Convívio de naturais da ilha de Santa Maria

“É impressionante a ligação que todos estes bons marienses mantêm à ilha”

Carlos Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto. 

 

 

Entre saudações e o reviver das origens, os visitantes de Santa Maria e os visitados, radicados por estas paragens, criaram um clima de grande convivio, onde o folclore ajudou a estreitar os laços de ligação à origem.

Falámos com Carlos Rodrigues, presidente da câmara municipal de Vila do Porto, ilha de Santa Maria.

Sendo já uma presença habitual nestes convívios Carlos Rodrigues, não tem palavras para exprimir a forma como as comitivas são recebidas pela comuni­dade mariense aqui radi­cada.

“A forma excecional como os naturais de Santa Maria, recebem as comi­tivas procedentes das origens, de visita aos EUA, já não é novidade para mim, dado ter sentido este calor de boas vindas mais do que uma vez, e este ano foi mais uma confir­mação de como os marienses sabem rece­ber.

É, sim, uma nova expe­riência para este rancho folcórico da Almagreira que por certo vai sentir, aquilo que eu venho sentin­do ao longo dos anos, e que é a hospita­lidade dos mari­en­ses aqui radicados.

Para mim é mais um momento de satisfação que vivo com estes entusiastas de Santa Maria aqui radicados, e aos quais já se vêm juntando naturais de outras ilhas, contagiados com toda esta magia mariense”, começou por dizer Carlos Rodrigues, que tem presidido ao convivio mariense ao longo dos anos, que vai mais longe:

 “ É impossivel, nós lá, termos condições para retribuir o que os marienses aqui radicados, fazem por nós, quando cá vimos”.

O presidente do muni­cípio de Vila do Porto, sublinha o ponto que está na razão destes encontros:

“ É impressionante a ligação que todos estes bons marienses, mantêm à ilha”, prossegue Carlos Rodri­gues, presidente de um município que abre as portas aos marienses aqui radicados quando no verão vão de férias a Santa Maria.

“ No primeiro sábado de agosto de 2016, fazemos em Santa Maria o 4.º Encontro dos Imigrantes. O ano passado tivemos uma adesão de mais de 300 pessoas. Este ano o encontro vai ter lugar na freguesia de Santa Bárbara, coincidente com a festa da padroeira. Nós, Câmara Municipal, vamos criar as condições logisticas para que o encontro seja mais um grandioso êxito”.

Segundo Carlos Rodri­gues, o encontro em Santa Maria acaba por ter a mesma finalidade dos convivios aqui realizados.

“Não é mais do que o reencontro de pessoas que já não se viam há quarenta anos e mais. Andaram na escola juntos. Eram da mesma freguesia. Mas um foi para o Canadá e outro foi para a América. E são estes encontros que vão ter o condão de os unir”, concluíu  Carlos Rodrigues, dirigindo-se aos cerca de 400 presentes, na sua maioria marienses, que não perderam a oportunidade deste encontro anual, entre Temos o XIII Santa Maria Blues a 14,15, 16 de julho de 2016, nos Anjos.

Além destes grandes cartazes, temos as festas das freguesias, de não menos importância.

Não podemos esquecer que já temos quem se desloque a Santa Maria, para ali viver o carnaval.

A câmara cria as condições logisticas e apoia financeiramente, tendo em conta o retorno que estas festas originam para a ilha.

Se bem que fora um pouco do contexto, durante a época baixa, o desporto tem muita importância na movimentação da ilha. Temos uma equipa de andebol na  2.ª divisão nacional e que de quinze em quinze dias recebe equipas do continente”.

 

O que se tem feito no sistema de infraestruturas

 

“Eu costumo dizer aos radicados fora da ilha de Santa Maria, que na sua maioria, ficam nas baías saboreando as suas casas de verão. E muitas vezes vêm à vila, só por necessidade.

Durante o período de férias, acabam por nem sequer conhecer, algumas coisas que ali existem.

Como sejam, a Biblioteca Municipal, Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo. Vamos arrancar com o segundo polo do Museu de Santo Espírito na ilha do Porto. Vai ser recuperada a antiga torre de controle do aeroporto. O aeroporto vai criar um núcleo musiológico, muito interessante. Temos o Mercado Municipal, completamente novo e que muito pouca gente conhece. Considerado dos melhores nos Açores. Temos além de tudo isto, muita vida cultural. Temos bons artistas musicais. Temos o grupo Ronda da Madrugada, com onze concertos este ano pelo  verão. Em Marrocos, na Itália, norte de Portugal, Montalegre, Penafiel. Temos aqui no grupo, o professor Daniel Gonçalves, com vários livros publicados, já com os prémios Manuel Alegre e Bocage.

