Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

A parada (quase) portuguesa de Bristol

Os Estados Unidos da América celebraram no passado dia 4 de julho a
independência com as paradas, fogo de artifício do costume e o calor que este verão
é mais que o normal, pois o país fica mais quente em ano de eleições
presidenciais. De qualquer forma, o meu 4 de Julho é no conforto do ar
condicionado, vendo na televisão a parada de Bristol e o concerto do Boston Pops na
esplanada do rio Charles e onde Dennis Alves, solista de trompete e diretor de
planeamento artístico, parece continuar a ser o único luso-descendente.
Onde não faltam luso-descendentes é na parada de Bristol, que teve este ano
a 227ª edição e apesar da canícula atraiu 125 mil pessoas.
Vivi uns anos em Bristol, quando trabalhei no jornal Azorean Times, que
depois se tornou Comunidade e já lá está, no cemitério dos jornais portugueses
da América. É uma típica vila da Nova Inglaterra, lembra uma ilustração de
Norman Rockwell para a revista Saturday Evening Post e que o meu prezado
amigo Manuel Luciano da Silva considera a terra mais portuguesa da América.
A teoria do dr. Silva resulta da leitura que Edmundo Burke Delabarre,
professor de Psicologia da Universidade Brown, de Providence, fez em 1918 das
enigmáticas inscrições que cobrem a famosa Pedra de Dighton, uma rocha que ao
tempo estava no rio Taunton, em Berkeley, que em tempos foi parte da vila de
Dighton e daí o nome da pedra.
Delabarre, que nem sequer era português (embora tivesse um genro português,
Abílio de Oliveira Águas), tornou-se uma celebridade em Portugal e foi
agraciado pelo Estado português por ter, alegadamente, detetado o nome de Miguel
Corte-Real e a data de 1511 gravados na pedra e, a partir desta descoberta,
interpretou as inscrições como dizendo: MIGUEL CORTEREAL v(oluntate)DEI hic
DUX IN(iorum) 1511, que traduzido para português significaria: MIGUEL
CORTE-REAL pela vontade de Deus chefe dos índios 1511.
Em 1951, José Dâmaso Fragoso, que dedicou 30 anos ao estudo da pedra,
descobriu formas que lembram cruzes da Ordem de Cristo e o escudete português,
reforçando a teoria portuguesa, de que Luciano da Silva se tornou grande
paladino atribuindo aos Corte-Reais, família de navegadores portugueses dos
séculos XV e XVI, o descobrimento da América.
João Vaz Corte-Real, capitão-donatário de Angra, terá chegado ao continente
americano em 1472, antes de Colombo e descobriu a Terra Nova também
conhecida por Terra de Corte-Real. Dois dos seus filhos, Gaspar Corte-Real e Miguel
Corte-Real, deram continuidade às expedições do pai e desapareceram em 1501
e 1502, respetivamente.
Luciano da Silva tem sido um incansável divulgador da teoria portuguesa
(existem outras) e desenvolveu por sua vez a fascinante teoria de que Miguel
Corte-Real e os seus marinheiros descobriram e colonizaram a baía de
Narragansett, deixando a influência da língua portuguesa entre os índios Wampanoags e
a sua consanguinidade lusíada, de tal modo que, quando os colonos ingleses
se fixaram nestas paragens, observaram e escreveram que alguns destes
“índios americanos eram brancos” e que seriam os primeiros luso-americanos.
Bristol foi fundada em 1680 por quatro comerciantes ingleses de Boston, que
três anos antes tinham comprado à coroa inglesa as chamadas Mount Hope
Lands, 54 km2, por 1.100 libras, a maior pechincha imobiliária dos EUA depois da
compra da ilha de Manhattan aos índios em 1626, 87 km2 pela ninharia de 24
dólares.
No censo de 2010, Bristol tinha 22.954 habitantes, segundo o dr. Silva 78%
dos quais de origem portuguesa e muitos marcam presença na parada iniciada
em 1785 por um veterano da revolução, o reverendo Henry Wight, da Primeira
Igreja Constitucional, que organizou uns “exercícios patrióticos” que
importaram em 30 dólares e custam hoje 300 mil.
Com tantos luso-descendentes na organização, a parada de Bristol pode
considerar-se meio portuguesa. Dos 124 membros da comissão organizadora, eleitos
com mandatos de dois anos, 33 são luso-descendentes e quatro (Bette Anne
Moreira, Richard Luiz, Antone Mederos e James Tavares) já presidiram à comissão.
Na parada também aparecem sempre mais coisas portuguesas do que as marchas
de John Philip Sousa tocadas pela Portuguese Independent Band, fundada em
1919 e que abre tradicionalmente o desfile.
Este ano até foi português o chief marshal, uma tradição que remonta a 1826
e recai normalmente num cidadão com relevantes serviços prestados à
comunidade.
Vários luso-descendentes pertencem à aristocracia dos chief marshals da
parada: Mathias Brito, 1954; John Andrade, 1962; César Brito, 1966; Edward J.
Medeiros, 1967; Victor P. de Medeiros, 1969; Anthony A. Nunes, 1972; John P.
Andrade, 1973; Manuel Luciano da Silva, 1975; Richard Alegria, 1978; Joseph
M. Brito, 1978; os irmãos Anthony, Joseph e Manuel Januário, 1985; Seraphin
Da Ponte, 1987; Frederico Pacheco, 1988; Hildeberto Moitoso, 1999; Diane C.
Mederos, 2001; Raymond Cordeiro e Oryann Lima, 2003; Russel S. Serpa, 2005;
Manuel Correira, 2007; Edward Castro, 2008; Joseph Coelho Sr. e Joseph
Coelho Jr., 2009; Joseph e Betty Brito, 2011 e, este ano, António Teixeira.
Açoriano da ilha do Faial, António Teixeira chegou aos EUA com 14 anos, 
foi professor (português e inglês como segunda língua), da Bristol High School
e apresentou o programa Caravela na TV-cabo local. Aposentado do ensino,
candidatou-se à junta autárquica e, uma vez que a atual administradora
municipal, Diane Mederos, não se recandidata, Teixeira anunciou a candidatura como
independente.
Se for eleito, Teixeira sucederá a três administradores luso-descendentes:
Anthony Williams, que era natural da Vila Franca do Campo, Sarah Amaral e
Diane Mederos e será o primeiro administrador de Bristol que é também
presidente da Academia do Bacalhau da Nova Inglaterra e tesoureiro da organização
cultural Os Cavaleiros dos Corte Reais.
Mas se Teixeira não for bem sucedido no escrutínio, Bristol não deixará de
ter um administrador luso-descendente, uma vez que o seu único oponente é o
democrata David Barboza, vice-presidente da junta autárquica.
O chief marshal e o seu grupo abrem a parada, seguindo-se a polícia local,
cujas chefias são lusas: chefe, tenente Jusoé Canário; sub-chefe, tenente
Steven Contente e chefe da divisão de detetives, sargento James Motta.
Há 64 anos que Bristol procede à eleição de Miss 4 de Julho e este ano
foram todas luso-descendentes: a rainha é Alexandra Teves, 18 anos, e as damas
de honor são Lea Alexandre, 19 anos, Marisa Silva, 16 e Tiffany Costa, 18. A
Little Miss Fourth July é Samantha Martins, 9 anos.
O rancho folclórico do Clube Social Português, de Pawtucket, voltou este
ano a estar presente encerrando a parada com um arzinho do folclore português.
Desde 1876 que um navio da Armada dos EUA visita Bristol durante o 4 de
julho, este ano foi o Carter Hall, navio de assalto anfíbio por sinal comandado
por um luso-descendente, o capitão-de-fragata Damon K. Amaral, natural de
Coventry, RI.
Portanto, a parada de Bristol pode considerar-se meio portuguesa, mas
vários portugueses de Rhode Island, entre os quais o meu camarada Augusto Pessoa,
que há vários anos cobre a parada para o Portuguese Times, pensam que a
representação portuguesa podia e devia ser mais numerosa.
Não faltam em Rhode Island associações, bandas e grupos folclóricos
portugueses que permitiriam criar uma animada e colorida divisão portuguesa na par
ada de Bristol, onde já desfilou por exemplo a charanga dos Bombeiros
Voluntários de Vila Franca do Campo, ilha de São Miguel.
A comissão organizadora está aberta à participação dos portugueses, pois
permite-lhes renovar a mais velha parada da independência. É um pouco o que
disse o presidente Barack Obama no passado dia 4, em Camp David, na cerimónia
de naturalização de 25 militares imigrantes: “A história dos imigrantes é a
nossa própria história (...) Nenhuma outra nação se renova tão
constantemente como os EUA graças à chegada de imigrantes. Por isso estamos sempre
jovens”.

