Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Madeira, o vinho da independência dos EUA

Os Estados Unidos da América celebram hoje, 4 de julho de 2012, o 236º
aniversário da declaração de independência assinada a 4 de julho de 1776 pelas
13 colónias britânicas norte-americanas no Independence Hall em Filadélfia e
o povo americano deixou de sustentar o rei de Inglaterra e passou a
sustentar um novo parente, o Tio Sam.
Pormenor histórico que a maioria dos americanos e portugueses desconhece, a
cerimónia foi brindada com um cálice de Madeira, de que eram apreciadores
George Washington, John Adams, Thomas Jefferson e muitos outros dos 56
subscritores do documento. Acontece que Madeira era ao tempo o vinho preferido dos
americanos, bebê-lo era símbolo de distinção.
A importação começou em 1690 devido às facilidades aduaneiras. As vinhas
madeirenses pertenciam quase exclusivamente a ingleses fixados no Funchal e
estes tinham facilidades para que o seu vinho chegasse aos confins do império
colonial britânico animando os exércitos que impunham a soberania.
Naquele tempo, todos os produtos europeus destinados à América tinham que
passar primeiro por portos britânicos e uma rara exceção era o vinho da
Madeira, que era exportado diretamente.
Por outro lado, a longa viagem por mar em clima quente contribuia também
para melhorar o vinho da Madeira, pela qual os ricos de Charlestown, Boston,
Savannah, Baltimore e Filadélfia chegavam a pagar 40 dólares por garrafa,
importância considerável para a época.
Acresce que na América colonial se bebia bem. Os escravos trabalhavam e os
senhores caçavam, jogavam e bebiam. Tudo era pretexto para um copo:
casamentos, batizados, funerais, até julgamentos.
O Madeira, Seco ou Doce, era, e não deixou de ser, um vinho versátil,
podendo ser bebido a qualquer hora do dia ou da noite, antes das refeições como
aperitivo e no final como digestivo. Harmonizava com carnes, peixes ou aves,
queijos e doces. Reforçado com brandi curava gripes, as grávidas bebiam um
ou mais copos para suportar as dores do parto e as donzelas bebiam-no com
baunilha, açúcar e nozes na esperança de ficarem mais sedutoras.
Numa época em que era quase obrigação beber Madeira, não admira este vinho
ter ficado ligado a vários acontecimentos históricos dos EUA. Na sua
autobiografia, escrita em 1744, Benjamin Franklin descreve peripécias da luta pela
independência, também conhecida como Revolução Americana e fala das reuniões
dos conspiradores regadas com Madeira.
Já todos ouvimos falar do Boston Tea Party, nome pelo qual ficou conhecida
a destruição, em 1773, de 342 caixas de chá retiradas dos navios ingleses,
no porto de Boston, por colonos disfarçados de índios em protesto contra a
tirania fiscal da Corte inglesa, mas antes tivemos o Boston Madeira Party.
Na noite de 9 de maio de 1768, atracou no porto de Boston o navio Liberty
de John Hancock e, a coberto da noite, 100 pipas foram desembarcadas por
indivíduos que deixaram apenas 25 pipas para os fiscais ingleses tributarem.
John Hancock, que além de comerciante era também presidente do Congresso
Continental, foi o primeiro a assinar a declaração de independência e com
“bastante grandeza”, precisou, para que “o rei George possa ler sem precisar de
óculos”.
O Madeira (muh-dear-ah, como dizem os americanos), foi também o vinho usado
para brindar na posse de George Washington como presidente no dia 23 de
abril de 1789, em New York. Washington bebia todos os dias um copo de Madeira
ao jantar e punha a despesa da compra das caixas de vinho na “lista da
