Fumo e Sindroma de Tourette

 

 

Os leitores do Portuguese Times são periodicamente bombardeados com os meus avisos sobre os malefícios do tabaco, mas considerando que pelo menos 30% da população americana continua a fumar, não vou deixar esta cruzada nem tão cedo, particularmente no que respeita a crianças indefesas.

Em particular, sou da opinião que as autoridades deviam poder parar e multar qualquer adulto observado a fumar no automóvel com bebés ou crianças no banco de trás. Infelizmente não é raro ver mães, que deviam ser a proteção primária dos seus filhos, a gozar um cigarrinho no carro com a janela aberta só dois centí­metros, não para ventilar, mas para atirar as cinzas fora.

Feitas estas considerações editoriais, aqui fica mais um problema relacionado com a exposição ao fumo do tabaco - como se a lista não fosse já suficientemente grande – publicado no relatório do Hospital Mount Sinai do mês passado. As crianças cujas mães fumaram dez ou mais cigarros diariamente durante a gravidez têm 66 por cento maior probabilidade de vir a sofrer de Sindroma de Tourette ou de outros Tiques nervosos.  Mais ainda, os filhos de grandes fumadoras têm o dobro da probabilidade de sofrer destas doenças juntamente com os Distúrbios de Défice de Aten­ção/Hiperatividade (ADHD). Esta informação provém de um estudo feito nos EUA e na Dinamarca que incluiu dados sobre 100 mil mulheres.

Pouco haverá a adicionar a este estudo de resultados indiscutíveis, mas fica uma palavra sobre o Sindroma de Tourette: esta é uma condição Neuro-Psiquiátrica caracterizada por múltiplos tiques motores e pelo menos um padrão de tiques vocais (às vezes o doente grita palavrões sem ter controlo deste comportamento) que ocorre várias vezes ao dia durante longos períodos de tempo. Esta doença aparece antes dos 18 anos de idade e nao está relacionada na sua génese com outras con­dições médicas ou psiquiátricas. Esta é uma condição debilitante, necessitando de tratamento contínuo e provavelmente vitalício. Razões suficientes para pensar duas vezes antes de acender a beata.

É também certo que deixar de fumar não é fácil. Já Mark Twain dizia, no seu típico estilo sarcástico e avinagrado, que “deixar de fumar é facil! Já o fiz deze­nas de vezes…”, ilustrando a sua completa inca­pacidade para se manter sem fumar a longo prazo. O que este escritor não tinha era a ajuda que um fumador pode ter hoje em dia. Mais uma vez aconselho que discuta com o seu médico/a o que lhe pode ser receitado, ou aonde deve recorrer para obter o apoio necessário.

Haja saúde!