Boas notícias

 

 

Caros amigos do PT, há muito tempo que não converso com vocês. Mas como há muito fiz da vida uma conversa, às vezes sinto saudades do tempo em que sonhava com o que devia dizer no dia seguinte. A noite era boa conselheira. As letras, palavras e pensamentos desciam como pétalas que o meu bestunto organizava, e atirava, de manhã, para as páginas do extinto “Diário de Noticias”, de New Bedford, para os microfones da WJFD e, mais tarde, para as páginas do PT, e a pantalha do Canal Vinte. O garoto que gostava de pegar na charrua do pai Manuel, semear milho e plantar batatas e que o destino havia trazido às terras do Novo Mundo, enveredara, inesperadamente, pelo caminho da comunicação, ao nível de tecnologias com que nunca sonhara trabalhar e por graça de Deus mantive-me no activo até aos noventa anos. E, neste momento, com noventa e sete, encontro-me na Flórida, para onde a família me trouxe, atrás do sol, que nem sempre brilha na Nova Inglaterra, nestes meses do ano. O meu regresso a penates, ainda não sei. É a minha filha Carol que trata desses problemas.
Entretanto, lembrei-me hoje de vos mandar duas falas de esperança. O New York Times, a minha “Bíblia” diária, que venho lendo desde que entrei no “Diário de Notícias”, com vinte e cinco anos de idade, trazia hoje o relato de que economistas americanos preveem o relançamento da economia, ainda este ano, com mais de quatro por cento. E isto, graças ao grande investimento que o presidente esta fazendo, de triliões em subsídios ao povo, à economia, à instrução, e que todo este dinheiro a funcionar não podia deixar de dar fruto. Porque o dinheiro, caros amigos, é um animal que precisa de movimento.Parado, morre e semeia a morte à sua volta. O dinheiro que se põe na mão dos pobres é o primeiro que regressa aos bancos, onde é depositado, não em nome daqueles a quem foi dado, mas em nome do merceeiro, do padeiro, do barbeiro, do médico, do vendedor de carros. E nesse trajeto magnífico o dinheiro faz milagres. Porque o dinheiro, sob qualquer forma, não se gasta nem desaparece. Apenas muda de mãos. O dólar que ontem dei a um pobre à beira da rua, que ele utilizou talvez para comprar droga, não se perdeu. Esse bocadinho de papel talvez esteja já muito longe. Quando veio ter comigo já vinha sujo e usado, mas sempre com mesmo valor. E agora está cumprindo o seu destino, matando a fome ou alimentando o vício de alguém mais infeliz do que eu.
Portanto, caros amigos, aceitem um abraço do velho Manuel Calado e confiem no futuro, que os economistas esperam em breve, depois de as vacinas desbaratarem a epidemia. 
E a propósito de vacinas, eu já tomei a primeira dose e espero que vocês façam o mesmo. E para terminar, um abraço de cotovelo e até à volta.