despesa do material de guerra”. O seu vice-presidente e sucessor, John Adams, era
também apreciador confesso e um dia assegurou ao embaixador português que
“na América, o Madeira era estimado acima de qualquer outro vinho”.
John Marshall, que foi secretário de Estado de John Adams e presidiu 24
anos ao Supremo Tribunal Federal, disse um dia que aquele tribunal “foi criado
com Federalismo e Madeira”.
 O famoso vinho serviu também para batizar o navio USS Constitution a 21 de
outubro de 1797, em Boston, pelo capitão James Sever, quebrando uma garrafa
no casco e para os brindes da proclamação da cidade de Washington como
capital em 1800.
Há também quem diga que Thomas Jefferson se inspirou com uns copitos de
Madeira para escrever a declaração de independência na Indian Queen Tavern, em
Filadélfia. Jefferson nunca confirmou os rumores, mas era tão grande
apreciador do vinho madeirense que, quando deixou Paris, onde foi alguns anos
embaixador, trouxe mais de 29 mil garrafas e durante os oito anos que esteve na
Casa Branca (foi o terceiro presidente), deve ter gasto em vinhos Madeira
$42.000 em dinheiro de hoje. 
Quem admitiu ter-se inspirado em Madeira foi o poeta Francis Scott Key,
enquanto escrevia o poema The Defence of Fort McHenry, depois de ter
presenciado o bombardeamento daquele forte nos dias 13 e 14 de setembro de 1814, por
navios ingleses. Em 1889, o poema tornou-se hino nacional dos EUA com o
título de Star Spangled Banner.
É também possível que o vinho Madeira tenha salvo a Revolução Americana. Em
15 de setembro de 1776, tropas inglesas comandadas pelo general William
Howe atravessaram o East River, entraram em Manhattan perseguindo rebeldes em
fuga. Quando os ingleses passavam pela Inclenberg Mansion, onde é hoje o
cruzamento da Rua 37 com a Park Avenue, sairam-lhes ao caminho Mary Lindley
Murray e as duas filhas casadoiras com bolos e vinho Madeira. Lady Murray abriu
aos ingleses a sua adega cheia de Vinho Madeira e os ingleses esqueceram a
perseguição, permitindo que os rebeldes se refugiassem em Long Island, onde
se reorganizaram para prosseguir a luta.
Em 1903, a organização patriota Filhas da Revolução Americana descerrou uma
placa na esquina da Park Avenue com a 37ª Street assinalando a patriótica
intervenção de Mary Murray com o seu vinho Madeira, num episódio que já
inspirou duas peças da Broadway: Dearest Enemy, estreada em 1925 e A Small War on
Murray Hill, estreada em 1957.
Lembre-se que as importações de Madeira estiveram suspensas durante os oito
anos da guerra da independência, mas quando recomeçaram os EUA compraram
metade dos 16.000 barris que a Madeira produziu nesse tempo.
 A popularidade do vinho madeirense continuou mesmo depois da
independência, quando o mercado foi aberto a outros vinhos e só sofreu um golpe em 1853,
quando um fungo ido aparentemente da America atacou e destruiu as vinhas
madeirenses, a produção sofreu grande quebra, o consumo diminuiu e nunca mais
voltou a ser o que era.
Porquê? Variadíssimas razões, a começar pela mudança de hábitos e
preferências dos americanos. Mas há também um pormenor que pode ter contribuído: o
Madeira vinha a granel em barris de 95 galões e era engarrafado localmente, o
que permitia toda a sorte de mixórdias. Basta lembrar que os americanos
bebiam cinco vezes mais Madeira do que importavam.
Os rótulos das garrafas eram muitas vezes o nome dos navios de transporte:
Constitution, Balthazar, Red Jacket, Hurricane, Comet e outros.
Estranhamente, só em 2001, é que o governo da Madeira acabou com a exportação do vinho a
granel que abandalhava o produto.

