10.º Convívio Amigos de Santo Espírito

“Por toda a cidade de Boston, pelo estado de Massachusetts e mesmo pela América do Norte, há grandes obras que  atestam o valor empresarial da família Frias”

— José Velez Caroço, cônsul de Portugal em Boston

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa

O 10.º Convívio dos Ami­gos de Santo Espírito, freguesia da ilha de Santa Maria, teve lugar no salão nobre do Hudson Portu­guese Club, uma das mais conceituadas presenças lusas nos EUA.

Um convívio que primou pela organização, pelo desenrolar do cerimonial e pelo conteúdo, e em que se distinguiram nomes sonan­tes que já partiram e que deixaram saudades eternas, com o tributo póstumo a José Figueiredo e Dinis Frias, e a nomes bem patentes e de primordial importância, como o são os homenageados do ano, os irmãos José e António Frias, das mais ilustres figuras comunitárias, quer sob o ponto de vista social, quer sob o empresarial e este a nível nacional.

No início da cerimónia foi realizado o tributo de homenagem póstuma aos saudosos José Figueiredo e Dinis Frias.

“Temos agora um mo­mento alto deste convívio. Vamos recordar duas gran­des figuras que o Senhor levou para o além, muito pre­ma­turamente. Estou a referir-me a José Figuei­redo, que foi o mentor e fundador deste convívio e Dinis Frias, que foi mem­bro ativo desta organiza­ção”, começou por dizer António Chaves, que foi mestre de cerimónias.

“Este convívio foi reali­zado em sua honra. Apro­veitamos ainda a oportuni­dade, para recordar Gilber­to Frias”, prosseguiu Antó­nio Chaves, tendo chama­do, Juvenália Figuei­re­do, esposa de José Figueiredo e Teresa Frias, irmã de Dennis Frias, para recebe­ram da mão de Diane Cha­ves uma placa que atesta a dedicação àquelas grandes figuras comunitá­rias.

Muito curiosa foi a pre­sença em palco de um simpático grupo de jovens, algumas ex-alunas de Dinis Frias que dançaram em sua honra, como ele gostava que se dançasse.

Após as cerimónias de homenagens a título póstu­mo, Diane Chaves fez entrega de três bolsas de estudo, de cujas contem­pladas foram: Jeanne DeBraga, Ashanti Freitas e Natalie Monteiro (recebeu o avô).

A importância deste 10.º convívio dos Amigos de Santo Espírito não passou despercebido ao cônsul geral de Portugal em Bos­ton, José Velez Caroço, que honrou com a sua presença as homenagens e distin­ções.

“É sempre com imenso prazer que venho ao Clube Português de Hudson, do­ta­do de excelentes e magní­ficas instalações. Hoje é particularmente bonito, cons­ta­tar a sala cheia com tantas gerações, para cele­brar o 10.º aniversário dos Amigos de Santo Espírito e ao mesmo tempo proce­der a uma justa homena­gem póstuma ao dr. José Figueiredo e Dennis Frias. E direi hoje também para homenagear não só o co­men­dador António Frias, seu irmão José Frias, assim como toda a família, nas suas diferentes gerações. Desde a mãe aos trisnetos”, começou por dizer o cônsul de Portugal em Boston, salientando as potencia­lidade empresariais da família Frias.

“Quando cheguei ao consulado em Boston, fui informado que um arranha-céus a construir na área, o cimento utlizado era prove­niente da S&F da família Frias. Este prédio foi con­cluído, mas um pouco mais abaixo, outro prédio está em construção. Por toda a cidade de Boston, pelo estado de Massachusetts e mesmo pela América do Norte há grandes obras que atestam o valor empresarial da família Frias”, continua José Velez Caroço, subli­nhando em seguida a ação social da família Frias.

