Há o ditado que diz, “Quem rouba ao Povo, rouba a Deus.” O que se poderia dizer da Língua Portuguesa, a quem roubaram o direito de ser como é, como nos foi entregue pelos nossos antepassados, que um grupo de homens de negócios, políticos, estrategistas, banqueiros, diplomatas, acharam do seu direito, sem autorização do povo, fazê-la sua, para fins comerciais. Uma vez em controle, ousaram adulterar as regras da sua ortografia para acomodar um novo colonialismo, aquele da ortografia portuguesa que agora obedece não ao Povo Português , nem tão pouco á sua história, mas a esse contracto entre o Portugal dos negócios e políticos, mais o Brasil, Angola, Guiné e Moçambique, uma forma de “Reverse colonialism” desta vez de Portugal como colónia ortográfica do mundo Luso?
A Língua Portuguesa, portanto, está a ser alterada; foi alterada por forma caprichosa ; exposta, mesmo, a uma manipulação concertada, levada a cabo por um esquema, um plano megalomaníaco criado por uma banda de políticos, homens de negócio, empresários, banqueiros, diplomatas portugueses, que de forma engenhosa, estabeleceram o acordo mais incompreensível da Língua Portuguesa, o famigerado Acordo Ortográfico 1990.
Porque razão, alteraram os módulos da Língua Portuguesa, uma Língua de muitos anos e de muita história, por da cá aquela palha? Fizeram-no atirando o passado da nossa Língua para o lixo, tornando palavras como tecto para teto, aspecto, para aspeto, facto para fato, um pacto para um pato. Apoiando-se em Linguistas de meia tigela, que, acharam que, tornando a ortografia mais fácil ou friendly de se escrever, facilitariam as letras, que isso iria contribuir para uma sociedade mais “capaz”, mais actualizada, mais em dia. Assim reduziram as regras da ortografia ao nível da escrita que se usa pelos muros , paredes das vielas, WC’s , tablets, smartphones; a Língua da rua, do vandalismo, do nível dos que, nem a sabem falar, a nossa Língua; que optam por escrever o Português á sua maneira – com muitos erros, regras poucas, ou nenhumas, uma ortografia do fácil, oco, inconsistente, que não respeita as origens históricas do português e que mais parece uma mistura de Língua Mexicana, um pouco daqui, um pouco dali, tudo menos Português. Para ser sincero, a nova ortografia convida mesmo ao erro. Se as mudanças apoiaram formas de escrever considerados erros antigamente, então dão ao cidadão comum o direito de usar a ortografia que bem lhes apraz, seguindo regras que bem lhes convém e apraz, ” escolhendo a forma de escrever mais fácil, menos restritiva. Ora, se fossem usar o mesmo critério com as regras do tráfico, seríamos o Pais mais fora de controle do mundo.
Explique-me alguém, pois, o que realmente, se pode chamar aos estadistas que aprovaram lidar com a sua Língua como se cacos velhos se tratassem, os que se atreveram a formular um acordo da Língua como alvará para uma coligação, uma Liga comercial internacional, pondo á venda o que há de mais sagrado para o nosso povo, a Língua Portuguesa como ela é com suas regras e história. Com essa operação, induziram a Língua Portuguesa a uma transformação cosmética, um facelift que a está a desfigurar, a desestabilizar e de que maneira a forma de escrever e de nos comunicarmos pela escrita.
Por isso ficamos com regras com palavras como peptobismol, que passa a ser petobismol, adoptar, pode muito bem virar a adotar, contacto a contato, …. Eu sei, eu sei que para simplificar as regras, inventaram esses senhores excepções, (ou será exceções) nomeadamente de que algumas palavras devem ser escritas como pronunciadas. Ora se eu pronuncio tractor e alguém pronuncia trator , então como fica? Não estaremos ambos correctos (corretos)? Depois, já que errar humanus est , um sistema baseado no erro, de certo em pouco tempo dará os seus frutos, e nós todos seguindo as regras do contrato (contracto) mais peçonho da história da Língua Portuguesa, não duvido que com o tempo, passaremos a ter erros como, reptos passarem a retos, recto passar a reto, répteis passarem a reteis, captar, passar a catar e rapto passa a rato. Coisa ridícula, mesmo, mas com que as escolas já alinham e o povo todo, se julga obrigado, como nos tempos do Fascismo, a seguir esse novo sistema ilógico e altamente desconcertante.
Digam-me ainda, também, o que se pode chamar um povo que ignora, ou aprova chicanarias, os negócios sujos e interesses ulteriores das grandes companhias - o contrabando safado, descarado com a sua Língua Mãe?
