Eleições intercalares a 4 de novembro

Massachusetts vai ter governador ou governadora?

No próximo dia 4 de novembro temos eleições gerais nos EUA e a nível de Massachusetts temos elei­ções para o Senado e Câ­mara dos Representantes, governador, vice-gover­nador, secretário estadual, tesoureiro, auditor, Con­selho do Governador, Assembleia Legislativa e vários cargos municipais.

A nível federal as aten­ções concentram-se no Senado de maioria demo­crata apenas por seis luga­res. Presentemente, há 53 senadores democratas, 45 republicanos e dois inde­pendentes, que alinham com os democratas, que esperam manter a maioria nos dois últimos anos do segundo e último mandato do presidente Barack Obama. Mas os republi­canos querem conseguir a maioria conquistando al­guns dos 36 lugares em disputa este ano e uma das tentativas é Scott Brown, antigo senador por Massa­chusetts e agora a concor­rer por New Hampshire. Se os democratas perderem o Senado será um desastre político para Obama, que ficará incapaz de levar por diante as reformas que defende.

Na Câmara dos Repre­sen­tantes (435 lugares), 224 são republicanos e 183 democratas. Segundo os analistas, 399 lugares são considerados sólidos, mas os restantes são vulneráveis e poderá haver mudanças, mas não na delegação de Massachusetts, totalmente democrata.

Como o governador Deval Patrick deixa o cargo, Massachusetts vai ter novo governador, mas resta saber se não será governadora.

A escolha será entre de­mo­crata Martha Coakley, que tem trabalhado para reconstruir a sua reputação depois do seu dramático colapso de 2010 frente a Brown na eleição para pre­en­cher a vaga de Edward Kennedy, e o republicano Charlie Baker, que já concorreu em 2010 contra Patrick e perdeu.

Mais de metade dos candidatos à Assembléia Legislativa do Estado de Massachusetts não têm oposição. Dos 160 deputa­dos, apenas 71 têm opo­nen­te. No Senado, 20 dos 40 lugares também não são contestados.

No total, 91 democratas e 18 republicanos estão sem oposição, mas não é o caso dos dois únicos senadores estaduais luso-descendentes, ambos de­mo­cratas e que  e de­fron­tam os oponentes republi­canos que já tiveram em 2010: Michael J. Rodri­gues, de Westport, tem como oponente Dereck Masky, de Lakeville e Marc R. Pacheco, de Taunton, volta a enfrentar Dave Rosa, de Dighton.

O republicano Vinny DeMacedo, de Plymouth, até aqui deputado, é can­didato ao Senado e não tem oposição.

 

Quanto aos deputados, não têm oposição os demo­cratas António F.D. Cabral, de New Bedford, e Allan Silva, de Fall River, e o republicano David Vieira, de Falmouth. John Fernan­des, de Milford, tem como oponente Mark Reil, mem­bro do conselho municipal.

 

Concorrem à Câmara, Eric Esteves, de Boston (7º Distrito de Suffolk); Ro­nald Cabral, de Fall River (6º Distrito de Bristol) e José Pacheco, de Raynhan (8º Distrito de Plymouth).

 

Eleições 2014

Perguntas e respostas que lhe interessam

Para além das eleições para escolha de candidatos, os eleitores de Massa­chu­setts que forem no próximo dia 4 às urnas deverão responder a um referendo com quatro perguntas. A Pergunta 1 determinará se Massachusetts revoga uma lei sobre o aumento da ga­so­lina, a Pergunta 2 deci­dirá se o governo amplia o depósito sobre as garrafas, a Pergunta 3 é sobre a proibição de casi­nos e a Pergunta 4 sobre se todos os empregadores em Mas­sa­chusetts vão ser obri­ga­dos a dar aos emprega­dos tempo de doença e licença médica. Convém saber se deve responder sim ou não.

A Pergunta 1 é sobre o aumento de 24 cêntimos por galão no imposto sobre a gasolina e ainda o ano passado os condutores sofreram um aumento de 3 cêntimos por galão.

