A Ribeira Grande deve integrar o cartaz turístico de S. Miguel

 

Nem só as Furnas e as Sete Cidades devem constar no cartaz turístico de S. Miguel

A Ribeira Grande, por possuir singulares particularidades

deve integrar o dito roteiro
 

A MARAVILHOSA E HOJE, COSMOPOLITA, ILHA DE SÃO MIGUEL, uma das flores que com­põem o “ramalhete” que dá pelo nome de “AÇORES”, é conhecida, nos cartazes turísticos, principalmente através de Ponta Delgada, pelas lagoas das Sete Cidades (uma das sete maravilhas) e pelas deslumbrantes Furnas. Mas há mais a justificar e a merecer ser integrado, no roteiro oferecido aos muitos turistas, ávidos de conhecer tais belezas. A Ribeira Grande, por exemplo, e o seu município, têm maravilhas que não ficam atrás dos mais famosos anunciados.

A MÚSICA POPULAR AÇORIANA, no seu can­cioneiro, cantava e canta: “ponha aqui o seu pezinho, devagar, devagarinho, se vai à Ribeira Grande”. Se no passado se ia devagarinho até à Ribeira Grande hoje chega-se num instante. A partir de Ponta Delgada são cerca de 15 quilómetros em autoestrada. Uns quinze minutos de carro.

E VALE A PENA JUNTAR, ÀS INDISPENSÁVEIS VISITAS ÀS FURNAS E SETE CIDADES, uma ida ao concelho e à cidade da Ribeira Grande. Ao chegar, e logo à entrada da cidade, há que procurar pelo “ARQUIPÉLAGO-CENTRO DE ARTES CON­TEM­PO­RÂNEAS”, instalado nuns velhos edifícios, há muito em ruínas, e que, em anos atrás, serviram de abri­go a uma fábrica de Álcool e depois Tabaco. A estas ruínas, hoje restauradas, juntou-se, novos edifícios, a fim de completar o conjunto hoje existente. É impres­cindível, aquando de uma obrigatória visita à Ribeira Grande, uma paragem no atraente e cultural edifício. No seu conjunto tem uma loja, livraria, centro de expo­si­ções, centro documental e centro de produção audiovisual.

CONCLUÍDA A ESTONTEANTE E CULTURAL VISITA, e ao procurar o centro da cidade, entra-se pela Rua de São Francisco, que mais à frente muda de nome para Rua de Nossa Senhora da Conceição. Dez minutos a pé são suficientes para chegar à parte central da cidade.

NESTE CURTO PERCURSO encontra-se logo edifícios com certo porte e duas belas Igrejas. Na Ribeira Grande não é exceção, uma certa arquitetura, aliás visível em muitas partes do país, mas aqui ganham caracterís­ticas próprias com pedra escura vulcânica.

A ANTIGA VILA DA RIBEIRA GRANDE, FOI ELEVADA A CIDADE EM 1981.

CONTINUANDO NO PERCURSO INICIADO, após a saída do “Arquipélago”, aparece-nos o edifício do Teatro Municipal, de 1933, de dimensões generosas para uma localidade com cerca de 13 mil habitantes, desta­cando-se, igualmente, o elegante edifício da câmara muni­cipal, num conjunto onde sobressai a ribeira que dá o nome à cidade, com a sua bela queda de água por baixo da ponte.

ENTRE O CENTRO DE ARTES E A CÂMARA são uns 15 minutos, que podem ser mais demorados caso se pare, para entrar, nas igrejas de São Francisco e de Nossa Senhora da Conceição.

