Quem tem medo da sombra do futuro?

 

 

1 - Breve nota preambular(*)

Teria porventura maior capacidade atractiva, perante os eventuais leitores do “memorandum”, a decisão de vir aqui relembrar alguns factos históricos conotados ao mês de Novembro, tais como por exemplo:

a) o terramoto acontecido na zona lisboeta, na manhã de 1 de Novembro de 1755 ( que fez desaparecer várias referências da história portuguesa, inclusivé o túmulo de D. Nuno Álvares Pereira, conhecido herói da batalha de Aljubarrota.Segundo os historiadores acreditados, o supracitado terramoto foi sentido na zona noroeste de Marrocos: consta até que os seus tremores marcaram presença em alguns recantos da costa norte da ilha micaelense.

b) efemérides a recordar, tais como: data do assassinato, em Dallas, do saudoso presidente John Kennedy Nov. 22, 1963; data do embarque da “nossa” Companhia militar, rumo à costa oriental africanaNov. 23, 1963; data da primeira baixahumana do nosso pelotão ( luto acontecido na área do regulado Chiquaquala – Moçambique – Nov.15, 1965)...

c) Outro tema, seria (re)visitar o golpe 25 de Novembro, 1975, considerado peneiramilagrosa que separou a farinha democrática do demorado caos revolucionário

Agora, vamos abordar algo relacionado com as alterações climáticas, não raro consideradasteimosias científicas para intimidar o progresso. A fragilidade humana continua aignorar o óbvio, ou seja, a humanidadetrataa Natureza com aristocrática arrogância.

Vejamos: há 100 anos atrás, a população mundial andava à volta de UM bilião; agora, o nosso planeta está a suportarcerca de SETE biliões de criaturas humanas(isso, sem contar com o restante reino animale vegetal). Curiosamente, a China e a Índia, ambas somam 2 biliões e meio de habitantes. Será que há gente a mais a poluir o equilibrio do atormentado planeta onde vivemos?

Quem sabe? Há mais de uma década tentei comentar (poeticamente) o meu latejo emocional, nestes termos:

Certezas são cruéis pancadas no portal da Verdade.

Prazer e dor são co-pilotos do meu pen(s)ar

Somos missionários do arco-íris da ausência!…

 

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2 – Idade, mentalidade e velhice

Para não actuar como cronista-altifalante da balbúrdia do quotidiano (bombarias terroristas, crueldades psicológicas, escândalos financeiros, etc), gostaria de convidar o nosso generoso “leitowrado” a revisitar o miolo da volumosa constelação de normas legais alusivas ao “ADEA” – Age Discrimination in Employment Act (1967) – Lei federal coada pelas emendas legais aprovadasem 1986 e 1991.

Estamos a referir uma lei (ADEA) aprovada durante a administração do presidente Lyndon Jonhson– projecto legal cuidadosamente remoçado na sua aplicabilidade, devido à progressiva longevidade da existência útil do ser humano.

Sem resvalar nas alamedas do paternalismo aristocrático, lembraria que a livre cidadania não procura “cunhas” para ser ‘convidada-de-honra’ ao banquete da Lei. A nosso ver, ninguém merece ser penalizado por ter nascido há mais de 40 anos. Andamos cada vez mais necessitados de aprender a cultivar a Paz com as aflições resultantes da ‘mudança” que acontece todos os dias. Vamos, voluntariamente, aceitar a seguinte tarefa: “afinar” o apetite sócio-cultural para compreender as causas próximas (e remotas) dos fenónemos rotineiros, para que o cidadão-trabalhador se liberte da algazarra dos efeitos…

 A propósito, sinto-me convencido de que a nossa Boa-Malta reconhece o chamado “Princípio Pareto 20/80”,criado pela finura analítica do economista italiano, Vilfred Pareto – defensor da seguinte equação: “20% das causas criam 80% dos problemas”.

 Vale a pena reflectir na distinção entre a racionalidade inerente aos (nossos) legítimos interesses versus a emocionalidade ocasional dos (nossos) desejos. Sabe-se que adorar a rotina resulta no ‘reumatismo’ mental que teme a ‘mudança’…

 Afinal, quem tem medo da sombra do futuro? Não seria novidade relembrar que as especificidades geo-climáticas outrora consideradas responsáveis pelo ‘torpor açórico’ estão a mudar, devido à mobilidade cultural resultante da globalização das necessidades inerentes à sobrevivência…

Agora, vamos interromper esta breve conversa para não perturbar o quietismo do eventual leitor, porventura a meditarno processo defensivo, face à infernal barulheira trumputinista! A preservação da dignidade humana (desde o útero ao túmulo) não se circunscreve às estreitas dimensões das cartilhas dos gestores do sucesso alheio.

 Esperamos não morrer da doença de “ser novo”!Vamos esticar o tempo e aprender a somar para dividir! Creio não ser descabido dizer o seguinte: há gente que, mal nasce, começa desde logo a polir os puxadores do próprio caixão.

Felizmente, saber pensar – compensa! Há quem ainda prefira viver na ânsia saudável de rejuvenescer o seu (irreversível) envelhecimento… talvez por ter aderido (tal como o signatário) ao conhecido mandamento psico-cultural:

“aging isn’t a birth defect” (envelhecer não é defeito de nascença).

 

 

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Rancho Mirage, California - EUA

(*) texto redigido de harmonia com a antiga grafia