Festa de Nossa Senhora de Fátima em Ludlow

 

Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Ludlow recebeu milhares de pessoas em preparação para o centenário das aparições em Fátima em 2017

 

O Santuário de Nossa Se­nhora de Fátima em Lud­low voltou a ser o ponto de encontro de milhares de pessoas que ali se deslo­cam, no considerado o maior santuário de Fátima nas comunidades lusas dos EUA.

As aparições de Nossa Senhora em 2017 foram relembradas por D. Edgar Moreira da Cunha, bispo de Fall River, que presidiu às celebrações e que foi eloquente nas palavras dirigidas à multidão, pre­sente na solene eucaristia.

Por sua vez, o padre Victor Oliveira, pároco da paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Ludlow, coordenador das solenes cerimónias religiosas, esteve uma vez mais à altura das responsa­bi­lidades e já começou a levantar o véu das cele­brações dos 100 anos das aparições de Nossa Se­nhora aos três pastorinhos, que por certo vão levar a Ludlow um aumento de peregrinos aos já milhares que ali se deslocam anualmente.

Contrariamente a 2014, que choveu torrencial­mente, o sol era resplan­decente e quente empres­tando o seu brilho ao êxito de mais uma edição daquela peregrinação que entrou na obrigatoriedade dos devotos de Maria.

As festas em honra de Nossa Senhora de Fátima em Ludlow são únicas, com aquela amplitude em ter­mos de adoração à Virgem.

Recentemente Fall River foi palco das Grandes Festas do Espírito Santo da Nova Inglaterra, onde um autêntico mar de gente também adere àquelas manifestações sócio-culturais.

Mas o envolvimento do Santuário em Lowell é diferente e mais acolhedor, para aquele tipo de mani­festação.

Com as duas com­po­nentes, religioso e popu­lar, as festas de Nossa Senhora de Fátima, são únicas.   

O santuário de Nossa Se­nhora de Fátima em Lud­low pode considerar-se a ima­gem mais fidedigna da Cova da Iria na diáspora.

São milhares de pessoas que anualmente ali conver­gem, um número que tende a crescer.

A comunidade de Lud­low não sendo muito numerosa, tal como nos dizia o pro­prietário do restaurante Tony & Penny: “Os portu­gueses aqui são muito concretizadores. Há cida­des com larga percentagem de portugueses e que não dispõem de tantas inicia­tivas comunitárias, como temos por aqui. Merce­a­rias, pastelarias, charcuta­rias, restaurantes, lojas de bebidas. E todas elas redo­bram o negócio de venda nos dias de festas. O sábado de manhã é dedicado às compras. E vai de encher os carros com o chouriço e outros produtos famosos de Ludlow”, disse o proprietá­rio daquele restaurante, que elogiou João Salema, em­pre­sário de Dunkin Donuts, dizendo que “tem sido um grande apoiante das festas e da igreja de Nossa Se­nhora de Fátima”.

Entramos na Ludlow Central Bakery e olhando as prateleiras fácil foi de concluir que estava tudo praticamente esgotado.

Este ano optamos por reservar pão espanhol, que conheciamos das frequentes idas à Espanha (estavamos perto da fronteira) e que sabiamos que ali se confecionava.

A encomenda estava à espera e deixem que vos diga que o formato e o gosto era muito próximo. Ao lado um mini-mercado, tinha a chouriça, a farinheira, a alheira, o presunto e dada a fama daqueles produtos ali por aquela cidade nortenha, dentro de poucas horas, tudo estaria esgotado.

Como se depreende, o comércio de Ludlow recebe uma lufada de ar reconfortante no campo financeiro, durante o fim de semana das festas de Nossa Senhora de Fátima.

São excursões organiza­das pelas associações da Nova Inglaterra que ali conver­gem, principalmente no domingo das festas, para tomar parte na majestosa procissão que transforma todo o espaço do santuário e as ruas circunvizinhas, num autêntico mar de gente. Só da União Portuguesa Beneficente de Pawtucket, foi um autocarros cheio de crentes, que não perderam a oportunidade de tomar parte nesta peregrinação de fé e devoção.

O ano passado foram dois, mas como nos dizia Maria Rainho: “quanto maior a nau, maior a tormenta” e dois autocarros é muito trabalho, que nós damos comida todo o dia”, concluiu Maria Rainho que dizia sobre as festas: “São maravilhosas. Aqui vive-se a pura devoção a Nossa Senhora. Nunca vi igual em termos de adesão de crentes. A procissão de velas é uma experiência de toda a gente devia ver”, concluiu Maria Rainho.

