Recordando a passagem de Mário Soares por Rhode Island

 

Lia-se na edição de 30 de março de 1989

 

Mário Soares nos EUA

Para presidir à inau­guração do Monumento aos Descobrimentos Portu­gueses em Newport, RI, desloca-se aos EUA em junho o Presidente da Re­pública Portuguesa, que também visitará as instala­ções da PBA en Fall River.

O senador estadual John Correia, presidente Pro-Tempore do Senado de Rhode Island, foi recebido no Palácio de Belém pelo presidente Soares, a quem formulou o convite que foi aceite.

“As cerimónias de inauguração ficarão a assinalar o ponto alto de um projeto de dois anos de amizade entre o estado de Rhode Island e Portugal”, disse Peter Calvet de Ma­galhães, diretor executivo da Fundação Cultural Portuguesa, membro da Comissão do Monumento e coordenador do projeto.

Entre os elementos da comissão da construção do monumento figuravam o senador John Correia de East Providence; o juiz Anthony SanBento, de East Providence; juiz António Almeida de Cumberland.

“Quero-vos dizer que estou grato e feliz, por me encontrar aqui neste clube, nesta nossa casa portu­guesa”, Mário Soares no Clube Juventude Lusitana em maio de 1987

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa

 

Na edição de 28 de Maio de 1987, Portuguese Times dedicava um suplemento à visita de Mário Soares a Rhode Island, com grande destaque a sua histórica passagem pelo Clube Ju­ventude Lusitana de Cum­berland.

“O “salão de visitas” da comunidade portuguesa do estado de Rhode Island recebeu festivamente o Presidente da República Mário Soares, que sentiu a força de ser português em terras distantes, numa demonstração de patrio­tismo que sem desprimor para as restantes áreas execedeu tudo. O cordão humano que ladeava a rua que do “Town Hall” dá acesso ao Clube Juventude Lusitana, em conjunto com a multidão que aguardava ao cimo da rua, formaram um autênticio mar de gente, que se tornou dificil de controlar, pois todos que­riam ver de perto o Presi­dente de Portugal.

O Chefe de Estado era aguardado por uma mul­tidão calculada pelo serviço de segurança norte-ameri­cano em mais de 3 mil pessoas. Depois dos hinos dos dois países, executados pela banda do Clube Ju­ventude Lusitana Mário Soares descerrou uma lápide comemorativa da sua passagerm por aquela coletividade.

O colorido do rancho folclórico, a representação da escola portuguesa aliado à representação de associa­ções vizinhas da davam à receção um patriótico ar festivo.

Apresentaram saudações de boas vindas, o presidente do clube, João Ferreira, professor Amadeu Casa­nova Fernandes, que aproveitou a oportunidade para mencionar o desejo da banda do clube em poder visitar Portugal.

“Não se pode perder tempo” Disse o maestro João Soares de 60 anos de idade depois de ter abraçado o presidente Mário Soares que o convidou a visitá-lo no Palácio de Belém quando fosse a Portugal.

“Meus queridos rapazes e raparigas da escola do Clube Juventude Lusitana e todos aqueles que me quizeram trazer à vossa presença.

Quero-vos dizer que estou grato e feliz, por me encontrar aqui neste clube, nesta nossa casa portuguesa.

De facto para alguém que vem de fora, é enternecedor e comovente encontrar tanto portuguesismo, tanto patriortismo, entre os nossos compatriotas de Rhode Island”, disse Mário Soares, na visita à escola portuguesa do Clube Juventude Lusitana.

Podemos acrescentar que a banda do Clube Juventude Lusitana, acabaria por se deslocar a Portugal em 1993, tendo sido recebida no Palácio de Belém pelo presidente Mário Soares.

Era presidente da banda António Rodrigues e a deslocação teve o alto patrocinio da Câmara Municipal de Mangualde, presidida por Mário Videira Lopes, que facilitou instalações e alimentação para todos os elementos da banda.

