Poluição atlântica ameaça indústria pesqueira de Massachusetts

 

Novas restrições que limitam a pesca comercial de arenque ao largo da Nova Inglaterra entraram em vigor dia 10 de fevereiro em águas do Maine e Massachusetts.
O arenque é muito pescado na Costa Leste por ser usado como isco pelos pescadores comerciais, nomeadamente da lagosta e a sua captura caiu de mais de 200 milhões de libras em 2014 para menos de 25 milhões de libras em 2019.
As capturas diminuem e deverão diminuir ainda mais num futuro próximo à medida que diminuem os recursos e um grupo de legisladores de Massachusetts alertou que a rápida acidificação das águas oceânicas ao redor de Massachusetts está a dizimar as populações de vieiras, mariscos, lagostas e moluscos que criam milhares de empregos e arrecadam dezenas de milhões para a economia de Massachusetts.
Anualmente, Massachusetts captura mais de 460 milhões de dólares em moluscos, principalmente vieiras (scallops) e essa captura há vários anos que converte New Bedfdord no porto mais lucrativo do país.
Os moluscos e mariscos empregam mais de 5.700 pessoas como pescadores, processadores e vendedores em mais de 500 estabelecimentos, gerando mais de 300 milhões de dólares em salários anuais.
Mas a rápida acidificação das águas oceânicas de Massachusetts está a dizimar as populações de mariscos e moluscos que sustentam milhares de postos de trabalho.
A hora de agir é “agora”, afirma um relatório de 84 páginas divulgado a semana passada e que revela que a acidez do oceano mais que dobrará até 2100 sem intervenção, já que as emissões de escoamento séptico continuam a ser absorvidas pelas águas e os crustáceos e moluscos morrerão em números cada vez maiores, alertou a Comissão Legislativa Especial de Acidificação dos Oceanos, recomendando que Massachusetts estabeleça um amplo sistema de controlo da acidificação dos oceanos.

“A acidificação dos oceanos representa uma séria ameaça à economia do estado de Massachusetts e uma ameaça potencialmente existencial às economias costeiras que dependem fortemente da pesca de marisco”, escreveu a comissão nas conclusões do seu relatório, acrescentando que o oceano tem-se “acidificado rapidamente” e que sem intervenção a acidez pode aumentar 114% até 2100. 
“A acidificação dos oceanos é uma ameaça existencial para esses eco-sistemas marinhos e para a subsistência das pessoas que neles trabalham e estamos ficando sem tempo antes que as consequências da acidificação dos oceanos se tornem verdadeiramente catastróficas”, disse o deputado lusodescendente Dylan Fernandes, (D-Falmouth), que ao lado do senador Julian Cyr, (D-Truro), liderou o processo de criação de um comité legislativo de 18 membros, composto por cientistas e funcionários, para estudar a questão.