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BARNEY Frank, 72 anos, casou sábado, 7 de julho, no Boston Marriott Hotel,
em Newton, com o parceiro de longa data, Jim Ready, 42 anos, tendo-se
tornado o primeiro membro do Congresso dos EUA a contrair casamento homossexual.
Ready é de Ogunquit, a capital gay do Maine, onde tem uma pequena oficina de
reparações (os jornais de Portugal disseram que é empresário). Frank é
congressista desde 1981 pelo 4º distrito congressional de Massachusetts, mas já
anunciou que não se recandidata no final deste mandato e vai reformar-se.
Frank e Ready vivem juntos desde 2007. A cerimónia foi oficializada pelo
governador de Massachusetts, Deval Patrick, que brincou dizendo que Frank e Ready
prometeram amar-se um ao outro em governos democratas ou republicanos e
mesmo após aparições na conservadora TV Fox News. Chegou a constar que Frank
tinha convidado Barack Obama, mas o congressista disse que não queria o serviço
secreto a estragar-lhe a boda. No entanto teve 300 convidados e a maioria
figuras gradas do Partido Democrático, entre os quais o senador John Kerry,
antigo candidato à Casa Branca, a líder dos democratas na Câmara dos
Representantes, Nancy Pelosi e o senador (e humorista) Al Green, do Texas, que
revelou que Frank estava radiante e chorou durante a cerimónia. Membro do
Congresso desde 1981, Frank revelou um dia que nos primeiros anos viveu no pavor de
que a sua opção sexual fosse descoberta, mas um dia assumiu a sua
homossexualidade e fez carreira, chegando a todo poderoso presidente da comissão
financeira da Câmara dos Representantes.