 

Mário Soares deixou o seu nome gravado no Clube Juventude Lusitana  a 24 de junho de 1987

 

• Texto e fotos de Augusto Pessoa

 

Mário Soares, presidente da República Portuguesa, falecido a 7 de janeiro 2017, deixou o seu nome gravado no Clube Juventude Lusitana numa memorável visita em junho de 1987.

Deverá ser a única presença no associativismo nos EUA e possivelmente fora de Portugal, que imortaliza na fachada do edificio a passagem de Mário Soares na suas viagens pelo mundo português.

Foi a Lusitania Avenue que sai da Broad Street em frente ao Town Hall ao cimo da qual se ergue o Clube Juventude Lusitana, que recebeu Mário Soares no maior banho de multidão que se registou em toda a sua visita.

Mas... como aconteceu esta memorável visita?

O professor Amadeu Casanova Fernandes em toda a sua longa e frutifera epopeia do ensino do português, junto da escola do Clube Juventude Lusitana, nunca perdeu uma oportunidade de mostrar aos ilustres visitantes, aquele baluarte do ensino da língua portuguesa. Ao ter conhecimento da vinda do presidente Mário Soares a Rhode Island, não perdeu a oportunidade de um convite para visitar a escola portuguesa.

Sendo assim incutiu nos alunos a ideia de se enviar um convite ao Presidente da República, Mário Soares, para visitar a Escola Portuguesa.

A carta foi enviada pela via diplomática a 23 de Fevereiro de 1987.

 

Eis o que ficou registado da carta no livro comemorativo da visita.

 

.... é o Presidente da nação de nosso país e de muitos de nós.

.... dessa terra onde há tantas belezas e onde encontramos tanta gente boa.

.... somos 200 alunos... com os nossos pais fazemos 600... 700 sócios do clube e familias...fazemos uma multidão de mais de 2000 mil pessoas.

... logo nasceu em nós o desejo de o conhecermos.

... quando nós vamos de férias a Portugal voltamos sempre cheios de saudade.

 

Depois, o assunto transpareceu o Portuguese Times falou do convite...

Houve até que fazer diligências a fim de garantir aquilo que já era uma promessa. A crise governativa em Lisboa parecia ser contra nós...

Muitos não acreditavam...

Houve mesmo zelos de algumas partes! Mas a luz da esperança nunca morreu nas salas de aula do Juventude Lusitana!...

O sonho dos alunos e a ideia do seu professor tornou-se realidade!

Mas uma realidade só possivel mediante informações locais para Lisboa.

Por mais boa vontade que encerra-se o convite. Por mais significado que tivesse. Por mais vontade que houvesse de Mário Soares. Havia que ter a certeza da possivel recetividade. Uma recetividade nos milhares. Lisboa receava algumas manifestações contrárias.

O Palácio de Belém, só confirmou ao saber da existência de um grandioso sentimento de boas vindas.

A comunidade viria para a rua para aclamar a visita presidencial. Poderia haver focos esporádicos, mas sem qualquer significado.

A informação partiu de quem conhecia a comunidade. Que sabia o sentir da comunidade. E que tudo pode confirmar, quando viu um mar de gente a encher a Lusitania Avenue, para receber o Presidente da República Portuguesa.

 

Agradecimento após o regresso a Lisboa

Os adjuntos de Mário Soares, após o regresso a Lisboa, agradeceram profundamente as informações fornecidas, que culminiu numa estrondosa receção oferecida pela comunidade de Rhode Island ao presidente da República Portuguesa.

A forma ordeira do mar de gente que recebeu, acompanhou e aplaudiu Mário Soares, na sua subida triunfal em direção ao Clube Juventude Lusitana, foi de uma expressão de apoio e carinho, jamais registada. Mário Soares subiu ao coreto em frente ao campo de futebol e a seus pés era um mar de gente.

Obrigado pela informação.

