Portugal no Seafood Expo North America em Boston

 

“O mercado dos EUA e Canadá é de extrema importância, é para onde as empresas portuguesas

já exportam o valor de mais de 30 milhões de euros”

— Ana Paula Vitorino, ministra do Mar do Governo português em Boston

 

A Seafood Expo North America, que teve por palco o Boston Convention & Exhi­bition Center, patente ao público entre domingo e ontem, terça feira, reuniu oito dos principais exportadores do pescado português.

Dada a importância do evento, registou a presença de individualidades governa­mentais viradas ao setor. Estivemos pe­rante uma exposição mundial, onde os mais diversos países, entre os quais Portugal se fizeram representar.

Uma representação digna onde imperou a qualidade do nosso pescado, que cada vez mais atrai maior número de importadores e consequentemente mais consumidores.

O local de excelência em que o evento teve lugar, não só foi motivo para elevar Portugal, como também para mostrar à comunicação social que acompanhava a visita ministerial o poderio comunitário, assim como a sua integração em mensagem transmitida pelo cônsul de Portugal em Boston, José Velez Caroço.

Dizia o saudoso professor José Figuei­redo, durante uma visita do então presi­dente do Governo Regional dos Açores, Carlos César: “Finalmente os governantes descobriram as comunidades da região e a norte de Boston. Em visitas anteriores, os membros dos governos regional e central, fixam as suas atenções na área de New York (governo central) ou por Fall River (gover­no regional) e a área de Boston é sempre esquecida não obstante as suas potencia­lidades”.

Pois José Figueiredo lá no assento eterno onde subiu, pode ver que finalmente, claro que por circunstâncias de momento, as entidades portuguesas, nas últimas duas semanas, descobriram Boston.

Tivemos a visita de Catarina Marcelino, secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade.

No passado domingo, Ana Paula Vito­rino, ministra do Mar e o secretário de Esta­do das Pescas, que foram acompanhados por José Velez Caroço, cônsul de Portugal em Boston, numa visita pelas 10:00 da manhã à SEAFOOD Expo North America, que teve lugar no Boston Convention & Exhibition Center, que oferece capacidade para 25 mil pessoas.

No mundo de expositores da industria piscatório, peixe fresco, conservas e congelados, estava ali Portugal, com uma componente que pesa forte na balança das exportações e consequentemente na balança financeira. 

Mas há sempre local e mercado para uma maior expansão dos produtos do nosso mar que banha a nossa longa costa, produtiva em todas as espécies de peixe e marisco, razão da presença pela primeira vez na SEAFOOD Expo North America.

Cabe-nos a nós Portuguese Times passar para a história mais esta visita no segui­mento da reportagem da SEAFOOD Expo North America. Sabemos que o cônsul José Velez Caroço vai ter o cuidado de mandar enviar um exemplar do Portuguese Times para os respetivos ministérios de forma a que os visitantes vejam a forma como foi dada cobertura à sua visita.

Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, no final da visita falou à comunicação social presente na exposição mundial do pescado.

Mostrando-se muito acessível, foi explícita nas questões abordadas deixando boa impressão a quem tem a tarefa de levar aos leitores, no nosso caso, do Portuguese Times, as impressões da visita à SEA­FOOD expo, tendo começado por referir a importância do evento.

“Este evento é dos mais importantes ligado à alimentação dentro da componente do pescado. Sendo assim é extremamente importante que Portugal marque pela primeira vez, presença para que possamos ambicionar aumentar este mercado.

O mercado dos Estados Unidos e Canadá é de extrema importância, é para onde as empresas portuguesas já exportam o valor de  mais de 30 milhões de euros. Em 2016 exportaram 32 milhões de euros pelo que em termos de balança comercial é impor­tante para Portugal. Queremos alargar estes mercados”, referiu Ana Paula Vitorino, que vai mais longe.

“Estamos também aqui a tentar aumentar os processos de inovação não só ligados aos próprios produtos, mas também à forma de divulgar esses produtos. A minha pre­sença e do secretário de Estado das Pescas aqui, prende-se com o apoio às empresas portuguesas na internacionalização e na divulgação dos nossos produtos. Por outro lado, queremos ir mais longe e queremos trabalhar em conjunto com todas estas empresas em projetos de sustentabilidade. Sustentabilidade é a marca que faz a diferença e marca a liderança em termos internacionais. E queremos que a nível internacional haja confiança nas empresas portuguesas. Qualidade no sector ali­mentar. Confiança na sustentabilidade ambiental e nos processos de comercia­lização”.

Mas como Portugal não está só neste sector, um olhar sobre as outras empresas não fica nada mal.

“A presença neste mercado é importante para nós. Assim como os contactos com outras empresas. E também o querer ir mais longe e ser uma marca de excelência”.

A competividade é saudável e sempre di­re­cionada à colocação dos nossos produtos.

“Temos de ter uma aposta transversal. Em função do mercado e colocação dos nossos produtos. Temos produtos muito bons. De grande qualidade. Temos desde o peixe fresco que abastece os vários restaurantes pelos EUA, mais propriamente em New York e outras cidades. Em matéria dos congelados, o bacalhau que abastece aqui neste estado de Massachusetts a comu­nidade portuguesa, grega, espanhola. São pessoas consumidoras deste tipo de pro­dutos. Por sua vez, as conservas tentam alcan­çar outros mercados”, salientou a ministra do Mar.

Mas há algo que supera.

“O que faz a diferença são projetos inovadores. É nós temos de ser melhores. Algo que nos diferencie a outros países. Neste mês de março vão ser aprovados quinze projetos diferentes ligados a este setor do pescado. A grande aposta será a inovação do sector do pescado e a sua trans­formação. São projectos no valor de 75 mi­lhões de euros”, referiu Ana Paula Vitorino.

Mas qual a procedência destes valores.

“Existe uma parte proveniente do inves­timento privado e outra parte são financia­mentos públicos, quer através de públicos nacionais, quer através de investimentos comunitários... Nós temos de ter uma mar­ca consolidada e isso consegue-se através da inovação e da presença. E como tal temos de estar nestas feiras internacionais... Cerca de 80 por cento dos custos da presen­ça de Portugal aqui destas 8 empresas são financiadas através de fundos comunitários e também do orçamento do ministério”.

E concluindo, a ministra das Pescas foca a comunidade.

“O mercado da diáspora, com todo o carinho, é um mercado fundamental. É fundamental não só sobre o ponto de vista económico, mas no ponto de vista da proxi­midade. A proximidade à nossa gente. E nem que fosse só por isso deviamos estar presentes nestes mercados. Não é só por isso. É também por razões económicas”, concluiu Ana Paula Vitorino.

Por sua vez, José Velez Caroço, acres­centou: “Nós temos óptima qualidade neste sector do pescado. Esta região dos EUA é por excelência da pesca, onde a nossa comunidade está muito ligada. Como sejam as empresas portuguesas no setor da expor­tação e do bom nome. Para mim é uma gran­de satisfação. Espero que tenham o maior sucesso”, concluiu José Caroço.

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa • Entrevista: Francisco Resendes