CARLOS ANDRADE aguarda a recuperação do dólar face ao euro para investir em
Portugal. Em entrevista ao jornal O Emigrante/Mundo Português, de Lisboa, o
conhecido empresário natural de Vila Franca do Campo, ilha de São Miguel,
recordou a trajetória que o tornou um dos maiores franchisados da cadeia de
pastelarias Dunkin Donuts. Adquiriu a sua primeira loja em 1978, em Raynham,
MA e foi o princípio de um império familiar de 550 lojas que se estende por
toda a Nova Inglaterra. Carlos Andrade lembrou uma tentativa de investimento
em Portugal feita há 20 anos, mas que não correu bem. Na altura, “as coisas
foram difíceis” e só há poucos anos o empresário voltou a investir no país,
mas com os gelados da Baskin Robbins, cadeia de 5.800 gelatarias ligada ao
grupo Dunkin Donuts, tendo já aberto “26 lojas”. A segunda tentativa de
investimento em Portugal já está a ser planeada por Carlos Andrade e desta vez
com os donuts. A ideia é ter as duas marcas, Baskin Robbins e Dunkin Donuts,
num mesmo espaço e oferecer assim um leque mais alargado de produtos,
revelou Carlos Andrade, considerando que “em tempos de crise, às vezes as
oportunidades são as melhores”.
 
ACONTECEU em East Providence, RI e é inacreditável: pai e filho foram ambos
premiados na lotaria em apenas dois dias de intervalo. Na sexta-feira, Tony
Galvão, 23 anos, comprou dois bilhetes de uma raspadinha numa loja de East
Providence, um era branco, mas o outro estava premiado com $1.000 e a sorte
estava apenas no início. Sábado, o pai, António Galvão, decidiu comprar um
bilhete da lotaria estadual Wild Money e foi premiado com $189.599. António
acompanhou a extração na televisão: “Eu vi os números, cinco, 15, 18...
Quando vi 18, exclamei que tinha ganho 200 dólares, mas depois sairam 24 e 25 e
vi que fizera o jackpot”. Tony estava a dormir quando o pai e a mãe, Délia
Galvão, o foram acordar em lágrimas (de alegria), mostrando o bilhete
premiado. “Foi apenas um momento de sorte”, diz Tony, mas os pais acreditam na
providência. “A lotaria Wild Money fecha à 7 horas e eram 6:58 quando comprei o
bilhete, dois minutos antes da máquina encerrar”, disse António, acreditando
que o Divino quis premiar a sua família uma semana depois da mulher ter
ajudado uma desconhecida que não tinha dinheiro para pagar a conta do
supermercado. “Também penso que Deus pensou que nós merecíamos qualquer coisa”,
concorda Délia. O casal pensa tirar umas férias e reservar parte do dinheiro
para a filha mais nova tirar o seu curso universitário. Naturalmente que não é
frequente a mesma família ganhar dois prémios da lotaria em apenas dois dias
e, acredite-se ou não na providência, a verdade é que, mesmo para Deus nos
dar sorte na lotaria, primeiro temos que comprar os bilhetes.

UMA FAMÍLIA de Fall River residente numa casa da Alsop Street, que ficou 
destruída num incêndio quinta-feira de manhã, diz que deve a vida ao gato,
Martini. Todos dormiam quando o fogo começou, mas o gato começou a miar e
acordou toda a gente. Quando os bombeiros chegaram já toda a casa era pasto das
chamas, mas os moradores tinham escapado graças a Martini.

JOSÉ MOURINHO esteve a passar uns dias em Miami e no regresso a Lisboa teve
problemas no avião com um casal, identificado como Anna e Xavier e que
regressava da lua de mel. Durante o voo, quando passou pelo lugar do treinador
do Real Madrid, Anna provocou-o dizendo: “Força Barça!” No avião, Mourinho
não reagiu, mas quando desembarcaram no aeroporto de Lisboa insultou,
alegadamente, a mulher. “Ele chamou-me p... e porca de..., a menos de um palmo da
minha cara”, disse Anna ao jornal El Mundo Deportivo, de Barcelona. Segundo
Anna, a lua de mel terminou da pior maneira por causa da “má educação de
Mourinho e de todas as pessoas que estavam com ele”. A mulher queixa-se de que
Mourinho a ameaçou: “Disse-me que só não me matava ali mesmo porque não era
um homem”. O incidente não passou disto, durou alguns minutos e Mourinho foi
levado pelas pessoas que o aguardavam no aeroporto, incluindo a mulher. Mas
Anna diz-se chocada com a agressividade de Mourinho: “Imagina que eu tinha
dito viva el Bayern”.



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