A Rede Global da Diáspora é um projeto co-financiado pelo FEDER - Fundo de Desenvolvimento Regional, através do Portugal 2020, no âmbito do SIAC Internacionalização, Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (Compete 2020).
O projeto é liderado pela Fundação AEP e tem como parceiros a Agência de Notícias Lusa, o GAID (Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora), o AICEP, o InovContato e a Associação de Câmaras de Comércio.
Efetivamente, a Fundação AEP tem vindo a desenvolver, nos últimos anos, um trabalho profundo sobre o fenómeno da emigração, em particular dos jovens qualificados, à luz de uma estratégia construtiva no sentido de transformar esta realidade numa oportunidade para as empresas nacionais. Neste âmbito desenvolveu a iniciativa intitulada “Empreender 2020 - Regresso de uma geração preparada”, através do qual foi delineado um conjunto de orientações futuras, algumas delas no sentido de aproximar a diáspora portuguesa com as PME;
Mas para saber mais pormenorizadamente, Portuguese Times contactou o principal responsável por esta iniciativa, Luís Miguel Ribeiro, licenciado em Gestão Financeira e Fiscal com mestrado em Gestão e Negócios, sendo ainda presidente da AEP (Associação Empresarial de Portugal) e membro da Comissão Executiva do Concelho Regional do Norte da CCDR-N e diretor do Instituto Empresarial do Tâmega.
PT - Em que consiste este projeto e quais os seus objetivos?
Luís Miguel Ribeiro - “Numa linguagem cujo léxico já se tornou corrente, é a rede social colaborativa que une os portugueses, onde quer que eles estejam no mundo.
Através de uma ferramenta digital disponível em www.redeglobal.pt, criamos os meios para que a diáspora portuguesa consiga comunicar entre si. Este efeito de aproximação entre todos os portugueses é um dos pilares desta Rede.
Na construção deste projeto pensamos nas melhores fórmulas, e foi esta a escolhida, para partilhar um ativo extraordinário que são os protagonistas de Portugal e os produtos que tem origem neste país.
Assim, tendo também subjacente uma preocupação económica, colocamos no leque dos principais objetivos, a promoção da marca Portugal e o efeito que terá na alavancagem das exportações das pequenas e médias empresas portuguesas, estimulando em simultâneo a colaboração entre as comunidades portuguesas de todo o mundo”.
PT - Como surgiu esta iniciativa e como vai funcionar?
LMR - “A ideia surge da circunstância de a Fundação AEP, já com financiamento do Portugal 2020, COMPETE e FEDER, ter desenvolvido um esforço de aproximação dos nossos jovens emigrantes, muito deles qualificados, no sentido de regressarem a Portugal num contexto de superação da crise financeira de 2008. No desenvolvimento desse projeto - o “Empreender 2020, regresso de uma geração preparada” -, constatámos a oportunidade de desenvolver ofertas para a comunidade emigrante no sentido de partilhar com a mesma o esforço coletivo de promover Portugal e a portugalidade.
A Rede Global da Diáspora surge assim para promover uma real aproximação da nossa comunidade emigrada entre si e entre a mesma e o país de origem, no sentido de facilitar e promover as relações entre todos. Traduzimos nesta iniciativa um natural sentimento de afetividade que une os portugueses onde quer que estejam e colocamos à sua disposição um conjunto de serviços e utilidades, acessíveis através de uma ferramenta tecnológica.
No horizonte temos em vista a cooperação ao nível económico, particularmente através da promoção das nossas exportações. Pretende-se também facilitar o investimento direto, particularmente nas regiões donde saíram os nossos emigrantes, promovendo a aplicação de recursos nas comunidades do interior. Trata-se, num e noutro caso, de estimular o melhor de todos nós para criar uma plataforma que una verdadeiramente os portugueses em todo o mundo e permita a realização de negócios em português”.
PT - Quais os veículos a utilizar para a promoção desta iniciativa?
LMR - “Para garantir um amplo acesso às ofertas da Rede Global da Diáspora temos a preocupação persistente de chegar aos quatro cantos do mundo onde se encontram portugueses. Nesse sentido, desde o início do lançamento deste projeto mantemos a preocupação de articular com todos os órgãos de imprensa quer estejam em Portugal quer os, muitos, que se encontraram espalhados pelo mundo.
Em Portugal privilegiamos a colaboração com a Agência Lusa com a qual assinamos um protocolo de cooperação. No estrangeiro, estabelecemos contatos ativos com os órgãos destinados às comunidades portuguesas e que tenham uma forte penetração nessas comunidades no sentido de veicular informação e aproximar, também por essa via, os portugueses em torno da Rede Global”.
PT - Como têm sido as reações da diáspora a este projeto?
LMR - “Até ao momento apraz-nos registar uma enorme aceitação e entusiasmo de todos. Desde logo por parte das instituições que por esse mundo fora se preocupam em afirmar Portugal e os portugueses. Salientamos a excelente articulação com as instituições nacionais que de uma forma ou de outra se encontram empenhadas na defesa dos interesses da diáspora e o entusiástico acolhimento que temos observado nos portugueses que a compõem.
