
vez menos para os EUA.
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, afirmou
que apenas 166 pessoas imigraram em 2010 para os EUA e que a prioridade na
negociação com os EUA tem sido a manutenção de Portugal no Programa Visa
Waiver, que foi utilizado em 2010 por 156 mil pessoas” (não 150 mil, como disse
Paulo Portas). 
O Visa Waiver Program é um programa de isenção de vistos lançado em 1986
pelo Departamento de Estado com a finalidade de estimular o turismo e que
permite aos cidadãos de 36 países abrangidos deslocarem-se aos EUA por 90 dias
em turismo ou negócios sem necessidade de visto.
Mas uma das condições de admissão é o baixo indice de imigração ilegal, ou
seja com um nível de incumprimento até 3,7%, que Portugal terá excedido em
2010, comprometendo assim a continuidade no Visa Waiver Program.
Segundo dados do Department of Homeland Security, 15% dos portugueses que
visitaram os EUA em 2010 não voltaram nos 90 dias de prazo legal.
“Temos tido ameaças sucessivas, por causa da imigração ilegal, de podermos
sair do Programa Visa Waiver e, se isso acontecesse, seria extremamente
complicado para nós. Portanto, a nossa prioridade absoluta é essa, é
mantermo-nos lá (no programa)”, frisou Cesário.
Quer isto dizer que, além dos 166 portugueses imigrados legalmente em 2010,
outros com visto de turistas ficaram por cá a tentar a sorte.
Ainda assim, a imigração portuguesa para os EUA diminuiu consideravelmente.
Na década de 1980 imigravam em média 10 mil portugueses por ano, mas na
década de 1990 já só foram 4 mil. Em 2001, imigraram 656 portugueses. Desde 
então o número tem diminuído e foi 166 em 2010. Paradoxalmente, os portugueses
estão a imigrar cada vez mais. De acordo com estatísticas oficiais, em 2009
imigraram 175 mil, em 2010 mais 146 mil e em 2011 entre 100 mil e 120 mil.
Ou seja, nos três últimos anos, em média, sairam de Portugal, todos os
dias, 408 portugueses, a maioria com destino ao Brasil, a Angola e à Europa
comunitária, mas terá havido também alguns dispostos a tentar a sorte nos EUA e
que, com visto ou sem visto, viriam nem que fosse a nado.
Contudo, não está fácil ser imigrante neste país e sobretudo imigrante
ilegal. Desde o 9/11 que os americanos vêem um Bin Laden em cada imigrante e, em
clandestinidade, o american dream  pode tornar-se pesadelo.
Por outro lado, o mercado de trabalho mudou muito. Há 30 anos, um português
desembarcava em Fall River ou New Berdford e no dia seguinte já estava a
trabalhar numa das muitas fábricas que então existiam ganhando 12 dólares ou
mais por hora. Mesmo que não soubesse uma letra do tamanho do Empire State
Building, podia fazer a sua vida nas calmas, comprar casa e criar os filhos.
Mas tudo isso acabou. As fábricas estão na China e os EUA têm 14 milhões de
desempregados. Infelizmente, hoje em dia imigrar para Fall River ou New
Bedford é só para quem preferir procurar emprego no Herald News ou no
Standard-Times, em vez de o fazer no Diário de Notícias ou no Açoriano Oriental.

