Os 100 anos da última aparição de Nossa Senhora aos Três Pastorinhos na Cova da Iria

 

13 de Outubro de 1917 — 13 de Outubro de 2017

“... Dizem ter visto uma Senhora mais brilhante que o sol sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascenta­vam um pequeno rebanho na Cova da Iria, próximo da aldeia de Aljustrel.

Na qualidade de católico praticante e podendo usu­fruir deste poderoso orgão de comunicação social - Portuguese Times - que Lopes de Araújo, um dos mais conceituados vultos da comunicação social portu­guesa, considerou publica­mente, o melhor jornal em lingua portuguesa nos EUA, não podiamos ficar indife­rentes ao 13 de outubro de 2017 que perfaz 100 anos da  última Aparição de Nossa Senhora aos Três Pasto­rinhos em Fátima. 

Foi a última das aparições iniciadas a 13 de maio de 1917. As três crianças a quem Nossa Senhora apa­receu foram: Lúcia dos Santos (10 anos) Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos), afirmaram terem visto “... uma senhora mais brilhante que o sol, sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascenta­vam um pequeno rebanho na Cova da Iria, próximo da aldeia de Aljustrel.

A aparição mariana repe­tiu-se nos cinco meses seguintes e seria portadora de uma importante mensa­gem ao mundo.

A 13 de outubro de 1917, a aparição apresentou-se-lhes como sendo a Senhora do Rosário.

E é precisamente a Se­nhora do Rosário a padro­eira da mais antiga igreja portuguesa nos EUA que abre as portas aos fiéis a 13 de outubro de 2017 no popular bairro de Fox Point em Providence, para celebrar uma das mais significativas efemérides do calendário religioso.

Como diz o padre António Paiva “ A igreja de Nossa Senhora do Rosário é um oásis verde no meio do asfalto”.

E é este oásis que vai receber a 13 de outubro de 2017 os crentes praticantes numa procissão de velas em louvor à Virgem na passagem dos 100 anos da Sua aparição aos Três Pastorinhos.

Mesmo nos 100 anos das aparições em Fátima, Rhode Island, mais propriamente em Providence e no popular bairro do Fox Point ergue a imponente igreja do Rosário nos seus 131 anos de existência.

Vamos admitir que os “construtores” daquele pilar da religiosidade das nossas gentes, foram inspirados a levantar este maravilhoso templo em honra da Senhora do Rosário. Aquela Senhora que o mundo católico venera. 

 

13 de outubro de 1917

13 de outubro de 2017

Como das outras aparições, os videntes notaram o reflexo de uma luz  e, em seguida, Nossa Senhora sobre a azinheira.

Lúcia: “Que é que vossemecê me quer?”

Nossa Senhora: “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem a sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas”.

 Lúcia: “Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir. Se curava uns doentes e se convertia uns pecadores”.

Nossa Senhora: “Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados”.

E tomando um aspecto triste: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

Em seguida, abrindo as mãos, Nossa Senhora fê-las refletir no sol e enquanto Se elevava, continuava o refexo da sua própria luz a projetar-se no sol.

 Lúcia, nesse momento, exclamou: “Olhem para o sol!”.

 

Três quadros simbólicos dos mistérios do Rosário

Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do firmamento, desenrolam-se aos olhos dos videntes três quadros, sucessivamente, simbolizando primeiro os mistérios simples do Rosário, depois os dolorosos e por fim os gloriosos (apenas Lúcia viu os três quadros; Francisco e Jacinta viram apenas o primeiro).

Apareceram, ao lado do sol, São José com o Menino Jesus e Nossa Senhora do Rosário. Era a Sagrada Família.

A Virgem estava vestida de branco, com um manto azul. São José também se vestia de branco e o Menino Jesus de vermelho claro.

São José abençoou a multidão, traçando três vezes o sinal da Cruz. O Menino Jesus fez o mesmo.

Seguiu-se a visão de Nossa Senhora das Dores e de Nosso Senhor acabrunhado de dor no caminho do Calvário.

Nosso Senhor fez um sinal da Cruz para abençoar o povo. Nossa Senhora não tinha a espada no peito. Lúcia via apenas a parte superior do Corpo de Nosso Senhor.

Finalmente apareceu, uma visão gloriosa, Nossa Senhora do Carmo, coroada Rainha do Céu e da Terra, com o Menino Jesus ao colo.

 

O milagre do sol

Enquanto estas cenas se desenrolavam aos olhos dos videntes, a grande multidão de 50 a 70 mil espectadores assistia ao milagre do sol.

Chovera durante toda a aparição.

Ao encerrar-se a conversa de Lúcia com Nossa Senhora, no momento em que a Santíssima Virgem se elevava e que Lúcia gritava: “Olhem para o sol”. As núvens se entreabriram deixando ver o sol como um imenso disco de prata.

Brilhava com intensidade jamais vista, mas não cegava. Isto durou apenas um instante.

 A imensa bola começou a “Bailar”. Qual gigantesca roda de fogo, o sol girava rapidamente.

Parou por certo tempo, para começar em seguida a girar sobre si mesmo vertiginosamente.

Depois seus bordos tornaram-se escarlates e deslizou no céu, como um redemoinho, espargindo chamas vermelhas de fogo.

Essa luz refletia-se no solo, nas árvores, nos arbustos, nas próprias faces das pessoas e nas roupas, tomando tonalidades brilhantes e diferentes cores.

Animado três vezes de um movimento louco, o globo de fogo pareceu tremer, sacudir-se e precipitar-se em ziguezague sobre a multidão aterrorizada.

Durou tudo uns dez minutos.

Finalmente o sol voltou em ziguezague para o ponto de onde se tinha precipitado ficando novamente tranquilo e brilhante, com o mesmo fulgor de todos os dias.

O ciclo das aparições havia terminado.

Mas se as aparições terminaram ficou a devoção enraizada nos crentes e em dignos

 

Espaços físicos

Tal como temos trazido às páginas do Portuguese Times em apontamentos únicos, a comunidade movimenta-se pelo mês de maio e não só com manifestações em louvor a Nossa Senhora de Fátima.

Como em todas as manifestações da comunidade há quem queira projetar a iniciativa além local de realização

Enquanto que outros se limitam ao salão ou recinto da festa e ali morre.

O nosso longo raio de ação de reportagem traz anualmente em grande relevo, as festas de Nossa Senhora de Fátima em Cumberland, Nossa Senhora de Fátima em Ludlow, festas de Nossa Senhora de Fátima em Hudson e em Peabody.

 

 

 

 

Nos 100 anos das Aparições de Fátima

Igreja de Santa Isabel de Bristol integrada no séquito real de Nossa Senhora de Fátima

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa

 

O entusiasmo em torno da igreja de Santa Isabel em Bristol tem o seu início por volta de 1870. Os portugueses que gradualmente se foram radicando pela mais pitoresca vila de Rhode Island, eram apoiados pela igreja de Santa Maria, situada entre a Wood e State Street, a única católica em Bristol.

Os serviços em português eram ministrados esporádicamente por um padre que ali se deslocava.

 

Grupo encontra-se com o bispo

Em 1913 constitui-se um grupo, que se avistou com o bispo de Providence, solicitando autorização para a fundação de uma igreja portuguesa. A decisão não foi positiva, tal como o não foi em Cumberland.

Mesmo assim, ninguém desistiu dos seus propositos e vai de contatar o Núncio Apostólico em Washinghton DC. que deu luz verde aos intentos da comunidade.

As relações ao longo dos anos com os bispos não foram as mais amistosas. Mas pelos vistos as intenções da comunidade prevalecem, medindo em centenários as presenças no mundo católico.

 

Nomeção do padre António Rebelo para a formação da paóquia

Finalmente a 30 de março de 1913 o Bispo Matthew Harkins de Providence, que vamos encontrar ligado aos pedidos de construção de igrejas portuguesas, pelas diversas comunidades, nomeou o padre António Rebelo a fim e organizar a nova paróquia, a que foi atribuida a Santa Isabel.