“Mas hoje o que reúne toda esta gente é para além do conhecido e reconhe­cido sucesso são as ações e a obra de solidariedade que a família Frias tem desen­volvido ao longo dos anos e que este clube em si é um grande exemplo. Ao reco­nhecer isso, essa marca de solidariedade de ajuda e sobretudo de ter atingido o grandioso êxito conseguido nesta terra de oportuni­dades, mas sem perder o apego à nossa terra e às nossas raízes, é apanágio de toda a diáspora. Temos aqui gente não só dos Estados Unidos como do Canadá e o exemplo que a família Frias constitui, queria também através deles realçar todo o sucesso dos nossos compatriotas portugueses e luso-ameri­canos”, salientou o cônsul.

“Sendo assim, no conví­vio de Santo Espírito homenageando a família Frias, queria homenagear todos e cada um dos pre­sen­tes, por tudo quanto têm feito pelo nosso país e pelo grande sentimento de portugalidade”, disse José Velez Caroço, cônsul geral de Portugal em Boston.

 

Na apresentação aos homenageados, o mestre de cerimónias, António Chaves, começou por referir as origens destes dois empresários: António e José Frias nasceram no lugar da Calheta, na freguesia de Santo Espírito. “Não são necessárias grandes apresentações. A sua obra empresarial é conhecida a nível local, nacional e internacional. Têm recebido diversas distinções e as suas obras são visíveis nos arranha-céus de Boston, Providence e muitas outras vilas e cidades do país. Mas não são essas obras que queremos aqui distinguir, queremos prestar homenagem a António e José Frias pelo seu humanismo, pelo seu sentido comunitário, pelo seu empenho em afirmar e levantar bem alto as suas raízes a sua cultura e a defesa do seu património e património dos seus conterranêos”.

“Minha mãe, oriunda de São Miguel”, recordou António Dias Chaves, “quando foi colocada em Santa Maria foi viver para casa da já numerosa família Frias. Grande parte dos marienses, ao chegar a estas paragens, a tábua de socorro eram os irmãos Frias. Têm ao longo dos anos participado ativamente, dando o seu contributo para o engrandecimento das nossas organizações e da nossa comunidade. Quando se fundou o Império Mariense de Hudson, António Frias, foi o primeiro imperador e seria António Frias Jr e a irmã Lizette Frias os primeiros a coroar”.

“Levaria horas para prestar justiça aos seus feitos. As paredes deste salão são testemunho da sua generosidade. Não é por acaso que esta sala, tem por nome de batismo - sala António e José Frias. Diz o ditado, que ‘ninguém é profeta na sua terra’. Pois António e José Frias contrariam o ditado. E hoje são alvos desta homenagem, que só peca por ser tardia”, disse António Chaves.

 

Após terem sido entregues as placas e diplomas de reconhecimento pelas entidades estaduais, António Frias usou da palavra e em tom de brincadeira retificou o lugar de nascimento.

Após o momento para dispor bem, iniciou-se pelos agradecimentos. “Quero agradecer a presença de todos quantos aqui se encontram nesta sala. rincipalmente ao grupo de cantares tradicionais Os Cagarros que vieram diretamente do Canadá, assim como ao meu grande amigo Manuel Freitas. De mais perto, tenho de referir a presença de José Manuel Lordelo, que não obstante viver afastado de Hudson, trabalhou muito aqui na construção deste clube, chegando a pagar a mais elementos para trabalhar”.

“Fiz 59 anos na passada quinta feira que cheguei à “terra da América”. Cheguei a Hudson pelas 6:00 da manhã e pelas 7:30 já estava no Broad Street, juntamente com o meu pai a fazer sapatos. Foi a minha escola a seguir à ‘universidade da Calheta’. Esta terra não é perfeita, mas é o melhor lugar no mundo para se viver. É aqui que a gente trabalha. É aqui que a gente consegue dar educação aos nossos filhos. Isto é uma terra, onde quanto mais se trabalha, mais sorte se tem” referiu António Frias.