Já havido escurecido quando nos encontramos com Jorge Pacheco. “É com redobrado gosto e devoção que aqui venho anualmente. Vive-se aqui o ambiente familiar e o sentido religioso das celebrações de Fátima. Sempre que possivel cá estarei”, concluiu Jorge Pacheco, uma opinião que por certo se divide por milhares de pessoas, que anualmente se deslocam a Lowell, na grande peregrinação mariana.

A noite envolveu o santuário. Aos poucos a chama das velas da esperança foi-se recortando no crepúsculo do fim de tarde e inicio da noite.

As concertinas e os bombos dos ranchos calaram-se. A música deixou de se ouvir, O momento era de recolhimento aos pés da Virgem. “Em nome do pai, do filho e do Espírito Santo”, ouviu-se da voz do bispo de Fall River D. Edgar Moreira da Cunha, seguido pela multidão de olhos postos na imagem.

Entrou-se na parte religiosa por excelência das festas de Nossa Senhora de Fátima, onde o ponto alto é a majestosa procissão.

Foi lindo. Foi signicativo. Foi deslumbrante.

A imagem recolheu passando entre um mar de gente para o altar na ermida ao cimo da elavação. O adeus à Virgem, não foi com lenços, mas com as velas erguidas ao céu em louvor à Virgem.

Após o final da parte religiosa, de apoio ao espírito, entrou-se na popular de apoio ao corpo. Cantou-se, dançou-se, enfim deu-se larga à alegria com Roberto Leal.

Velhas interpretações com nova roupagem a levar milhares ao delírio.

Mas como tinhamos hora e meia de estrada, vai de dar corda aos sapatos que a segunda-feira era feriado, mas não para nós.

Podiam ver-se pelas chapas de matrículas dos carros, os que vêm dos estados de Connecticut, New Jersey, Pennsylvania, New York, Flórida, numa romagem que já faz parte do calendário comunitário.

Mas as 30 mil pessoas registaram-se num só dia, com os restantes dias dos festejos a movimentar número idêntico ou superior.

O santuário mariano de Ludlow bem se pode considerar a Meca dos portugueses devotos da Virgem Maria.

O crente ou mesmo o que vai pela curiosidade de ver como é, para contar, como foi, depara com uma igreja moderna, que convida a entrar.

Um conjunto de sete naves sendo a central a maior de acesso à porta principal do templo, são encimadas pela torre sineira, cujo toque convida ao retiro e oração. O altar tem por fundo a imagem do Pai irradiando luz com figuras de anjos povoando o espaço azul. Mais abaixo uma réplica da última ceia. Ladeiam todo este conjunto de grande beleza e imaginação uma imagem da aparição da Virgem Maria e do lado contrário um conjunto de raios apanhados nas mãos por dois anjos num simbolismo do Espírito Santo. O resguardo entre o coro e a parte de baixo da igreja é mais uma obra de arte de apurado artista. O azulejo prolifera  e recria a basílica de Fátima ladeada pela irmã Lucia e Jacinta. Francisco é relembrado numa foto ao lado do coro, sem, esquecer o papa João XXIII.

Mas há mais. O santuário em sucalcos mostra na base o formato de uma cruz no chão em cimento, que gradualmente vai enchendo com o copo de vidro onde arde a chama da esperança da vida do crente a quem a saúde tem sido adversa. Em frente e já na direção da capela um brilhante conjunto escultório, mostra os três pastorinhos em adoração à Virgem Mãe. Os crentes têm local para se ajoelharem e oferecer as suas orações à padroeira da igreja portuguesa de Ludlow. Um pouco sobre a direita está o fontenário de Santo António e onde uma vez mais está patente a arte do ajulejo.

No topo está a capelinha onde anualmente é celebrada a missa campal. Mas uma missa campal que reúne 30 mil pessoas. Uma multidão que faz do santuário de Nossa Senhora de Fátima em Ludlow, a réplica mais fidedgna da Cova da Iria em 13 de Maio.

Não será por acaso que a União Portuguesa Beneficente de Pawtucket, o Cranston Portuguese Club, a Irmandade do Bom Jesus de Rabo de Peixe, ali levam anualmente dois e três autocarros.

Aqui temos mais uma réplica da Cova da Iria, onde as pessoas se fazem acompanhar de farnéis, quando ali vão em peregrinação nos dias 12 e 13 de Maio e cada ano.

Mas já que falamos em farnéis, estes são motivo de reunião familiar pelos relvados do santuário em Ludlow. Há mesmo quem levante pequenas tendas, que dão para proteger do sol ou mesmo de algum chuvisco, sob a qual é estendido o farnel de onde todos comem.