O Carnaval da Nova Inglaterra foi grandioso êxito, entre bailinhos danças de pandeiro e uma comédia e muito público

 

Não vamos estabecer comparações onde elas não existem. Aqui pelos EUA subiram ao palco 14 Danças de carnaval e uma de crianças. Mais de 600 artistas.

Claro que pela ilha Terceira e outros palcos açorianos, os números são mais elevados. Não admira estão no seu ambiente. Foi ali que nasceu a tradição.

Por aqui foi importada, mas deixem que vos diga que com muito mais significado que propriamente na origem. Pela razão simples de que quando um dança sobe ao palco leva consigo a responsabilidade de uma identidade baseada na língua e o mais importante ainda na atração de segundas e terceiras gerações.

Cantaram, declamaram, em bom português. Muitos deles e delas mostraram os seus dotes musicais, ao violão, ao acordeão, nos trompetes. E não nos venham dizer que não o trabalho não foi excelente.

E tudo isto foi uma constante nos dois dias de carnaval. Podemos confirmar pessoalmente entre as 2:00 da tarde de sábado e as 3:00 da madrugada de domingo. Entre o 12:00 de domingo e a 1:00 da madrugada de segunda-feira. Vimos subir ao palco as 14 danças. Danças de Pandeiro, Bailinhos e uma Comédia. E porque não dizê-lo com qualidade, com graciosidade, com alegria. Com responsabilidade do manter de uma tradição em terras de outras gentes, mas que nos dão abertura, para manifestarmos a nossa cultura popular.

São jovens integrados, na sociedade americana.

São jovens, frequentando universidades e outros já formados, mas que continuam a fazer aquilo que gostam. Tocam, dançam e declamam, mesmo com pronúncia, entre lá e cá, mas em português.

E agora não me digam, que a juventude aqui nascida não adere.

E o mais importante, apoiados por salões cheios, desde a primeira à última dança. Falamos com conhecimento de causa, com 45 anos a acompanhar o carnaval.

Dispensamos lições de uma tradição que já se enraizou. Fez a sua própria história. E promete continuidade. 

Fizemos mais uma maratona carnavalesca, pelo que falamos pelo que vivemos e podemos mostrar em fotos e escrita o êxito de mais duas grandiosas noites.

Mesmo assim não vão faltar críticos. Aqueles que falam pelo que imaginam, não pelo que vêem.

Para se viver o carnaval é preciso ir aos salões. Não é em casa a olhar para ecrã do computador ou da televisão.

É preciso sentir e ver o entusiasmo daquela juventude. A alegria. O apoio dos pais, que por vezes acompanham os jovens durante toda a noite. Quando sobe ao palco uma jovem de cinco e seis anos. Claro está que tem de ter os pais por perto. Isto é lindo.

E como diz Victor Santos, o coordenador da Aliança Carnavalesca, “é nos salões, com o cheirinho de uma malassada, de uma sanduíche de caçoila, que se vive o carnaval. Ver a dança subir ao palco. Ver o desempenho dos artistas. Teatrais e musicais. Isto é carnaval. E para o ano cá estarei de regresso”.

E já que Victor Santos nos fala no regresso, depois da ausência deste ano, tivemos oportunidade de ver a estreia de gente jovem e a dar muito boa conta de si. Outros quando viram que o seu clube habitual “não saía”, vai de procurar outro clube. Por aqui se vê o entusiasmo da nossa juventude.

E não nos venham dizer que as segundas e terceiras gerações não aderem às iniciativas portuguesas. Aderem ao que gostam. E o carnaval, ranchos folclóricos e as bandas de música são disso um exemplo.

Se na música não precisam de falar no carnaval falam e cantam em português. 

Temos de admitir que a edição de 2018 foi mais um êxito e esta na passagem dos 45 anos.

Este ano estiveram ausentes, as danças do Victor Santos, dos Martins, do Messias, do Délio, do Borges.

Para o ano há promessas de regresso. O contributo daqueles veteranos é importante a juntar ao que de novo apareceu.

Foi precisamente em 1973 que José Valadão, natural da ilha Terceira, arriscou vir para a rua com a primeira demonstração do que era o carnaval terceirense.

O berço seria a cidade de Lowell, Ma. onde nasceriam filhos entusiastas e talentosos da tradição que gradualmente foi contagiando, outras comunidades de onde acabariam por sair novos talentos. 

Passados 45 anos, o carnaval apresentou-se na edição de 2018 com 14 danças.

Esta efeméride vem juntar-se a um historial único de portugalidade que se regista pelos estados de Rhode Island e Massachusetts. E senão vejamos, em Providence, RI, temos a igreja de Nossa Senhora do Rosário em Providence, a mais antiga igreja portuguesa nos EUA com 132 anos de existência.

A Associação D. Luís Filipe em Bristol com 126 anos, a mais antiga presença do associativismo nos EUA. O estado de Massachusetts detém a igreja do Senhor Santo Cristo em Fall River, com 126 anos. Mais a norte temos a igreja de Santo António em Cambridge com 116 anos.

Tudo isto aliado a um nunca mais acabar de presenças históricas que ilustram a presença lusa por estas paragens. E o mais relevante é que tudo este valioso património foi construído com o trabalho de uma comunidade ativa e concretizadora.

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa