Desporto

Afonso Costa

 

OPINIÃO
 

No melhor pano cai a nódoa

Já por várias vezes mencionei que o Sporting é dos três “grandes” o que
mais razões de queixa  tem das arbitragens e que em termos de idoneidade leva
algumas milhas de vantagem aos dois concorrentes mais fortes – Benfica e
F.C. do Porto. Joga limpinho, o Sporting, deixando para os outros compadres as
guerrilhas e troca de piropos baratos que em nada dignifica a modalidade e
as partes envolvidas.
Claro que também tem pecados, porque essa da inocência a cem por cento só à
Maria Violeta pertence, ela que jurava a pés juntos, e por alma do pai, da
mãe e dos cinco filhos que essa de ter sido “bispada” atrás do cafuão
abraçada ao José Galinha era uma calúnia do inferno, demais que todos os dias ia
à missinha rezar pelo seu Zezé que nosso Senhor tinha levado antes de tempo.
Vem isto a propósito da nova novela do futebol português que dá pelo nome
do “caso Cardinal” em que supostamente um dos vice-presidentes do Sporting –
Pereira Cristovão – terá dado ordens a um dos seus funcionários para
depositar uns dinheirinhos na conta de um auxiliar que fazia parte do trio nomeado
para o Sporting-Marítimo dos quartos de final da Taça de Portugal.
A notícia saíu em primeira mão no Diário de Noticias, que adiantava ter
conhecimento que a Polícia Judiciária estava a investigar uma suspeita de
corrupção ao auxiliar José Cardinal, que recebeu na sua conta bancária (na
Madeira) 2.000 euros a poucos dias da disputa do tal encontro.
Refere a mesma fonte ter sido o próprio Sporting que, após receber uma
denúncia, comunicou a situação ao presidente da FPF. O referido auxiliar foi
afastado do tal encontro, alelgando então os responsáveis do sector motivo de
doença. “Of course”!...
Diz-se, agora, que o tal Cardinal foi tramado pela companheira, sabedora
que foi – dizem as más linguas – que o rapaz estava a pregar-lhe os cornos
com outra menina. Atrevido!...
Mas esta história recambolesca faz-me cá uma confusão dos demónios, eu que
até nem sou rapaz de muitas desconfianças, muito menos no que respeita ao
futebol português que está tão limpinho como o tanque das reses da Canada da
Cruz, cuja água era mais preta do que o gato negro da minha vizinha Zulmira,
fico sem saber como é que se faz um depósito de 2 mil patacas com a única e
liminar ideia de armar uma cilada ao tal rapaz, quando, em termos legais e
práticos, uma armadilha deste género teria de ser precedida de uma cuidadosa
consulta junto das autoridades competentes, passando estas a montar a
estratégia e demais componentes à realização, legal e oficial, da mesma.
Por outras palavras, digo, aqui há gato!
Fico agora à espera dos capítulos que se vão seguir, o que pode dar assim
para um romance de três anos e troca o passo, na certeza de que a justiça
portuguesa é tão rápida como o barco a remos do Mané da Barqueira. Um dia saiu
do movimentadíssimo porto de Santo António com destino a Rabo de Peixe e só
regressou quatro dias depois. Para se ter uma ideia da fogosidade dos remos
do barco do Mané, o Afonso Rambóia saíu às cinco de manhã e às dez estava de
volta com 16 cestos de chicharrinho fresco e uma saca de lagostas roubadas
aos cofres do Alfredo Gato das Capelas.