Cólon irritável

 

 

P. — Uma pessoa da minha família foi recen­te­mente diagnosticada com “Irritable Bowel Syn­drome”. Sei que é uma doença crónica, mas qual a origem e o tratamento?

 

R. — O “Irritable Bowel Syndrome” (IBS), em português Sindroma do Cólon Irritável, é a doença gastrointestinal mais comum nos consultórios médicos. É uma doença crónica, caracterizada por períodos de dores abdominais e alteração dos hábitos intestinais na ausência de anomalias estruturais ou bioquímicas. Os sintomas podem ocorrer em diferentes zonas anatómicas do tubo digestivo, não só no cólon. O diagnostico é feito por critérios clínicos estabelecidos, e não por análises laboratoriais, o que por vezes causa grandes dilemas para o médico, pois há sempre o risco de se confundir com outra doença intestinal potencialmente mais grave, tal a heterogeniedade dos sintomas.

O cólon irritável ocorre em 10 a 22% dos adultos nos EUA, mas menos de 10% dos pacientes recorrem ao seu médico para tratar esta situação. Esta é tipicamente uma doença dos jovens de raça branca, mas estudos mais recentes indicam que é tão comum nos idosos como nos jovens. Suspeita-se que muitos dos mais idosos diagnosticados com diverticulite sofram na realidade de IBS, e apesar de mais comum nos brancos, é um sindroma bastante comum também nos afro-americanos.

Pensa-se que para este sindroma contribuam vários fatores, desde psicosociais a modificações da motilidade intestinal, a alterações da percepção da dor no intestino. Por exemplo, o stress é uma razão comum para a exacerbação de sintomas, e cerca de 50% dos doentes sofrem também de distúrbios psiquiátricos simultâneos com as queixas que os levam ao médico. Mais ainda, um estudo mostrou que 44% das mulheres que se queixaram de cólon irritável tinham sido abusadas sexualmente quando crianças, onze vezes mais do que um grupo de controlo. Factores de ordem psicológica incluem comportamentos obsessivo-compulsivos, somatização, depressão, ansiedade, hostilidade, fobias, paranoia e psicose. Outros factores incluem irritantes dos intestinos, inclusive lactose, ácidos biliares alergias alimentares e medicamentos.

As estratégias terapêuticas baseiam-se na modificação da dieta, evitandos os irritantes e aumentando o consumo de fibras vegetais, para além de alívio sintomático com medicamentos anti-espasmódicos, contra a diarreia, agentes proquinéticos (que ajudam a motilidade intestinal) e alguns medicamentos para reduzir as dores. O acompanhamento psiquiátrico é essencial, não só por poder estar na origem das crises, mas também porque 15% dos doentes não têm qualquer resposta aos medicamentos. Além disso, este grupo é especialmente propenso a procurar médicos diferentes, com os custos acrescidos na repetição de testes de diagnóstico que isso acarreta, neste momento cerca de 8-10 mil milhões (billions) anuais.

Finalmente, e apesar de ser verdade que o cólon irritável é uma condição persistente e recorrente, na verdade quando tratada apropriadamente tem bom prognóstico. Mais de metade tem melhoras significativas e cerca de 25% mantêm-se sem sintomas 5 anos depois de feito o diagnóstico.

Haja saúde!