Projetos “O Direito à Felicidade dos Povos na Declaração Universal dos Direitos Humanos” e “Desenho Universal de Aprendizagem” trouxeram a professora Graça Castanho e alunas de Mestrado da Universidade dos Açores aos EUA

 

 

 
A professora Graça Castanho, da Universidade dos Açores, deslocou-se recentemente, de 18 a 25 de fevereiro aos EUA,  com um grupo de alunas de mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico, daquela universidade, com o objetivo de oferecer novas experiências formativas em contextos internacionais às alunas e de promover, no estrangeiro, dois projetos de elevado interesse académico e social. a professora explica pormenorizadamente a iniciativa.
“Nos EUA divulgamos, em diferentes instituições e estados, dois projetos distintos: 1) uma proposta para a ONU integrar “O Direito à Felicidade dos Povos” na Declaração Universal dos Direitos Humanos e 2) o Desenho Universal de Aprendizagem (DUA) como garante da Felicidade em contextos escolares. 
O projeto da Felicidade dos Povos como um Direito Humano foi concebido por mim, no âmbito das minhas atividades de docente da Universidade dos Açores. Ao mesmo se juntou, mais tarde, a professora catedrática Lurdes Serpa, da Lesley University, MA. Apresentei publicamente este projeto em 2018, altura em que organizei, conjuntamente com os meus alunos e a Câmara Municipal de Ponta Delgada, a Celebração dos 70 anos da Declaração dos Direitos Humanos. Neste evento, que decorreu no Centro Histórico de Ponta Delgada, oferecemos ao vasto público que nele participou um conjunto de atividades promotoras da Felicidade, alegria, bem estar e qualidade de vida das populações. Organizámos uma marcha com os direitos humanos principais, apresentamos um espetáculo de stomp com a participação de escolas, houve momentos de teatro, música, dança, yoga do riso, etc. Foi, de facto, uma festa lindíssima, onde decorreu a apresentação oficial da proposta à Felicidade dos Povos: Um Direito Humano. Nas nossas aulas, escrevemos histórias sobre os direitos humanos, as quais foram vendidas pelos alunos no referido evento”, explica a professora Graça Borges Castanho, referindo-se em seguida ao segundo projeto:
“Relativamente ao 2º projeto, referente ao Desenho Universal da Aprendizagem, importa lembrar o seguinte. Trata-se de uma abordagem pedagógica importantíssima, em prática há 30 anos, nos EUA, que assegura à população estudantil o acesso à informação com qualidade, ajuda na compreensão dos conteúdos e permite aos alunos e alunas demonstrar o seu conhecimento de múltiplas formas, garantindo, assim, o sucesso educativo a todos os aprendentes. Nas minhas aulas, trabalhamos as ferramentas de DUA desde 2012, altura em que foi assinado um protocolo entre a Universidade dos Açores, a Lesley University e a Direção Regional das Comunidades, Governo dos Açores. 
No último semestre, quando referi às minhas alunas de mestrado que ia aos EUA apresentar a Proposta da Felicidade dos Povos, na ONU, em Nova Iorque, grande parte das alunas mostrou interesse em participar nesta iniciativa. Para que a viagem tivesse um pendor formativo mais acentuado, decidimos levar a algumas universidades da costa leste onde se ensina Português e se oferece Formação de Professores em Língua Portuguesa a experiência de DUA. Foi escolhido o tema dos Açores para apresentação nas universidades, como exemplo a seguir e para reflexão. Não fomos a nenhuma escola de níveis mais baixos porque estavam fechadas naquela semana”, salienta a professora da Universidade dos Açores, explicando a orgânica e finalidade do projeto Felicidade dos Povos. 
“O projeto da Felicidade dos Povos visa integrar, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Felicidade dos Povos. A Felicidade, hoje em dia, corresponde a uma dimensão humana extremamente importante. Recordo que a Felicidade já tem um Dia Internacional (20 de março) proposto pelas Nações Unidas. A Ciência da Felicidade corresponde a uma linha de investigação internacional assumida pelas maiores e mais reputadas universidades e centros de investigação do mundo. A Felicidade é alvo de um Relatório Mundial da Felicidade, elaborado anualmente pela ONU, no qual são posicionados 156 países do mundo com base no Índice de Felicidade Interna Bruta. Este índice é a variável que permite avaliar o Desenvolvimento Humano e as políticas implementadas pelos governos, políticos e decisores dos destinos da humanidade. A questão da felicidade é tão importante que há países que a têm considerada nas suas constituições, outros têm ministérios e organismos que se dedicam a esta dimensão humana na perspetiva de oferecer mais qualidade de vida e bem estar às populações. Hoje em dia, o FIB (Índice de Felicidade Bruta Interna) começa a ser mais importante do que o PIB. Este expressa a riqueza de um país ou de uma região, mas é o FIB que nos diz como está distribuída a riqueza e se a mesma tem benefícios para as populações”, explica Graça Castanho, salientando haver já muito caminho percorrido e haver novos desafios pela frente.