 

Primeira missa em português celebra-se na Sociedade D. Luís Filipe em 1913

Entretanto um outro grupo de portugueses avança com planos para a construção da sede da Sociedade D. Luís Filipe. Comprou terreno, onde hoje se situa a escola paroquial e auditório da igreja de Santa Isabel.

Foi ali, então Sociedade D. Luís Filipe, que a 6 de abril de 1913 se celebrou a primeira missa em português.

 

Compra do terreno e construção

da igreja

O padre António Rebelo comprou o terreno para a igreja ao custo de 3.500 dólares. O local foi a norte da Wood Street e Columbia Hall. O projeto mostrava uma igreja para uma capacidade de 600 pessoas e ao custo de 17 mil dólares. Uma caixa de cobre para a pedra angular foi comprada a 11 de setembro por 200 dólares.

A 15 de setembro de 1914 o Bristol Phoenix noticiava o lançamento da primeira pedra da igreja de Santa Isabel com a presença do monsenhor T. Doran da Diocese de Providence, seguido de missa solene.

A missa foi celebrada pelo padre António Rebelo, da igreja de Santa Isabel e tendo por concelebrantes A.M. Serpa, pastor a igreja de Nossa Senhora do Rosário de Providence, padre Thomas Gillen da igreja de Santa Maria e o padre P.A. Foley, secretário do bispo Harkins.

Como se depreende, o bispo que era contrário à construção da igreja não esteve presente nas cerimónias.

O altar mor foi consagrado a 30 de maio de 1915. A reitoria construída em 1916.

Entretanto o padre Rebelo foi transferido para a igreja de Nossa Senhora do Rosário de Providence, tendo sido substituido pelo padre Francisco Vieira.

 

A sua atividade tem inicio com a organização da Irmandade do Santo Nome, Filhas de Maria, Santos Anjos e Escuteiros. A primeira festa em honra do Senhor Santo Cristo foi a 13 de maio de 1918. E a primeira procissão do Enterro do Senhor na Sexta Feira Santa de 1930.

Os altares laterais foram construídos em 1922 e o orgão comprado a 9 de novembro de 1923 e instalado a 23 de abril de 1924.

Ainda durante a regência do padre Vieira comprou uma propriedade na Lincoln Avenue por 16 mil dólares, destinado ao convento das Irmãs de Santa Dorothea.

Durante a administração deste pároco, prestaram ali serviço como coadjutores os padres Francisco Gomes (primo do pastor Vieira), Francisco Diniz, Manuel Amaral e Manuel Barros.

O padre Vieira faleceu a 13 de agosto de 1932, tendo sido substituído pelo padre Manuel Barros da igreja de Santo António em Pawtucket.

Mas a administração do padre Manuel Barros, não foi longa pelo debil estado de saude. Viria a falecer em maio de 1937, sindo substituido pelo padre Henrique Rocha.

Em 1940 teve inicio a procissão de velas em honra de Nossa Senhora de Fátima e em 1947 as festas do Espírito Santo.

Em 1949 já com a diocese de Providence, entregue ao bispo Russel McVinney, o padre Rocha, pediu autorização para a construção da escola paroquial, com a inauguração a 12 de setembro de 1954.

O padre Henrique Rocha foi elevado a Monsenhor em abril de 1961 e nomeado diretor da Ouvidoria do Condado de Bristol.

Em 1972 a igreja foi alvo de profundos melhoramentos.

Em 1972 entrou na reforma  o padre Henrique Rocha. Em outubro de 1988  foi acometido de uma trombose, que o levou a um internamento de três anos. Faleceu a 20 de março de 1991.

 

Entra-se num período mais contemporâneo

E gradualmente vamos entrando num período mais contemporaneo onde surgem nomes, mais identificaveis com a comunidade atual.