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JOAQUIM de Almeida acompanhou os Oscars pela televisão na sua casa de 
Sintra, mas já voltou a Hollywood e ao trabalho. O ator português participou num
episódio de Missing, a nova série da ABC protagonizada por Ashley Judd e
Sean Bean, que estreia dia 15 de março e onde faz um agente da secreta
francesa. Em maio, seguirá para França, onde tem novo desafio: interpretar um
emigrante português em La Cage Doré, filme francês sobre imigrantes portugueses e
em que contracena com Rita Blanco. Depois seguirá para o Brasil, onde
acabou de participar na série televisiva Rouge Brésil, que decorre na época
colonial e é protagonizada pelo sueco Stellan Skarsgärd. Desta vez, Almeida fará
o papel de marinheiro no filme Os Velhos Marinheiros, a partir da obra de
Jorge Amado. Residente há mais de 30 anos nos EUA, Almeida já é cidadão
americano e não abdica do direito ao voto. Em entrevista ao Diário de Notícias, de
Lisboa, disse que votou em Obama em 2008 e prepara-se para fazer o mesmo est
e ano, embora se confesse algo desiludido com o seu primeiro mandato: “Ele
devia ter mais tomates. No segundo mandato, como já não tem de ser reeleito,
tem de demonstrar mais coragem e deixar de ser um tipo porreiro para os
republicanos”. A política em Portugal não seduz Joaquim de Almeida: “Estamos
numa crise e continua aí toda aquela gente que andou a roubar em anos
anteriores. Os ex-políticos do Cavaco são do pior, foram os que mais roubaram neste
país e continuam aí. Este país não vale a pena. Ninguém vai preso. São
todos amigos uns dos outros, não há justiça que funcione. Por essas e por
outras, nunca ponho o meu dinheiro em bancos portugueses”.

JOSEPH Donald Silva nasceu em 1935, em Lowell. É professor emérito da
Universidade de New Hampshire, onde lecionou inglês e literatura durante 42 anos.
Neto de um madeirense do Campanário, que em 1859 emigrou para a Guiana
Francesa, passou pelo Brasil e ficou até ao fim da vida nos EUA, casando com uma
conterrânea. J. Donald Silva visitou a Madeira pela primeira vez em 1970,
ainda encontrou familiares, desde então volta todos os anos e já publicou
três livros: Bibliography on the Madeira Island, ensaios, With Colombus in
Madeira, história e The Black Kestrel, romance. Professor desde 1968 na Thompson
School of Applied Science na University of New Hampshire em Duhan, J.
Donald Silva foi notícia nacional, acusado por sete alunas de “harrassment
sexual” na linguagem usada durante uma aula em 1992. Foi suspenso em 1993 e no ano
seguinte o caso chegou ao Supremo Tribunal, onde o juiz Eugene Devine
deliberou a favor do professor em nome da liberdade pedagógica e liberdade de
expressão. J. Donald Silva foi readmitido em 1994 recebendo $60.000 de salários
retroativos, $170.000 de custos legais e ainda a remoção do seu currículo
das referências ao processo que lhe foi movido.

TICHA Penicheiro, a melhor jogadora portuguesa de basquetebol de todos os
tempos e que em setembro completa 38 anos, chegou a acordo com a equipa
Chicago Sky e vai iniciar a 18 de maio a sua 14.ª época na WNBA, onde é líder
absoluta de assistências, os passes que dão pontos imediatos (2.560). Patrícia
Nunes Penicheiro nasceu em 1974 na Figueira da Foz e vive desde 1994 nos
EUA, quando veio estudar (e jogar) na Old Dominion University, de Norfolk, VA.
Quando a liga profissional de basquetebol foi constituída, ingressou na
Sacramento Monarchs, onde se manteve 12 épocas, até à extinção da equipa. Nas
últimas duas épocas jogou nos Los Angeles Sparks e agora assinou pelo Chicago
Sky. Os salários na WNBA não se comparam à NBA, enquanto na liga masculina o
 jogador estreante ganha $473.604 e o salário médio são 1,3 milhões, na
liga feminina as jogadoras estreantes ganham $36.750 e o salário máximo são
$105.500. Uma vantagem das mulheres é que durante o defeso nos EUA podem jogar
noutros países. Ticha, que há um ano representou o Sport Algés e Dafundo, de
Portugal, já foi campeã da Polónia (dois anos), Itália, França e Rússia, e
este ano tem contrato com o Galatasaray, da Turquia.