A AAA Southern New England opõe-se ao au­men­to, mas as companhias de seguros, empresas de construção e outros interes­ses comerciais pretendem o aumento (reparações nas estradas representam con­tra­tos) e por isso finan­cia­ram um relatório divulgado pela empresa de pesquisa TRIP, de Washington DC, segundo o qual um quinto das principais estradas e rodovias de Massachusetts são deficientes e as más condições representam 8,3 biliões de dólares em custos adicionais para os motoristas. A TRIP consta­tou ainda que as estradas ruins contribuíram para mais reparações e depre­ciação mais rápida dos veículos e maior consumo de gasolina.

Mas na prática muitos condutores estão contra mais aumentos, entre im­pos­tos estaduais e federais, já pagam para o governo $6.73 por 15 litros de gasolina

A Pergunta 2 é sobre acabar o depósito para as garrafas e é financiado em grande parte por cadeias de supermercados, que têm de lidar com o vasilhame de­volvido pelos consumi­do­res para receber o depósito e pela American Beverage Association, um lobby das empresas de refrigerantes com sede em Washington. Os defensores das causas ambientais, incluindo gru­pos como o Sierra Club, querem a continuação do depósito para evitar lixo.

A Pergunta 3 é sobre a revogação da lei aprovada em referendo em 2011 sobre a abertura de casinos em Massachusetts. Há vários grupos tentando convencer os eleitores a votarem contra a revogação e são financiados pela indústria do jogo.  Abertura de casinos em Massachu­setts significa criação de alguns postos de trabalho e existindo casinos local­men­te os apostadores gas­tam o seu dinheiro em casa e deixam de o gastar em Con­necticut ou Atlantic City.

A Pergunta 4 é sobre uma questão de saúde pública, dar às pessoas algum tempo para cuidarem de si próprias ou dos familiares. Os eleitores têm que decidir se Massachusetts deve aprovar uma lei que permitirá que o trabalhador ganhe uma hora de tempo de doença por cada 30 horas de trabalho até 40 horas por ano. Grupos em­pre­sariais como a Asso­ciação do Comércio Reta­lhista de Massachu­setts, com mais de 8.000 mem­bros, opõem-se à medida defendendo que as empre­sas devem ter a liberdade para definir a política como bem entenderem.

Uma coligação recolheu mais de 350.000 assinatu­ras, das quais 7.7228 só em Fall River, numa petição para obrigar o governo a colocar a questão no bole­tim de voto.

Aos eleitores será per­gun­tado se os emprega­dores serão obrigados por lei a fornecer tempo de doença paga aos empre­gados.

Quase um milhão de trabalhadores que não têm quaisquer benefícios pode­rão usar o tempo de doença com eles próprios ou para cuidar de familiares ime­diatos.

Milhares de trabalhado­res em Massachusetts são forçados a escolher entre ir trabalhar doentes ou perder um dia de salário - ou pior, o emprego. Alguns são mes­mo obrigados a enviar os filhos doentes para a es­cola para salvar o trabalho.

A pergunta do referendo, se aprovada, vai exigir todas as empresas com 11 ou mais empregados dêem ao pessoal uma hora de tempo por doença paga em cada 30 horas de trabalho até 40 horas por ano.

Se aprovada, a lei entrará em vigor em julho de 2015.

 

 

Novas máquinas de voto em New Bedford

Nas eleições do próximo dia 4 de novembro, os eleitores de New Bedford usarão novas máquinas auto­máticas de voto. Se­gunda Maria Tomásia, comissária eleitoral, a cidade há muito que pre­cisava de novo equipa­men­to de voto, pois as antigas máquinas estavam ao serviço há 17 anos e já nem sequer se fabricavam, não havenda peças sobres­selentes. As cabinas de votação também já tinham dezenas de anos e houve que substituir tudo isso.

As novas máquinas de contagem de votos, DS-200, são “as mais novas, a tecnologia mais moderna”, esclareceu Maria Tomásia.

A cidade paga $240.000 por 42 máquinas de vota­ção, uma para cada uma das 36 assembleias de voto e seis de reserva. Cada assembleia de voto terá de 3 a 5 cabinas de votação e que custaram $144.000.

A cidade também rece­beu novos sacos para transportar as máquinas de voto e que são semelhante aos sacos utilizados nos bancos para o transporte de dinheiro. Os sacos antigos já estavam ao serviço há 100 anos.

 

Devido às novas máqui­nas, os boletins de voto são diferentes, em vez de de­senhar uma linha para indicar o voto num candi­dato, os eleitores vão agora preencher uma bolha, mas Maria Tomásia disse que não espera confusões com o novo método.