Após o falecimento do padre Rocha, o Bispo D. Louis Gelineau, dos prelados que  mais se identificou com a comunidade portuguesa, coloca na igreja de Santa Isabel o padre Luís Diogo, que estava na igreja de Nossa Senhora do Rosário de Providence. Com o padre Luís Diogo a igreja conhece um novo visual e novas diretrizes. Desenvolveu um projeto que teve inicio em 1984 e terminou em 1985.

Altares laterais, altar-mor, janelas, uma nova bancada, criação de novo quarto para crianças, janelas modificadas. As festas religiosas mantiveram-se, mas com uma nova dinâmica, ao que se juntaria a festa da Santíssima Trindade.

Sob a admnistração do padre Luís Diogo, passaram pela igreja de Santa Isabel como coadjutores os reverendos José Bueno, Manuel Garcia, António Sousa, Patrick Soares, John Baker, John Abreu, Roberto Serpa, John Howarth, David Green, Dennis Kieton e Douglas Grant.

 

O padre Luís Diogo, passou à reforma a 29 de junho de 1993, tendo sido substituído pelo padre Luís Brum, que celebrou o 80.º aniversário desta igreja a 13 de setembro de 1994.

 

 

 

 

Fátima pelo mundo

Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Ludlow, a imagem mais dignificante da Cova da Iria no mundo português dos EUA

 

• Fotos e Texto de Augusto Pessoa

 

Pelo mundo inteiro, igrejas, ermidas, capelas e altares, têm-se erguido em honra de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Ludlow, neste particular, é um exemplo. Nesta vila de Massachusetts, incorporada em 1774, reside uma uma vasta comuni­dade portuguesa.

Ludlow está situada no Oeste de Massa­chusetts, a pouco mais de uma hora de Boston e a cerca de duas horas e meia de New York. Em Ludlow e redondezas, vivem cerca de 10.000 portugueses, dos quais 6.000 residem na vila propriamente dita, e os outros 4.000 se distribuem por zonas circunvizinhas em Chicoppe, Holyoke e Indian Orchard.

A comunidade portuguesa que representa cerca de um terço da população desta vila, é composta por madeirenses, açorianas, trans­montanos e alcobacenses. Embora haja portugueses com posições de desta­que, a maioria ainda trabalha em fábricas diversas. Nesta simpática vila vizinha da cidade de Springfield, o zelo apostólico do reverendo Manuel Rocha, fez de um bairro uma Cova da Iria.

Assim, todos os anos, no primeiro domin­go de setembro, crentes na Virgem de Fátima ali vão recordar com solenes cele­bra­ções, as festas da fundação e da de­dicação, de tão célebre santuário.

O seu fundador não é desconhecido. É natural dos Açores. Tem a ilha Graciosa por berço e tem um assinalado serviço prestado à causa da “Ação Católica Feminina”.

Fomos em procura de dados referentes à igreja de Nossa Senhora de Fátima em Ludlow, para ilustrar melhor este trabalho.

Em dezembro de 1947 foi organizada a fundação da paróquia. A sua vida paroquial começou no “hall” do Grémio Lusitano, com uma missa inaugural, a 13 de janeiro de 1948.

O lançamento da primeira pedra da cons­trução atual igreja, data de 14 de agosto

de 1949. Quanto à chamada “queima da hipoteca”, foi em 1970, sendo as bodas de prata, a 12 de outubro de 1973.

A igreja de Nossa Senhora de Fátima e sua réplica da Capela das Aparições, situam-se junto ao rio Chicopee, num cam­po de plantas e de relvados. Dois vitrais desta igreja, chamam pela atenção de qual­quer visitante. Trata-se dos vitrais do Beato João Baptista Machado e do Santo Padre Cruz.

O do Padre Cruz foi oferta de José M. Tomás, em memória de sua esposa, sendo o do Beato Martins, terceirense da Compa­nhia de Jesus, oferta de Sara e Romeiro Valadão.

Das igrejas portuguesas dispersas pelos EUA, a de Nossa Senhora de Fátima em Ludlow, tem sido a mais visitada por ilus­tres figuras da Igreja e de Portugal.

