Aumenta o número de luso-americanos concorrentes a cargos públicos na Califórnia

 

 

A coligação Luso-Americana da Califórnia, CPAC (California Portuguese-American Coalition) acaba de identificar mais de uma centena de californianos de origem portuguesa, a vasta maioria com raízes nos Açores, concorrendo a cargos públicos nas eleições de 3 de novembro no estado da Califonia onde reside a maior comunidade de origem portuguesa nos Estados Unidos.   
Os candidatos luso-americanos concorrem a uma amalgama de cargos, desde conselhos administrativos a membros do congresso norte-americano. Uma vasta maioria concorre a cargos públicos que não estão associados a um partido político, ou seja, distritos escolares, conselhos de segurança, câmaras municipais, e supervisores de condados.  Nestes cargos, apesar dos candidatos terem a sua filiação partidária, não a necessitam manifestar.  Para a assembleia estadual, além de Cecília Aguiar-Curry, do Partido Democrático, neta de emigrantes da ilha Terceira, que já ocupa o lugar de deputada há vários mandatos, concorre pela primeira vez, Todd Cota, pelo Partido Republicano, também com raízes açorianas.  
Dos 111 concorrentes, 60 fazem-no pela primeira vez, e 51 sujeitam-se a reeleição. Desses, há 83 homens e 28 mulheres, o que significa, clara e inequivocamente, que há um trabalho a fazer na nossa comunidade para que haja mais mulheres de origem portuguesa a concorrer a cargos públicos.  
A nível estadual as mulheres representam 29,7% dos cargos públicos, o que significa que a comunidade está um pouco aquém da média estadual.
Em termos geográficos, o Vale de San Joaquim conta com 66 dos 111 candidatos; Sacramento e norte da Califórnia em segundo lugar com 20 candidatos de origem portuguesa; a zona da baía de São Francisco e São José com 12; o sul da Califórnia desde Los Angeles a San Diego, com 8 e a costa central, no litoral californiano com 3 candidatos. 
Em relação a 2018, há um acréscimo que ultrapassa os 30%, já que nesse ano a CPAC identificou 83 candidatos com raízes portuguesas.  
Para a CPAC, é encorajador ver o número crescente de candidatos, e particularmente a nível local onde muitas das decisões que afetam a nossa comunidade são feitas, tais como os distritos escolares onde se decide o ensino da língua portuguesa nas escolas americanas.
Segundo o nosso colaborador Diniz Borges, presidente desta organização: “há uma nova consciência política na nossa comunidade, que começa a despertar com as novas gerações”, acrescentando: “é imperativo que os candidatos luso-americanos entendam a necessidade de se fazer coligações com outros grupos étnicos, porque numericamente nenhum candidato consegue ser eleito com o voto de cidadãos de origem portuguesa na Califórnia.” 
A composição partidária da nossa comunidade, segundo o presidente da CPAC é muito semelhante à composição do estado, segundo os dados da eleição de 2016.  Os dados avançados pela CPAC, vindos do Secretário de Estado da Califórnia, entidade oficial que administra os atos eleitorais, em 2016, dos 346 mil californianos que se identificam de origem portuguesa, quase 95 mil votaram. 
Desses, 40% identificam -se como Democratas (a nível global 43%), 30% Republicanos (24,6% a nível global) e 28,7% independe dentes (31% a nível global).  Daí que, segundo o presidente da CPAC,  “ao contrário do que  por vezes é pintado, erroneamente, pelas redes sociais e por alguma comunicação social em Portugal, a comunidade de origem portuguesa da Califórnia maioritariamente açoriana, está mais ou menos dividida pelas mesmas percentagens da população em geral—apesar de fazermos diferenças em relação a outros grupos minoritários” acrescenta Diniz Borges, imigrante da ilha Terceira, Açores, que há muitos anos segue o processo eleitoral nos Estados Unidos, particularmente na Califórnia.