A este propósito permito-me salientar as interações diárias que mantemos com muitos elementos das comunidades que através dos mecanismos de comunicação que instalamos na Rede Global nos vão dando feedback do trabalho realizado e nos permitem ir cada vez mais de encontro às necessidades e preocupação da nossa comunidade expatriada”.
PT - Que devem fazer os interessados a aderirem ao projeto?
LMR - “O processo de adesão é muito simples pois sabemos que esta plataforma deve servir uma ampla comunidade e tentamos descomplicar ao máximo o processo. Desde logo, poderão subscrever utilizando contas já existentes e que facilitam imenso o registo dos dados. Depois, a circunstância de não estar implícito nenhum custo permite, a todos, interagir desde o primeiro clique com todos os elementos da comunidade registados.
Para as empresas, que também podem aderir à Rede, aconselhamos um registo mais atento pois o perfil que fica associado é fundamental para assegurar a sua visibilidade na plataforma, designadamente pela quantidade e qualidade das ofertas que disponibiliza para a diáspora”.
PT - Quais as vantagens para os seus utilizadores?
LMR - “As vantagens são visíveis logo no momento da adesão. Desde esse primeiro momento que o utilizador pode contatar com os vários elementos da sua comunidade que estão registados e dessa forma estabelecer interações que de outro modo não estariam facilitadas.
Pode também, e de forma totalmente gratuita, identificar as ofertas de produtos e marcas portuguesas que estão num raio relevante desde o ponto geográfico onde se registou. Este facto é fundamental pois percebemos que os portugueses expatriados tem, não raras vezes, dificuldade de saber onde estão outros compatriotas e onde podem encontrar produtos do seu país. Através das Rotas Lusitanas, conseguimos mapear um conjunto amplo de estabelecimentos que oferecem produtos portugueses o que facilitam a comunidade local a encontrá-los e consumi-los”.
PT - Aqui nos EUA já foram encetados contactos?
LMR - “Já foram feitos vários contactos tendo sido utilizados os canais da AICEP que desde o primeiro momento se associou a este projeto e a ele tem dado um excelente contributo.
Preocupamo-nos em assegurar duas dimensões nas parcerias locais: as voltadas para a realização de negócios e aqui tendo em vista sobretudo a colaboração recíproca orientada para a exportação de produtos portugueses – para este efeito colaboramos com a Palcus; e a da animação das comunidades portuguesas onde temos tido a grata colaboração dos vários órgãos de imprensa do qual salientamos o vosso, cuja colaboração inestimável agradecemos”.
PT - A pandemia geral que atravessamos tem de alguma forma abrandado o normal funcionamento da iniciativa e como têm lidado com esta situação?
LMR - “Sem dúvida que esta pandemia a todos tem afetado e a Rede Global não foi exceção. Desde logo porque nos vimos impossibilitados de concretizar a deslocação física a esse país, conforme estava previsto no projeto, tendo em vista estabelecer contatos diretos com os vários representantes das comunidades portuguesas. Não desistimos desse objetivo, apenas aguardamos as necessárias condições para o concretizar que, acreditamos, venha a suceder já no próximo ano.
Até lá temos utilizado as novas ferramentas digitais para encurtar distâncias e agilizar o processo de comunicação e, convenhamos, tem sido possível desta forma concretizar o essencial dos nossos objetivos”.
PT - As redes diplomáticas nos EUA (embaixada e consulados) podem vir a ter um papel importante para uma maior divulgação e visibilidade do projeto?
LMR - “Sem dúvida que sim e esse é um processo que já foi despoletado com vantagens inequívocas para a divulgação da Rede Global, conforme podemos hoje avaliar. Salientamos o protocolo estabelecido com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que reconheceu o enorme mérito deste projeto e que nos tem estimulado, designadamente através da Secretaria de Estado das Comunidades, para prosseguir neste caminho de grande aproximação e compromisso com os portugueses espalhados pelo mundo.
O papel da AICEP tem sido, também, fundamental pois tem-nos facilitado o acesso a contactos locais, através do seus delegados, que se revestem de particular importância para as interações necessárias no projeto”.
PT - Que projetos de futuro tendo em vista um reforço de ligações entre todos os portugueses pelo mundo?
LMR - “Consideramos que a Rede Global Diáspora veio para ficar e assinala um marco importante na relação de Portugal com todos os portugueses, onde quer que eles estejam.
Nesse sentido, assumimos o compromisso de desenvolver cada vez mais funcionalidades na plataforma e assegurar que ela seja, cada mais, o ponto de encontro e referência dos portugueses da diáspora. No horizonte temos em vista uma melhor articulação, mais dinâmica e regular, com todas as instituições espalhadas pelo mundo e que podem contribuir para a afirmação da marca Portugal e dos produtos portugueses nos países onde se encontram sedadas.
Não negligenciamos também a importância dos contatos diretos com a comunidade pelo que esperamos concretizar no próximo ano as deslocações necessárias para que tal aconteça”.
Como nota final, os interessados em inscrever-se nesta plataforma online de prospeção permanente nos diversos mercados, devem consultar o site
www.redeglobal.pt
• Entrevista: Francisco Resendes



