Casa dos Açores da Nova Inglaterra celebra o Dia da Mulher com a secretária de Estado, Catarina Marcelino

 

Faz já parte do programa de atividades da Casa dos Açores da Nova Inglaterra a celebração do Dia Internacional da Mulher. E este ano não foi exceção, uma vez tratar-se de uma oportunidade para dis­cutir as questões relacio­nadas com a igualdade de géneros.

Igualdade de géneros significa que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos e deve­res. Estes devem ser iguais para ambos os sexos sem qualquer tipo de restrição baseada no facto de deter­minada pessoa ter nascido com o sexo masculino ou feminino. Mas, infeliz­mente, ainda assistimos a muitas desigualdades quando falamos por exemplo no mercado de trabalho onde os direitos das mu­lheres continuam a ser negli­genciados e até suprimidos em algumas partes do mun­do; na polí­tica o cenário também é desanimador quan­do observamos que as posi­ções de liderança conti­nuam a ser exercidas na sua maioria por ho­mens; nos salários, as mu­lheres continuam a rece­ber me­nos que os homens quan­do executam os mes­mos trabalhos; a insegu­rança física e a violência domés­tica continuam a registar percen­tagens assustado­ras. Depois se formos para outras partes do mundo como África, África Sub-Saariana, Oriente Médio e Ásia Central (fonte: ONU, 2016) então já estamos a falar, também, de violação de di­reitos humanos. Estamos a falar dos casa­mentos infantis; violência doméstica; mutilação genital; poligamia entre outras atrocidades. Por tudo isso achamos que devemos e precisamos continuar a celebrar o Dia da Mulher.

Este ano contamos com a presença da secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Mar­celino, que, no âmbito da sua participação numa série de conferencias nas Nações Unidas sobre este tema, aproveitou para visitar a nossa comuni­dade. A orga­nização do programa da senhora secretária de Estado esteve a cargo do cônsul geral de Portugal em Boston, Rui Caroço, que num exce­lente trabalho de coorde­nação envolveu também o Consulado de Portugal em New Bedford, o Vice-Consulado em Providence e a Casa dos Açores da Nova Inglaterra. A nós coube-nos a orga­ni­zação deste evento.

Para além da conferên­cia da secretária de Estado que recaiu sobre a “Igual­dade de Géneros em Por­tugal e no Mundo”, a pre­sidente da CANI realizou um conjunto de entre­vistas com o apoio de John Carreiro nas filma­gens, a mulheres e a ho­mens da nossa comu­ni­dade sobre esta temática. O mesmo foi feito nos Açores com a colaboração da SMTV Açores, que realizou as entrevistas em S. Miguel.

O vídeo, com duração de trinta minutos, revelou que os problemas e as conquistas são idênticos quando falamos da mu­lher nos Açores e na diás­pora. Todas foram unâni­mes ao admitir que houve nas últimas déca­das um grande progresso na luta contra a desigualdade de géneros e que foram cria­das leis para proteger as mulheres. No entanto, na vida quotidiana verifi­camos que ainda há muito por fazer ao nível do acesso ao poder político, do acesso ao mercado de trabalho, na partilha das tarefas domés­ticas, na violência doméstica, entre outros aspetos. Todas foram unânimes que só através da educação se conseguirá ultrapassar grande parte destes obstá­culos já que “o grande motor de mudança na vida de uma mulher é a sua educação”, conforme refe­riu Margarida Cortes Rosa, esposa do cônsul de Portugal em New Bedford e especialista em Relações Internacionais, na sua entrevista.

Tomando da palavra, a senhora secretária de Estado enalteceu o traba­lho da Casa dos Açores e o facto de ver tantas mulheres na sua direção e lamentou que não tenha havido grande progresso nas últimas décadas no que diz respeito à Igual­dade de Género pois cons­tata que os direitos pelos quais as primeiras mu­lheres se debateram no início do século XX conti­nuam a ser os mesmos que as mulheres do século XXI reivindicam. Apesar do muito que já se fez a nível da lei, a verdade é que na prática há ainda um longo caminho a percorrer. Salientou, no entanto, que certas medidas têm-se mos­trado eficazes no combate a esta desi­gualdade nomea­damente a introdução de quotas. O resultado tem sido um aumento na percentagem de mulheres nos parla­mentos e em cargos de liderança política. Ter­minou a sua intervenção reforçando uma vez mais a importância da edu­cação na vida das mu­lheres, pois “só através da educação a mulher po­derá desenvolver o seu senso crítico e adquirir ma­neiras de exercer os seus direitos. Pela educação a mulher garante um emprego melhor que lhe permitirá assegurar o seu sustento e a sua independência.”

A presidente deu por encerrada a sessão con­cluindo que enquanto a resposta à pergunta: “Somos iguais?”, conti­nuar a ser Não, então não poderemos deixar de registar o Dia da Mulher. Salientou ainda que no mun­do do associativismo as mulheres têm uma participa­ção bastante ativa, muito embora a sua participação não seja visível publicamente.  Infelizmente os homens têm maior visibilidade nas comunidades e as mu­lheres nem sempre estão nos orgãos diretivos das associações, muitas vezes são apenas voluntárias. Apesar de num contexto de imigração a mulher é quem consegue uma melhor integração, tem mais formação pro­fissional, elas ainda estão sub-representadas na liderança asso­ciativa.

Houve ainda tempo para a entrega de uma lembran­ça, um presépio de lapinha feito em concha pela diretora do Grupo Reinventar Tradições da CANI, Ana Bela Ventura. A sessão terminou com um chá prepa­rado pela diretora de eventos, Célia Nóbrega.

Tenhamos em conta que o que afeta as mulheres em particular afeta o mundo em geral, pelo que urge acabar com estas dife­renças de modo a que todos possamos fazer do mundo um lugar melhor.

Quando a edição deste jornal for distribuída, já terá ocorrido o Dia do Pai em Portugal. Não poderia deixar de salientar que para que se possa chamar Pai, é preciso haver uma mãe. Então porque é que na realização do maior milagre da vida, homem e mulher conseguem co­laborar de forma igual, cada um dá na mesma pro­porção o essencial do seu ser para que outro ser tenha vida, então porque não poderá ser assim no resto?

 

 

Nélia Alves-Guimarães

Fall River, Mass.