Evocamos neste particular o Cardeal Me­deiros, o Cardeal Cerejeira, D. João Pereira Venâncio, entre muitos outros. Ludlow é a Fátima por excelência da América.

Atualmente a paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Ludlow tem como pároco o padre Victor Oliveira.

 

 

 

 

Igreja de Nossa Senhora de Fátima, uma relevante presença da Cova da Iria em Cumberland

• Novo santuário é inaugurado amanhã, quinta-feira

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa

 

Nos princípios do século XX os portugueses começaram a “descobrir” os EUA, juntamente com oriundos de outros países na procura da “terra prometida”. O estado de Rhode Island constituiu uma das regiões americanas a merecer a preferência do nosso grupo étnico. Valley Falls seria uma vila que atraiu os portugueses dado as opções de trabalho nas fábricas de têxteis, nos anos de 1800.

 Situava-se entre Cumberland e Central Falls e prosperou industrialmente em 1839 quando Oliver Chase comprou fábricas nas duas margens do rio, constituindo a Valley Falls Company.

Usando a força das quedas de água em Valley Falls a família Chase constituiu um império de fábricas de têxteis, que durou mais de 70 anos.

Por volta de 1860 outras indústrias foram surgindo na área, aproveitando a mão de obra, já nessa altura de relativa percentagem portuguesa. Valley Falls tranformava-se na baixa de Cumberland e onde mais tarde viria a ficar localizado o Town Hall.

A Valley Falls Company mantêm-se em atividade até 1930, pondo fim a uma importante fase industrial da área. Os edificios foram demolidos em 1934 para evitar pagamento de impostos.

Esta significativa área permaceu ao abandono, até que em 1991 a vila de Cumberland e o Blackstone Valley National Heritage Corridor revitalizaram aquele espaço constituindo um parque histórico. Passeios, rampas e pontes permitem os visitantes passear através dos restos de fábricas, do que foi parte da revolução industrial dos EUA. Placas descritivas foram colocadas para contar a história de Valley Falls.

Na margem do rio do lado da cidade de Central Falls, as antigas fábricas, foram transformadas em edificios de apartamentos. Não obstante as paredes de tijolo terem sido revestidas com outro material, o complexo de apartamentos continua a dar uma ideia do que foi a finalidade original da construção. É possível ver correr a água do rio nos canais. assim como as portas que direcionavam a água.

 

Missão de Nossa Senhora de Fátima

Os portugueses à medida que se iam radicando pelas mais diversas regiões dos EUA, além da procura imediata de posto de trabalho, sempre que possível construia a sua igreja. E a comunidade radicada em Valley Falls, não foi exceção. Os bispos ao verem o sentir cristão dos portugueses nomeavam padres já em exercício em outros paróquias, para fazerem o levantamento de certas regiões após pedidos de construção de novas igrejas. E foi assim que Valley Falls iria ver erguido o seu local de oração.

A 18 de setembro de 1932 foi colocado na igreja de Santo António em Pawtucket, que havia sido fundada a 19 de setembro de 1926, o padre Albino Martins que foi incumbido pelo bispo William Hickey de fundar a Missão de Nossa Senhora de Fátima em Valley Falls  o que acontece a 22 de outubro de 1933.

Para isso teria alugado um salão na Broad Street, onde passou a celebrar missa aos domingos pelas 9:30.

Antes dessa missa costumava pregar o Evangelho à missa das 8:00 da manhã na igreja de Santo António que era celebrada em inglês pelo reverendo J.D. Metevier, capelão  de uma casa idosos em Pawtucket.

Mais tarde voltava a Santo António para celebrar em português a missa das 10:30. A paróquia de Santo António já contava nessa altura com 400 familias e 1800 paroquianos. Na missão de Nossa Senhora de Fátima em Valley Falls registava-se a presença de 200 familias e 100 em Central Falls.

O edificio alugado para a Missão de Nossa Senhora de Fátima era localizadi nas esquinas da Broad Street e Meeting Street. Seria a primeira congregação dedicada a Nossa Senhora de Fátima nos EUA e possivelmente a primeira fora de Portugal.