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Melting Pot

DEPOIS de ter considerado inconstitucional a polémica lei de imigração
aprovada pelos republicanos do Arizona, o Supremo Tribunal considerou a semana
passada que o plano nacional de saúde do presidente Barack Obama é
constitucional e deixou os republicanos pior que estragados. A CNN, que lembra cada
vez mais a Fox, foi a primeira a dar a notícia, mas enganou-se e informou que
o Obamacare tinha sido declarado inconstitucional, erro clamoroso que só não
foi mais notado porque a televisão criada por Ted Turner tem cada vez menos
telespectadores. De qualquer forma, os republicanos estão agora com mais
problemas: até aqui tinham que correr com Obama da Casa Branca e agora têm que
correr também com os juizes do Supremo. Quanto aos democratas, esperam que,
com a aprovação do plano, Obama trate da saúde a Mitt Romney.

KATY Perry canta hoje, 4 de julho, em New York, num espetáculo das lojas
Macy’s comemorativo do 236º aniversário dos EUA e que incluirá 25 minutos de
fogo de artifício no rio Hudson. Amanhã, estreia nos EUA o filme “Kate Perry:
Part of Me” e seria interessante se fosse também apresentado em Portugal,
uma vez que Katy descende de portugueses pelo lado materno. De facto, o seu
verdadeiro nome é Katheryn Elizabeth Hudson e nasceu en 1984 em Santa
Barbara, Califórnia. Começou por utilizar o nome artístico de Katy Hudson, mas como
já havia a atriz Kate Hudson, resolveu adotar Perry, que era o nome de
solteira da mãe, Eleanor Perry. Três dos trisavós de Kate Perry eram oriundos da
Horta, ilha do Faial.

ANA Paula Marques, secretária regional da Solidariedade Social dos Açores,
cobra ajudas de custo pela participação em procissões religiosas realizadas
na ilha de S. Miguel. A informação é do Diário dos Açores, adiantando que,
entre julho e dezembro de 2011, a referida senhora participou pelo menos em
quatro procissões, uma das quais em representação do presidente do governo. O
jornal não esclarece, contudo, um ponto importante: se aquele membro do
executivo recebe ajudas por quilómetro percorrido ou por padre nosso rezado.

A ESPANHA revalidou domingo o título europeu de futebol com uma vitória
sobre a Itália (4-0) e cometendo a proeza inédita de conquistar três grandes
torneios consecutivos: Euro 2008, Mundial de 2010 e Euro 2012. Os jogos foram
transmitidos nos EUA pela rede de televisão ESPN, que já assegurou os
direitos do Mundial de 2014, no Brasil. A ESPN (Entertainment and Sports
Programing Network) é propriedade da Walt Disney Company (80%) e da Hearst
Corporation (20%).

PORTUGAL foi o único adversário dos espanhóis no Euro 2012 que não sofreu
golos e só caiu nas grandes penalidades em jogo das meias-finais, disputado
na última quinta-feira. Acrescente-se que os portugueses disputaram cinco
jogos defrontando cinco campeões do mundo e perderam apenas um jogo. No início
do Europeu ninguém dava um tostão pelo sucesso da seleção portuguesa, mas
ficou entre as quatro melhores do campeonato, o que não resolve nenhum
problema dos portugueses, mas pelo menos ajuda a esquecer temporariamente a crise e
o desemprego.

CONCLUÍDO o jogo Espanha-Itália da final do Euro 2012, o defesa espanhol
Gerard Piqué pegou numa tesoura e cortou parte da rede da baliza italiana na
segunda parte do desafio, com um amigo a filmar a cena. Apesar de não ter
revelado a razão que o levou a fazer aquilo, jornalistas espanhóis adiantaram
que a rede é para oferecer à cantora colombiana Shakira, com quem o defesa do
Barcelona vive há ano e meio. Por sinal, Shakira esteve sábado em Lisboa
para gravar cenas a incluir no seu próximo videoclipe para o tema Truth or
Dare. As gravações provocaram alguma perturbação no trânsito da capital
portuguesa, uma vez que algumas cenas contavam com automóveis antigos. Domingo,
Shakira agradeceu aos portugueses através do Facebook e do Twitter, divulgando
uma foto tirada durante as filmagens da véspera. “Em Portugal onde estive a
filmar ontem o meu novo video. Obrigada gente! Shak”, escreveu a colombiana
no Twitter

NÃO se tendo qualificado para a final do Euro 2012, Portugal acabou por
estar na final. Não a seleção portuguesa, mas o árbitro Pedro Proença, que
apitou o jogo. Proença, 41 anos e benfiquista assumido, já tinha dirigido três
jogos da fase final do Europeu e tornou-se assim o primeiro árbitro a apitar,
no mesmo ano, as finais das mais importantes provas da UEFA, os títulos 
europeus de seleções e de clubes, uma vez que tinha dirigido em maio a final
da Liga dos Campeões, entre o Bayern Munique e o Chelsea. Foi um ano em
grande para o árbitro de Lisboa, nove meses depois de ter perdido dois dentes d
evido a uma cabeçada de um adepto do seu próprio clube.

ARRANCOU na Turquia o Campeonato Europeu Feminino de Futebol de Sub-19 em
que participam oito países, entre os quais Portugal. Da seleção portuguesa
fazem parte duas “americanas”: Stefanie Barcelos, do Oakville SC/Canadá e
Mónica Mendes, que representa o DC United, de Washington.



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