É BOM RECORDAR QUE A RIBEIRA GRANDE sempre teve fama de possuir uma apreciada gastronomia. Quem não se recorda da apregoada ementa, oferecida e divulgada, da qual constava os afamados e “castiços” pratos que chamavam à localidade muitos forasteiros à procura dos apetitosos e bem confecionados pratos da “carne gui­sada”, dos tão procurados “canários do Jaime Balão”, da “fava guisada”, das “ervilhas c/chouriço”, do muito requi­sitado “polvo guisado”, constando, do seu guloso molho a tão afamado vinho de cheiro, os “lombinhos de porco acompanhados com a saborosa ervilha”, e do “suculento e especial bife com vários acompanhamentos”. Os tão desejados “torresmos” e o tradicional “molho de fígado”. Fazia parte destas iguarias, como “ramalhete” indispen­sável, a tão famosa e apreciada “pimenta da terra”. E quem não se lembra do famoso “pão caseiro”, único na região. Todos estes pratos tinham que ser acompanhados de um famoso vinho de cheiro que pedia meças a outra localidade da ilha. Refeições amistosas, consumidas, não em restau­rantes de luxo, mas sim em “casas de pasto” onde predo­minavam a higiene e o conforto e que, na altura, existiam muitas espalhadas pela ex-Vila e onde compareciam “grupos de amigos”, de vários pontos da Ilha, em sã cama­radagem e em despretensiosas e sadias cavaqueiras.

HOJE, NO EXIGENTE TEMPO EM QUE ESTA­MOS INSERIDOS, é cabeça de cartaz o restaurante da Associação Agrícola de São Miguel localizado no concelho (Santana/Rabo de Peixe), onde se come o bife mais famoso da Ilha.

NO SECTOR FESTIVO, é bom lembrar as centenárias “cavalhadas de São Pedro”, os tradicionais, apreciados e concorridos “Cantares às Estrelas” e, no campo religioso, as diversas e concorridas procissões, levadas a cabo pelas diversas paróquias, que “arrastavam” à Ribeira Grande inúmeros fieis de toda a Ilha.

MAS, É BOM NÃO ESQUECER, que no município da Ribeira Grande há vários pontos que parecem saídos de uma história de encantar. Aliás, é assim por toda a Ilha e por todo o arquipélago. Mas há um famoso que não pode deixar de ser mencionado e um outro ilustre desconhecido para forasteiros. O primeiro é a LAGOA DO FOGO. Á medida que se vai subindo a montanha avistamos o mar da costa norte que fica para trás. E lá ao fundo são bem visíveis a Ribeira Grande e Rabo de Peixe. E a paisagem aos poucos muda. Um pouco como o tempo nestas ilhas, que varia rapidamente do sol para chuva para a seguir voltar o sol.

CHEGAGOS AO MIRADOURO DE ESTRADA, para admirar a Lagoa do Fogo, é impossível não ficar emocionado. Parece chegar a um lugar sagrado. Até falar alto, ali, parece mal. Contempla-se e respeita-se tal beleza. É a segunda maior lagoa da Ilha, e daquela cratera vulcânica, feita lagoa houve uma última erupção em 1563.

VOLTANDO PARA TRÁS, na estrada que leva à lagoa, há que procurar pela “cascata do salto do cavalo”. O caminho, a determinada altura, começa a descer e passa para terra batida. Mas, o cenário que se vai en­contrar depois, compensa o esforço. Trata-se de uma cascata de 40 metros, que no fundo são duas, uma mais interior, menos visível, e uma mais exterior que cai num pequeno lago de águas cristalinas. Se a temperatura e a chuva deixar, há que tomar banho. Caso contrário, ficar uns largos minutos a olhar para aquelas íngremes rochas e ouvir a água a cair, é suficiente para dar a visita como muito bem empregada.

MAS, HOJE, HÁ A DESTACAR, no concelho nor­tenho, e no aspeto de alojamento, o sofisticado e moderno “Santa Barbara Lodge”, localizado na freguesia com o mesmo nome.

E AS ENCANTADORAS E MUITO VISITADAS “Caldeiras da Ribeira Grande”, (a reabertura das termas locais é digno de louvor e aplausos pela mais-valia que traz ao concelho e à Região) onde o povo passava e passa maravilhosos fins de tarde. E as “Lombadas”, lugar poético e contemplativo.

 

É, POR ESTAS, E OUTRAS RAZÕES, que a RIBEIRA GRANDE deve constar do atual e divulgado roteiro turístico da ilha de São Miguel, como cartaz de excelência, na rota, hoje muito procurada pelo ávido visitante, sequioso de encontrar encantos mil a fim de observar maravilhas encantadas existentes nos Açores.