Temos o fotógrafo Pepe Brix que tem apresentado os mais deslumbrantes trabalhos. Trago na bagagem a intenção de trazer ao Museu da Baleia em New Bedford a exposição sobre a pesca do bacalhau. Pepe Brix, esteve embarcado num bacalhoeiro quatro meses, na Terra Nova e fez uma exposição fabulosa. Está em Santa Maria uma exposição sobre uma aventura/expedição, de mota, Lisboa-Pequim. E já esteve patente uma outra sobre a India.

Santa Maria é uma ilha com 5.500 habitantes, mas com uma grande atividade”.

 

Uma mensagem antes de regressar

 

“Aqui gosto de deixar, sempre, a mesma mensagem. Não se esqueçam de Santa Maria. Não abandonem o lugar onde nasceram. Regressem sempre que possam. Quando vão em massa, é uma lufada de ar fresco.

O ano em que não há grandes deslocações à ilha é motivo de grandes dificuldades.

Os acessos são um problema já velho, mas onde fica, sempre, a esperança de uma resolução”.Concluiu Carlos Rodrigues que uma vez mais, foi convidado de honra, ao Convivio Mariense, que se vem repartindo entre o sul e o norte e sempre rodeado do maior êxito.

 

 

Fernando Silva presidente da Casa do Povo da Almagreira

 

 “O rancho interpreta música regional, mas orientada para toda a ilha de Santa Maria”

- Fernando Silva, presidente da Casa do Povo da Almagreira 

 

 

Fernando Silva foi  um dos mais ativos elementos da comitiva mariense que veio ao convivio.

É o presidente da Casa do Povo da Amagreira, que descreve como “ instituições em vias de extinção”.

Mesmo assim, “mantemos duas valências. Um convívio de seniores, que se reunem uma vez por semana. E temos o rancho folclórico, que temos o prazer de vos apresentar em atuação perante a comunidade aqui radicada”, prosseguiu Fernando Silva, instrumentista do rancho da Almagreira.

“O rancho interpreta música regional, mas orientada para Santa Maria. Temos cerca de vinte e quatro temas, provenientes de uma recolha mariense”, prosseguiu Fernando Silva, que tem acompanhado o grupo nas suas deslocações inter-ilhas.

“Já fomos ao Pico, São Jorge e São Miguel. Antes da minha participação no grupo, efetuou também deslocações ao continente, e agora a vinda aos EUA”.

“ Esta vinda aos EUA aconteceu devido a contatos entre  Eddy Chaves e Paulo (Braga) Amador. E como já tinham vindo anteriormente outros agrupamentos, só nós faltavamos, proporcionou–se a nossa vinda este ano” concluiu Fernando Silva, encantado com a receção feita ao seu grupo.

 

 

 

“A forma como nos recebem e organizam estes encontros é significativa de uma atividade extrema”

- Paulo Magalhães, presidente da junta de freguesia da Almagreira

 

Paulo Magalhães, já é uma cara conhecida nos meios marienses cá e lá. “ Desta vez, regresso, para acompanhar o Rancho Folclórico da Casa do Povo da Almagreira, que muito nos orgulha e que vem trazer a cultura da nossa terra aos EUA”, começou por dizer o  presidente da junta de freguesia da Almagreira e que foi mestre de cerimónias no 6.º Convivio Mariense. Onde não esqueceu de realçar a componente ativa da freguesia.

“Temos dois grupos folclóricos. O Danças e Cantares que já esteve neste convivio e agora foi a vez do rancho folclórico que trouxe a nossa cultura a terras dos EUA e em especial aos marienses aqui radicados”, prosseguiu Paulo Magalhães, que já se habituou a ver nestes convívios uma forma salutar de estreitar de laços com a terra de origem.

“A forma como nos recebem e organizam estes encontros é significativa, de uma atividade extrema. É como se pegassem na nossa ilha e a trouxessem para cá. Olham para nós, como se fossemos a ilha. Sentimos um grande orgulho pela forma como tudo isto se desenrola. Esperamos poder vê-los lá de regresso à sua terra. Viver e reviver o local onde nasceram. E se possivel, fazerem-se acompanhar pelos filhos e netos”, prosseguiu Paulo Magalhães, que trouxe noticias do que lá se tem feito: “Temos feito os possiveis para trabalhar no desenvolvimento da nossa terra e da qualidade de vida dos seus habitantes”.

“A visita pela primeira vez do rancho da Almagreira é uma mensagem do passado traduzida na letra e música das interpretações. E existe aqui uma curiosidade que não passa desapercebida e que tem a ver com a adesão da juventude a estes projetos, contrariando os que dizem que só gostam de música de outro tipo”.  A concluir, Paulo Magalhães disse ainda: “ Deixo uma mensagem de esperança, carinho e ao mesmo tempo um agradecimento especial, pela forma como recebem a sua ilha”.