 

Escola do Clube Juventude Lusitana subiu ao auditório e guardou um minuto de silêncio em memómia de Mário Soares

Se o professor Amadeu Casanova Fernandes, convidou através dos alunos Mário Soares a visitar a escola do Clube Juventude Lusitana. A atual diretora pedagógica Fernanda Silva, despediu-se daquela ilustre figura da politica portuguesa, com uma sessão sobre a vida de Mário Soares. Um minuto de silêncio concluiu os traballhos daquela lição onde o tema foi o falecido presidente da República Portuguesa.

Como se depreende a escola do Clube Juventude Lusitana sabe receber em vida e imortalizar na partida.

 

A morte de Mário Soares

na imprensa dos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, a morte do antigo presidente da República foi notícia, com o Wall Street Journal a considerar Mário Soares “figura fundamental na transição de Portugal da ditadura para a democracia” e o New York Times e o Washington Post a lembrarem como Soares “conduziu Portugal à democracia”.

O New York Times noticiou a morte de Mário Soares, enfatizando a sua luta contra “isolamento económico do seu país” e contra os “esforços para arrastar a revolução (do 25 de Abril) para um terreno anti-democrático”, a defesa da “independência das colónias portuguesa em África” e a “integração de Portugal na Comunidade Económica Europeia”. O jornal de New York, lido em todo o mundo, ensinou ainda os seus leitores a pronunciar corretamente o apelido do ex-líder do PS: “Pronuncia-se SWAH-esh”.

“Mário Soares, uma figura pivot na transição de Portugal da ditadura para a democracia, que como primeiro-ministro liderou o empobrecido país para a União Europeia, morreu com 92 anos”, escreveu o Wall Street Journal, sublinhando que “o socialista era largamente admirado pela sua tenacidade e pelo seu exuberante otimismo”. Para além de passar em revista as principais iniciativas políticas, como a adesão à União Europeia ou a concessão da independência às antigas colónias portuguesas, o jornal norte-americano recuperou ainda as críticas “às políticas de austeridade na zona euro, lideradas pela Alemanha”.

O Washington Post publicou uma peça da Associated Press assinada por Barry Haton, chefe da delegação portuguesa, onde se recorda o papel do estadista do fundador do PS. “O papel de estadista de Soares solidificou-se através do seu trabalho com a Internacional Socialista (IS). Como vice-presidente desde 1976, liderou missões diplomáticas que pretenderam ajudar a resolver diversos conflitos no Médio Oriente e na América Latina e Central. Soares estava em visita à Palestina para falar com Yasser Arafat em Gaza quando o então primeiro-ministro israelita Yitzahk Rabin foi assassinado em Tel Avi em 1995. Arafat e Rabin eram amigos de longa data de Soares”.

Quanto às principais agências internacionais de notícias, a Reuters salientou que Soares teve “um papel central” na transição para a democracia e a Bloomberg recorda uma citação do antigo Presidente ao dizer que “a troika não nos dá nada, traz empréstimos com juros muito altos”.

Por sua vez, a Associated Press escreveu que Mário Soares Soares “ajudou a conduzir o seu país em direção à democracia” e tornou-se “um estadista global através do seu trabalho com o movimento Internacional Socialista”.

Já agência económica Bloomberg noticiou a morte de Mário Soares num texto que tem como título “Mário Soares, que ajudou a fundar a democracia portuguesa, morre aos 92 anos”. A agência publicou, ainda, dois outros artigos em que destaca o facto de Soares ter sido o primeiro líder de Governo eleito democraticamente após o 25 de Abril. Soares era um infatigável animal político, sempre com entusiasmo apertando as mãos, sorrindo e se envolvendo com estranhos, mesmo quando ele não estava fazendo campanha. Ele era conhecido em Portugal como “semper em pé”, ou sempre de pé, depois do brinquedo que salta sempre que é derrubado. “Há vitórias e derrotas na política”, disse ele em 1986, “e o que é necessário é manter suas convicções, para continuar lutando”.