Espionagem

 

A espionagem humana, “do homem pelo homem”, é uma actividade boa, mà, útil, necessária, essencial, ou apenas uma caçada vil, que as nações não dispensam? Este animal maravilhoso, que somos nós, é maravilhoso em si, na sua mecânica, nos seus desejos e incapacidades, e assim irá sendo por mais alguns séculos se o maluco da Coreia do Norte e o seu colega de Washington não se  lembrarem de experimentar um programa de TV ao vivo, com os seis foguetões do norte, numa arrancada simultânea em direitura à nossa terra. O que não acontecerá, pois não me parece que o gorduchinho coreano está disposto a cometer suicídio. E os nossos espiões estão de olho bem aberto para evitar que tal aconteça, com o saco do erário sempre aberto, sem obedecer aos planos do orçamento nacional. Reduzem-se os orçamentos da instrução, da saúde, da ciência, mas as gentes da “inteligência”, ou espionagem, não têm orçamento programado. Gastam-se os biliões que forem necessários. Por aqui se vê a importãncia atribuída aos serviços secretos.

Isto da espionagem foi-me inspirado hoje por um programa que vi na TV, de uma jantarada de antigos agentes secretos, fazendo espírito com algumas das suas antigas escapadas. Que isto da espionagem pró e contra, devido aos avanços electrónicos, tornou-se uma actvidade fundamental responsável pela sobrevivência das nações. Chegamos ao ponto em que um ditadorzeco qualquer, ou criminoso, com o simples premir de um botão, pode paralizar total ou parcialmente os serviços essenciais de uma nação. Até há poucos anos atrás o átomo era considerado a última arma capaz  de destruição total. E foi o átomo que evitou uma guerra colossal entre os Estados Unidos e a Russia. E porquê? Porque ambos os países possuiam a bomba atómica. Se apenas os Estados Unidos, ou apenas a Rússia possuissem essa arma a  guerra seria inevitável.

Pode dizer-se que o átomo salvou o mundo de uma catástrofe. As nações possuidoras de armas atómicas passaram a ter medo de si próprias e da capacidade de destruição que possuem. Desejam possuir a bomba, mais por uma questão de prestígio e de segurança, e não como arma de ataque. Se a Coreia do Norte vier a ter a sua bomba, quem julgam que ela irá atacar? Os Estados Unidos? Não me parece que o gordu­chinho norte-coreano esteja disposto a cometer suicídio. Os Estados Unidos têm bombas suficientes não só para arrasar a Coreia do Norte mas uma grande parte do mundo. Mas isso não está nem pode estar de forma alguma nos seus planos. Não me parece que  o nosso chefe, apesar dos seus handicaps e do seu desejo de voltar aos velhos tempos, sem sindicatos, sem aborto, sem gays, sem seguro de saúde, sem controlos na Wall Street e sem muçulmanos, queira fazer mal àqueles milhares de cidadãos que não se fartam de lhe bater palmas.

Deixando os espiões de lado, não deixa de ser interessante notar o interesse e as provas de simpatia que o nosso presidente tem dado em relação a chefes de estado e políticos de tendências ditatoriais e fascistas, como o presidente da Turquia, a candidata radical da direita francesa, o presidente assassino das Filipinas, o chefe do governo totalitário russo e que o próprio ditador coreano não deixava de ser um “smart cookie”. Que ele não gosta do complicado e moroso processo democrático, é certo, e disso deu provas de impaciência durante o debate sobre o seguro de saúde, que ele estava interessado em aprovar antes que findassem os primeiros cem dias de governo.

E para desenfado, por hoje já chega.

Desculpem, mas o velhote vai prégar a outra freguesia e deixar a viola no saco, como soi dizer-se.