“Já há muito trabalho desenvolvido sobre a Felicidade, mas grandes desafios nos aguardam. Um passo gigantesco foi a nossa apresentação do Projeto nas Nações Unidas no dia 20 de Fevereiro. Temos consciência de que fizemos história no dia em que apresentamos a proposta na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Foi um sonho que se tornou realidade, tanto mais que a recetividade do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU foi enorme, tendo o mesmo afirmado que as questões da Felicidade no mundo são prioritárias para aquela organização. O passo seguinte será o de envolver governos e políticos de vários países nesta vontade de ver a Felicidade inscrita na Declaração dos Direitos Humanos, o que não é muito difícil porquanto já existe muito trabalho foi desenvolvido nesse sentido. Por outro lado, temos de começar a fazer um trabalho de sensibilização junto das populações, educando-as para os benefícios da Felicidade. Julgamos ser de grande relevância começar um programa de Literacia da Felicidade para que as pessoas, de forma transversal e intergeracional, saibam como viver mais felizes. Com estes passos consolidados, voltaremos à ONU para, em conjunto, colocarmos, ao mais alto nível, na agenda política desta organização mundial, o Direito à Felicidade dos Povos, o qual desejamos que passe a integar a Carta dos Direitos Humanos nos próximos anos.
A Ciência da Felicidade é muito clara sobre o que devem fazer as pessoas para serem mais felizes. A Felicidade não é um conceito teórico ou abstrato. Nem uma dimensão humana que perdure uma vida inteira. Pode ser vivida por qualquer pessoa, mas para o efeito é preciso abraçar práticas que conduzem à Felicidade. A Ciência da Felicidade, fruto de centenas de investigações, assevera que praticar meditação, yoga, yoga do riso, mindfulness, coaching, terapias holísticas e naturais, dança, música, exercício físico, artes são caminhos para acrescentar momentos de felicidade à nossa rotina, levando mais bem estar, saúde e equilíbrio a quem os pratica. Assim sendo, as práticas de felicidade têm vantagens nas contas públicas porque promovem mais saúde, daí acreditarmos, tal como defende a Organização Mundial de Saúde, que é preciso responsabilizar os governos para a necessidade de oferecer às populações o acesso a estas práticas desde a infância, nos mais variados contextos (hospitais, escolas, empresas, prisões, famílias, contextos religiosos, comunitários, etc.), ao invés de apostarem apenas na comparticipação de medicamentos”, explica Graça Castanho, referindo-se em seguida ao projeto do Desenho Universal da Aprendizagem nos EUA:
“Quanto ao projeto do Desenho Universal da Aprendizagem nos EUA, recordo que foi uma experiência muito gratificante. Quer eu quer as minhas alunas de mestrado que me acompanharam desenvolvemos Oficinas de Trabalho ou Aulas Abertas, nas quais apresentamos um conjunto de estratégias, de acordo com os princípios do Desenho Universal da Aprendizagem e da Felicidade nas Universidades que visitamos: University of Massachusetts - Dartmouth; Bristol Community College em Fall River; Lesley University em Cambridge, Massachusetts e Bridgewater State University. Trabalhamos com docentes e alunos que estudam ou ensinam a Língua Portuguesa na vertente educativa. Foram experiências deveras enriquecedoras que colocaram a educação na Centralidade das questões da Felicidade. Visitamos também o State House of Massachusetts, onde apresentamos o projeto da Felicidade aos senadores estaduais Michael Rodrigues e Marc Pacheco. Na Casa dos Açores da Nova Inglaterra promovemos uma Tertúlia de Poesia Açoriana, com recurso a estratégias promotoras de felicidade, em parceria com a escritora açoriana Manuela Bulcão, que nos acompanhou nesta viagem porque também ela tem sido colaboradora no projeto de felicidade, desenvolvendo atividades junto de crianças e idosos no norte de Portugal onde reside”, esclarece a professora da Universidade dos Açores, explicando os apoios recebidos da deslocação aos EUA.
“Recordo que a organização desta viagem foi da minha responsabilidade, mas contei com o apoio do Dr. Ed Tavares, docente aposentado, com um vasto historial de organização de intercâmbios escolares para os Açores e da Professora Lurdes Serpa, da Lesley University. A ida à Casa dos Açores da Nova Inglaterra foi possível fruto do empenho do seu presidente, Francisco Viveiros, da sua esposa e outros colaboradores que organizaram o evento e um cocktail. 
Para além destes apoios, a viagem só foi possível com a ajuda da Sra. Alda Moniz de Fall River, que nos recebeu na sua casa; do Sheriff Thomas Hodgson que disponibilizou uma carrinha e dois agentes que nos acompanharam sempre nas deslocações em Massachusetts e Rhode Island (Jaime Salgado e Bob); e das Direções Regionais das Comunidades e da Juventude do Governo dos Açores. Estes apoios permitiram fazer face a despesas que dificilmente as alunas poderiam suportar sozinhas. A todas as pessoas e organismos envolvidos na organização desta viagem quer eu quer as alunas agradecemos. Registo que se tratou de uma viagem que as alunas e a escritora Manuela Bulcão jamais esquecerão. Todo o grupo que me acompanhou foi aos EUA pela primeira vez na vida. Foi uma grande emoção para elas e para mim que lhes proporcionei tal experiência. 
Recordo que esta foi a 6ª vez que viajei com alunos e alunas aos EUA. São deslocações que marcam para sempre os que visitam e quem é visitado. Posso dizer que sou uma docente ainda mais completa por proporcionar estas aprendizagens tão inovadoras e de cariz internacional aos meus educandos e educandas.
Nesta altura em que o mundo vive tempos de tormenta e incerteza por causa do Coronavírus, aqui deixo um conselho a quem nos lê: não se esqueçam que é urgente integrarem na vossa vida práticas de Felicidade que vos trarão mais vontade de viver, mais alegria, mais disponibilidade para ajudar, mais qualidade de vida e mais consciência dos valores que devemos preconizar. Quanto mais pessoas viverem em felicidade, mais possibilidades temos de ter comunidades felizes e um mundo mais positivo, com benefícios em todas as áreas de intervenção do ser humano (na saúde, economia, educação, contexto laboral, paz no mundo e sustentabilidade do planeta.