Estátua de Colombo volta a Boston

 

 


As estátuas é que pagam as favas do racismo nos Estados Unidos e são decapitadas, derrubadas ou pintadas de vermelho. 
Os protestos tiveram início após a morte de George Floyd pelas mãos da polícia no dia 25 de maio. 
Na Flórida, Virgínia, Tennessee, Alabama e no Kentucky, estátuas de líderes dos estados confederados defensores do esclavagismo foram vandalizadas em alguns locais e removidas pelas autoridades locais. Algumas pessoas dizem que os tributos glorificam inapropriadamente as pessoas que lideraram uma rebelião que buscava defender a escravidão. Outros dizem que a sua remoção equivale a apagar a história.
O governador da Virgínia, Ralph Northam, ordenou a remoção de uma estátua icónica do general confederado Robert E. Lee e de imediato
um juiz emitiu uma ordem impedindo as autoridades de remover os monumentos.
A Confederação reuniu 11 estados do Sul que se separaram dos Estados Unidos entre 1861 e 1865 porque defendiam um modelo económico baseado na escravidão, ao contrário do que defendiam os estados do Norte. A batalha entre eles deu origem à Guerra Civil americana.
Os combates entre o Norte e o Sul deixaram 620 mil soldados mortos e destruíram a infraestrutura do sul do país. Com a Confederação derrotada, a escravidão foi abolida e os Estados Unidos voltaram a ser um só país, mas o racismo não desapareceu e ainda é um problema.
Considerando Colombo um símbolo da escravidão no país e do genocídio dos povos nativos, a figura do navegador também tem sido alvo da fúria dos movimentos sociais contra o racismo nas manifestações de protesto que têm vindo a abalar o país depois da morte de George Floyd.
O movimento contra a figura de Cristovão Colombo não é novo, há muito que os ativistas nativo-americanos denunciam os efeitos negativos da colonização e o genocídio dos seus antepassados, mas voltou em força com os protestos contra o racismo.
Manifestantes estão derrubando estátuas do “descobridor da América” em várias cidades americanas. Em Richmond, Virginia, um grupo derrubou a estátua de Colombo que ficava no parque Byrd, enrolaram o monumento numa bandeira, à qual atearam fogo, e lançaram dentro de um lago.
Já em Boston, Massachusetts, em junho, uma estátua do navegador foi decapitada. A mesma estátua já havia sido pintada de vermelho antes e é alvo de crítica há anos. Fica num pedestal no Parque Cristóvão Colombo, no centro da cidade.
A estátua foi comprada a Benedetti Bonnati, um fornecedor de mármore na Itália, e esculpida por um grupo de escultores em Carrara, Itália. O pedestal foi feito por Andrew J. Mazzola Monumental Works em Norwood. O monumento foi oferecido pelo Comité dos Amigos de Cristovão Colombo e instalado no parque em 1979.
A estátua decapitada está a ser restaurada e não retornará à sua casa anterior em North End, disse o mayor Martin Walsh, mas irá para a antiga área italiana da cidade no North End de Boston.
O escritório de Walsh disse na terça-feira que a cidade “avançará com uma nova estátua do imigrante ítalo-americano para o parque, e esse processo será guiado pela comunidade de North End”.
A Boston Art Commission votou pela remoção da escultura decapitada e realizou uma audiência pública controversa sobre o que fazer com ela. 
Os Knights of Columbus, cuja sede em Boston fica na Margin Street perto da Regina Pizzeria, ajudaram a cidade a chegar a um acordo: o clube social ítalo-americano hospedará o monumento de Colombo.
O capítulo local dos Knights of Columbus propõe-se reconstruir o seu edifício em 41 Margin Street de parceria com a East Boston Community Development Corporation, incluindo 23 novas unidades habitacionais para idosos com limites de renda e um novo salão para a organização, e a estátua do navegador será certamente bem acolhida.