Não nos esqueçamos que “Um povo apático, é um povo “marcado.” Isso porque, antes de um Holocausto ou de uma Inquisição, permitiram-se os inimigos do povo, primeiro arrogarem-se desmantelar os padrões desse mesmo povo. Assim nasceram os polgroms contra os Cristãos novos, e a a razão das fogueiras. Assim se destruíram tudo que era Judeu na Espanha, Portugal e Alemanha, quase como desporto, como uma brincadeira até. Na época de Hitler, foram as noites de Cristal, die Judische Kristal Naechter e a queima dos livros. Esse Acordo 90, também, muito a geito dos brandos costumes portugueses, suavemente, se introduziu entre nós, apoiado pelos grandes interesses, com as veladas intenções, e que até conseguiu uma adesão, que na Inglaterra, Espanha, França, Alemanha seria inconcebível, e que faz o povo? Adere, porque não sabendo escrever, tanto lhes faz,como se lhes deu; o que infelizmente confirma o que Lord Byron dizia sobre os Portugueses, quando visitou Portugal, marcando-nos como “um povo….. criado para servir, uma estirpe de escravos. ” algo que doi profundamente, mais ainda porque se trata de uma grande verdade.
Sim, que tipo de cidadão é o que não reage a um acordo, formulado sem o seu conhecimento, envolvimento e aceitação? Que se pode dizer d’um cidadão que não protege o que é seu, que aceita, adere, segue como os cardumes de peixe no mar, programas introduzido por políticos de caracter discutível; que facilmente se apelintra ás decisões desses tecnocratas, e dos seus interesses ambiciosos. Será isso por falta de coragem, de garra, de discrição cívica? Sim, como Portugueses, pecamos por seguir modas, ou seguir quem as segue, sem saber exactamente o que fazemos. Vamos nas ondas como os peixes, com memórias que se apagam a cada dois minutos, e seguimos porque parece ser a coisa melhor a fazer num oceano difícil de se contornar.
Pobre país que tal cidadãos abriga, que como os negociantes são os Judas de Portugal, são os que eternamente nos ligam ao jogos de impostores e intrujões das cinco quinas e que contribuem para um Portugal , que Cesária Évora denominava um País de caranguejos, para sempre dando um passo para a frente, e dois para o lado e para trás, daqueles que eternamente vivem de jogos falsos, gente de muito paleio, bem falantes, os melhores de um Portugal, para sempre sem eira nem beira.
Pergunto-me mesmo, será esse o verdadeiro significado das quinas da nossa bandeira? Somos nós um país apostado em negócios de tão grande envergadura que excedem os nossos meios e recursos? Fomos, somos um país de negociações, de empreendimentos megalomaníacos, de actividades, que frequentemente passam por não seguir as regras, que se desviam do que seria correcto, das normas e leis do nosso país. Somos conhecidos como corruptos, de negócios feitos num aparte, em sigilo, usando estatísticas falsas, não sendo coerentes e transparentes no que dizemos e fazemos. Pecamos pela falta de Amor ao que é nosso, de sentido de honra; desonestamente, camuflamos as nossas intenções; usamos de medidas que levam á confusão, á ilusão de que, o que propomos é o melhor dos melhores. Foi assim no tempo dos reis. Foi assim no tempo do Fascismo. É assim no nosso tempo… Que acontecer agora á Língua Portuguesa já que pertence não ao povo português, mas sim ao bloco de negócios Luso-Brasileiro-Angolano, Moçambicano, Guineense. Neste dia da Revolução dos Cravos, fica a pergunta, quando será na realidade o povo português deixará de ser controlado, posto de lado quando se tratam de decisões chave como essa do Acordo Ortográfico 90, que nunca foi realmente aprovado pelo povo. Num pais que se diz democrata, quando porão um fim ás medidas elaboradas por interesses ulteriores, dado a cabo, como nos tempos que já lá vão , sem o conhecimento e consentimento do povo? Quando, será que o povo, se tornará mais activo em proteger o que é seu, neste caso a Língua Portuguesa? Quando deixarão de honrar causas que deviam ser do Povo e não de interesses de homens de negócios? Quando deixarão deixar o povo de lado e negar-lhe do direito de escolha, como o já faziam no tempo do Fascismo? Não foi para isso, mesmo, que se deu a Revolução dos Cravos, para que o Povo deixasse de ser tratado como as crianças, que eram supostas serem vistas, mas proibidas de se entremeterem nos assuntos que “ não lhe diziam respeito?” .. Viva o Vinte e Cinco de Abril! Viva! Viva á Língua Portuguesa!
- Silvério Gabriel de Melo