WHITNEY Houston, que nasceu em 1963 em Newark, NJ, foi cliente do
restaurante Ibéria, conforme recordou um dos sócios, João Loureiro, em declarações ao
jornal Luso-Americano. Whitney começou por aparecer com a mãe, a também
cantora Cissy Houston e mais tarde, quando já era uma celebridade, vinha com um
ou dois guarda-costas. O seu prato favorito era mariscada ou arroz de
marisco, mas um dia comeu bacalhau “e até gostou”, segundo Loureiro. Whitney,
que vendeu milhões de discos e cuja carreira foi arruinada pela droga e pelo
álcool, apareceu morta dia 11 de fevereiro num hotel de Los Angeles, onde
estava para assistir à entrega dos prémios Grammy, pertenceu a uma família de
artistas. Era filha da cantora de gospel Cissy Houston, prima de Dionne
Warwick e da irmã, já falecida, Dee Dee Warwick e Damon Elliot e ainda afilhada
de Aretha Franklin.

MERYL Streep ganhou domingo o Oscar de melhor atriz com a interpretação da
antiga primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, no filme A Dama de
Ferro, confirmando mais uma vez a preferência da Academia de Hollywood em
premiar atores e atrizes pela caracterização de figuras reais. Quase um em cada
cinco prémios (19%) dos Oscars de melhor ator foram dados para artistas que
representavam figuras da história. O ano passado, o inglês Colin Firth foi
premiado pela sua caracterização do rei George VI enfrentando a gaguez em O
Discurso do Rei. Dois anos antes, Sean Penn ganhou o Oscar ao representar o
ativista gay Harvey Milk em Milk e dois anos antes disso Forest Whitaker foi
o vencedor pelo seu papel como o ditador de Uganda Idi Amin em O Último Rei
da Escócia. Quanto às vencedoras recentes, a francesa Marion Cotillard levou
a estatueta pelo seu papel como a cantora Edith Piaf, Helen Mirren como a
rainha Elizabeth II e Reese Witherspoon pela sua representação de June Carter
na cinebiografia de Johnny Cash.


OS SEUS oponentes brincam com o facto de Mitt Romney ser bispo mórmon. Se o
antigo governador de Massachusetts se tornar presidente, os EUA irão ter
uma primeira-dama, uma segunda-dama e uma terceira-dama, pois a igreja mórmon
só recentemente proibiu a poligamia.

PASSOS Coelho é conhecido por Obama de Massamá, por residir naquela
localidade perto de Sintra e ter casado com Laura Ferreira, nascida na
Guiné-Bissau. As origens africanas de Obama têm feito correr rios de tinta e teve mesmo
que apresentar a certidão de nascimento para provar que tinha nascido em
solo americano. Será que ainda vão obrigar a mulher do primeiro-ministro
português a provar que nasceu em Bissau?

PORTUGAL continua um país  bizarro. Há reformas de 30 mil euros mensais
para a classe política por meia dúzia de anos de serviço e há quem receba 140
mensais por 30 anos de trabalho. Há também tipos que nunca trabalharam e
recebem por mês 200 euros do rendimento social mínimo e reformados que
trabalharam toda a vida e recebem pensões de 230 euros.

O SPORTING poderá ser comprado por um empresário russo e entrar para a
bolsa de valores, que pelo menos é uma maneira de ver títulos.
 
NO AEROPORTO de Boston, um árabe está a ser entrevistado pelo funcionário
da imigração:
- Seu nome?
- Abu Sal Amalek.
- Sexo?
- Quatro vezes por semana.
- Não, não, não! Homem ou mulher?
- Homem, mulher… Algumas vezes camelo.

A MORENA espevitada atendida pelo funcionário da imigração no aeroporto.
- Nome? - pergunta o agente.
- Zuleika Soares da Silva.
- Idade?
- 24 anos.
- Sexo?
- No mínimo, três vezes por semana.
- Não, eu quero dizer masculino ou feminino?
- Pra mim tanto faz!



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