Dança de espada "O Poder do Divino" na ilha Terceira

 

“Entre vestuários e passagens, temos um orçamento de 40 mil dólares”

— Victor Santos, responsável pela dança de espada “O Poder do Divino”

 

Victor Santos já nos habituou a apostar em representações de luxo além Rhode Island.

O “home” da Terra Chã tem bem presente a responsa­bilidade do que é representar o estado com mais percentagem de portugueses, nos EUA. Tudo isto tem a coordenação, o entusiasmo e o saber de Victor Santos, que vive as tradições portuguesas de cunho terceirense, com o entusiasmo contributivo, para o manter da nossa identidade. E é sobre o que aqui temos de que nos fala. 

“Vamos ter um bom carnaval. Uma tradição que já criou raízes e que tem todas as possibilidades de prosperar. Mas deixem-me que lance aqui, um alerta, aos mais novos e não só, a todos quantos gostam do carnaval. Para haver danças de pandeiro, bailinhos, danças de espada, precisamos de músicos. Sem músicos não há danças. E  estes são uma espécie cada vez mais rara. Deixa-mos um alerta, a quem goste de música. Toca de aprender”. E enquanto os possíveis músicos se vão preparando vamos ver como vai ser o carnaval aqui ao pé da porta.

“Vão desfilar 13 danças. Se juntássemos as que vão para os Açores, seriam 16. Os enredos são os mais variados. Todos virados ao cómico. É por certo ser um grande incentivo a um bom carnaval. Esta quantidade de danças permite dois dias de associações cheias, que vão delirar com o que vão ver desfilar em palco”.

Entre o entusiasmo em torno do carnaval, há algo que tem de ser encarado de frente, dado a sua gravidade.

“Há entusiasmo em redor do carnaval. A tendência é para um contínuo sucesso. Temos um contratempo que tende a agravar e que tem a ver com a parte musical, que tem de ser resolvido e com urgência. Nas partes de personagens e dançarinos há quem goste e se junte aos grupos. Na parte musical a situação é mais complicada. Para manter a parte musical, tal como o queremos, para um carnaval à altura do que vimos apresentando até agora, temos de ter mais músicos. Os atuais estão a envelhecer e com esta situação as difi­culdades inerentes à movimentação em noites frias, para não dizer, geladas. Para agravar chegam as doenças. Não podemos esquecer que aqui o carnaval é no inverno. Com tempestades de neve, gelo, vento, frio, muito frio. A situação para os mais idosos fica complicada. E daí a sua ausência”, diz V. Santos.

Deixando a Nova Inglaterra, vamos até à ilha Terceira. Toda a ilha é um palco. A ilha não dorme durante três dias. O desfile é gigante em todas as freguesias.

“Pela ilha Terceira se bem que ainda não em números finais deverão desfilar 70 danças de carnaval. Da Nova Inglaterra vão três, ao que se juntam mais três da Califórnia. Pela parte que me toca, vamos ser o que somos, entre os grandes desta tradição.”

Mas as danças precisam de músicos e Victor Santos, não larga. “Está tudo a correr da melhor forma. A única agravante que se coloca é a falta de toques. Temos de ter escola de mú­sica. Temos de ter mais jovens, a aprender acordeão, violão, bandolim.

Já ofereci escola duas vezes. Sairam três novos tocadores. Mas precisamos de mais. Estes não são suficientes. Vão dois jovens tocadores na dança do Steve Alves à ilha Terceira, que aprenderam música nos Amigos da Terceira. Tenho planos para mandar vir um guitarrista, para dar aulas e fazer espetá­culos”, continua Victor Santos.

Entretanto o projeto mais próximo é a digressão, com partida amanhã, quinta-feira, para a Terceira. Victor Santos arrisca levar à ilha uma dança de espada. Um tipo de dança, para o lado dramático. Muito mais trabalhosa.

“Entre vestuários e passagens temos um orçamento de 40 mil dólares.

O assunto “O Poder do Divino”, surge na passagem dos 25 anos do carnaval, junto dos Amigos da Terceira. Fomos à Terceira com uma dança pela primeira vez em 1992. O assunto está relacionado com a profunda religiosidade do povo açoriano. Cá e lá. Pelo que estamos esperançados num gran­dioso êxito. Vou puxar a dança conjuntamente com a minha filha Tania. A Chelsea vai ao acordeão. A parte musical são 43 elementos. Somos 16 dançarinos. 6 personagens. 6 toques e 13 músicos de sopro. Vamos desfilar em 20 freguesias.

Além da nossa dança a Casa da Ribeira da ilha Terceira também vai apresentar uma dança de espada. Sendo assim em mais de 70 danças, só temos duas danças de espada.

O alojamento é oferecido pela freguesia da Terra Chã. Temos transporte oferecido pelas câmaras da Praia da Vitória e Angra. Entre vários jantares”, concluiu Victor Santos, que estamos certos, vai ser grande no meio dos maiores.

 

• Fotos e entrevista de Augusto Pessoa