“Todos nós aqui reunidos devemos dar graças a Deus do privilégio de aqui viver. Esta terra dá oportunidades que não se encontram em lugar nenhum. Quando me criei na ilha de Santa Maria, só dois ou três é que foram estudar para a universidade. Aqui todos têm filhos doutores, professores, advogados, engenheiros. Quer isto dizer que tivemos oportunidades. Nunca desanimar. Trabalhar e ir para a frente” disse António Frias, que falou entre a sua gente e para a sua gente. António Frias que já o vimos falar ao receber grandes distinções a nível nacional. Que já o vimos falar perante presidentes da república e deles receber condecorações. E também já o vimos sentado a uma mesa a ouvir cantoria ao desafio. É isto António Frias, a quem a posição alcançada nunca o levou a esquecer as origens.

José Frias seguiu-se ao irmão que “se ele já disse tudo nada mais resta dizer. A não ser que nunca me passou pela ideia que houvesse tanto mariense na América”, recordando que “recentemente estive em Santa Maria. Levei um amigo americano que notou muita casa vazia e perguntou-me o porquê e eu não sabia a resposta, mas agora já sei ‘Se todos vieram para a América, as casas tinham de ficar vazias’”.

Os irmãos Frias, de reconhecido êxito empresarial e alvo das mais diversas distinções e condecorações, e que foram os convidados de honra e homenageados, pela sua ação não só empresarial como social, tendo nesta última faceta, como coroa de glória, o Hudson Portuguese Club que se ergue imponente no mundo comunitário dos EUA. 

“Este convívio”, segundo António Dias Chaves, “mais do que um encontro e reencontro de amigos é o símbolo da aproximação de espirituenses que, embora dispersos, estão unidos pela amizade”.

“Traduzo este convívio com três estrofes do padre Serafim Chaves, numa mensagem aos radicados fora de Santa Maria. ‘Connosco hoje recordais possuídos de emoção a terra dos vossos pais, que vos prende o coração. A beleza da paisagem, a aldeia, a igreijinha, o lar, a escola, o mar, são imagens que ninguém pode olvidar. O recordar é viver. Neste ambiente e nesta hora, juntos irmãos com prazer, viveis os tempos de outrora’, assim o disse o padre Serafim Chaves”, prossegue António Chaves, mestre de cerimónias do convívio que reuniu marienses de Cambridge, Ontário, Canadá e das comunidades mais próximas de Rhode Island e Massachusetts: East Providence, Cambridge, Somerville, Bridgewater e Taunton. Vieram ainda marienses da Flórida.

Uma presença de cerca de 600 pessoas, que traduz o esforço, dedicacão, preservação de uma herança, de uma língua, de uma identidade, fruto de gente que sente nas veias o sangue da portugalidade, independente da sua terra de origem, que neste caso específico dá pelo nome de Santa Maria, freguesia de Santo Espirito e que uma ativa comissão conseguiu reunir e que aqui se imortaliza: Noémia Braga, Tracy Braga, Aura Cabral, Maria e António Câmara, Diane Chaves, Elvira Chaves, Eva Chaves, José F. Figueiredo, Juvenália Figueiredo, Maria Leandres, Elvira Pavão e António Santos.

Ao nível de presenças políticas de destacar a deputada estadual Kate Hogan, que tem mantido as melhores relações com a comunidade de Hudson, através do empresário António Frias. “Estou encantada por me encontrar no seio da ativa comunidade de Hudson. Ativa, concretizadora, orgulhosa das suas origens, sem esquecer a grande nação que lhes abriu os braços”, disse Kate Hogan.

Os agrupamentos de cantares regionais servem, também, para reviver, através da letra e música das interpretações, as origens. E foi o que fez o Grupo de Nossa Senhora das Candeias, constituído por marienses radicados em Hudson e o grupo “Os Cagarros” vindos do Canadá, que transportaram os presentes às origens, através da música e grupo de vozes, que transmitiram aos presentes a alegria de estar entre a sua gente.