D. João Lavrador, Bispo de Angra, presidiu às festas de São Francisco Xavier em East Providence

 

“Vou levar uma mensagem de alegria”

— D João Lavrador, bispo de Angra

 

D. João Lavrador, Bispo da Diocese de Angra, esteve pela primeira vez de visita aos EUA, tendo presidido às festas de São Francisco Xavier em East Providence.

É uma das dignas e centenárias presenças dos valores religiosos nos EUA.

Uma igreja que prima por ser das mais bonitas, com interiores imaculadamente cuidados, com um altar moderno todo em mármore e o mais importante com uma forte adesão às missas.

Situa-se ao meio do poder associativo, com o vizinho Phillip Street Hall a registar 130 anos, o Teófilo Braga Club a ultrappsar os 100 anos, o Brightridge Club e o Centro Cultural de Santa Maria a completar uma vizinhança.

Após a missa solene concelebrada pelo Bispo D. João Lavrador e pelos pa­dres Scott Pontes e mon­senhor Victor Vieira, ouvi­mos o prelado no espaço que antecedia a majestosa procissão.

Não deixa de ter o seu quê de curioso a visita pela primeira vez aos EUA do novo bispo de Angra e acedendo a um convite do padre Scott Pontes.

Direi que é pelo reco­nhecimento da maior paró­quia portuguesa em Rhode Island, ao que não será alheio a projeção que tem merecido junto do Portu­guese Times.

D. João Lavrador foi muito amável sublinhando a sua visita. 

“Esta vinda aos EUA e mais especificamente a East Providence é uma nova experiência. Mas uma nova experiência na continui­dade. Venho ao encontro de todos, mas mais especi­ficamente aos aqui radi­cados, mas com raizes açorianas. Venho também para agradecer este sentido de partilha com os outros, neste caso a Diocese de Angra, numa iniciativa da Diocese de Providence. É uma ajuda e ao mesmo tempo o significado do que é na verdade a vida de um cristão. A partilha com os outros. Tal como o referi na Eucaristia somos uma diocese pequena, com dificuldades”.

Estamos a referir-nos ao apoio que a diocese de Providence, está a prestar à diocese de Angra....

“As paróquias com larga percentagem de oriundos dos Açores, colocaram em prática o apoio à diocese de Angra. Ao que me parece numa prática que se faz anualmente em apoio a uma igreja fora dos EUA”.

 

“Os açorianos que vêm para a diáspora não perdem as suas raízes nem as suas tradições”

 

“O que vamos verificando é que os açorianos que vêm para a diáspora não perdem as suas raízes nem as suas tradições, sobretudo a sua forma de expressar a fé, particularmente com aquilo que é típico da religiosidade açoriana, a devoção ao Santo Cristo e ao Espírito Santo, como é a sua relação com Nossa Senhora. Os aqui radicados mantêm todos estes valores, direi até com mais força do que propriamente na origem. Neste contexto como em outros lugares há uma predominância da prática cristã.”

 

“Muitos destes padres não foram formados no Seminário de Angra, mas nos seminários aqui pelos EUA. Isto diz bem da fé enraizada, fé comprometida”

 

“Tive o prazer de vir encontrar à frente da igreja de São Francisco Xavier o padre Scott Pontes, nascido nos EUA. Estive aqui reunido na reitoria com padres nascidos nos EUA, mas oriundos de famílias açorianas. O que significa que desde os remotos anos do século XIX em que se registou a grande onda de imagração para os EUA os açorianos vieram mas sem nunca esquecer a sua fé. Muitos destes padres não foram formados no Seminário de Angra, mas nos seminários aqui pelos EUA. Isto diz bem da fé enraizada, fé comprometida”.

D. João Lavrador, depois de ter vivido a experiência da religiosidade da comunidade, pelas ruas de East Providence, regressa em agosto, para presidir às Grandes Festas do Divino Espírito Santo da Nova Inglaterra vai ser recebido com um banho de 200 mil pessoas.

“Estou a encarar com uma certa ansiedade a presença nas Grandes Festas de quem tenho ouvido os mais vivos comentários. É sem dúvida uma grandiosa demonstração da religiosidade do povo açoriano que terei imenso em partilhar”, salienta D. João Lavrador, para concluir:

“Tenho visto a simpatia no rosto de tanta gente. Este gesto de partilha. É bom ser açoriano e mostrá-lo, esteja onde estiver. Levo o sentido de gratidão por este acolhimento”.

 

• Fotos e entrevista de Augusto Pessoa