Em janeiro de 1940, por morte do padre José Patrício Lopes, pastor de Santo António de Riverpoint, o bispo Francis Keough nomeia para sua substituição o padre Martins. Por sua vez o padre Francisco Vicente, que assistia em Riverpoint, é transferido para Pawtucket na capacidade de pastor.

Deste padre pouco se sabe a não ser que manteve a igreja de Santo António no bom caminho até ao seu falecimento vitimado por um cancro.

Em 1944 é colocado na paróquia de Santo António em Pawtucket o padre Silvino Raposo, que era coadjutor na igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Dado o aumento da comunidade portuguesa o então bispo Keough estava a pedir padres portugueses para a diocese de Providence.

O padre José Pedro Barbosa, natural da freguesia dos Fenais da Luz, onde nasceu a 8 de setembro de 1915, teria sido um dos convidados para vir para a Diocese de Providence, graças à intervenção do padre Silvino Raposo que havia trabalhado com o padre José Barbosa, quando ainda nos Açores.

Havia prestado serviço na Fajã de Baixo. Passado dois meses foi enviado para as freguesias do Cabouco e da Atalhada na vila da Lagoa.

O padre José Barbosa chegou a Rhode Island em 1945. Tinha então 30 anos.

Foi coadjutor em East Providence (igreja de São Francisco Xavier) durante dois anos. Newport (igreja de Jesus Salvador) por nove meses. West Warwick (igreja de Santo António) seis meses, regressando a East Providence (São Francisco Xavier).

Em 1950 é colocado na igreja de Santo António em Pawtucket, onde era pastor o padre Silvino Raposo, que encarrega o padre José Barbosa da Missão de Nossa Senhora de Fátima em Cumberland, que havia sido constituída a 22 de outubro de 1933 pelo padre Albino Martins, que era pároco na igreja de Santo António em Pawtucket.

Em 1942 o reverendo Silvino Raposo, reconstruiu o interior da igreja com genuflectórios, imagens e um altar adquirido à igreja de Santo Eduardo em Pawtucket.

Fernando Lourenço, já falecido, mas que em entrevista que nos deu para o “Portuguese Times” a 24 de novembro de 2004, sendo o sócio mais antigo do Clube Juventude Lusitana disse: “Fui o primeiro a casar na Missão de Nossa Senhora de Fátima, no segundo andar do edificio onde estava a loja de mobilias do judeu. O primeiro funeral foi do meu primo Manuel Lourenço. O meu filho Fernano Lourenço não foi o primeiro a ser ali batizado, por não haver pia batismal”, dizia-nos Fernando Lourenço.

Um incêndio a 31 de Dezembro de 1962 reduz a cinzas aquele que era o recanto dominical dos portugueses de “Valley Falls”.

A Missão de Nossa Senhora de Fátima no cruzamento das  Broad Street e Meeting Street era um modelo único de arquitectura anterior à Primeira Guerra Mundial.

No dia 1 de janeiro de 1963 os paroquianos começaram a difícil tarefa de salvar tudo o que havia para salvar e que tinha escapado à fúria das chamas. Formou-se uma comissão para a reconstrução.

O então padre José Barbosa com uma visão mais alargada da comunidade quer passar da Missão de Nossa Senhora de Fátima, destruída pelas chamas, para uma igreja digna dos portugueses.

A 19 de Julho de 1964 o então bispo Russel J. McVinney reuniu-se com a comissão de construção e um grupo de paroquianos e finalmente dá autorização (não muito fácil, como nos dizia o padre José Barbosa) para a construção da igreja de Nossa Senhora de Fátima.

A 24 de Junho de 1965 é lançada a primeira pedra do que viria a ser uma das mais bonitas e significativas igrejas portuguesas.

A autorização para a construção da nova igreja foi dada pelo Papa Pio XII a 24 de Fevereiro de 1953.

Ida Ramos, presidente das Senhoras do Rosário efectuou uma rifa que deu um lucro de $7.00 (estavamos em 1953).

 

Os simbolismos da igreja de Nossa Senhora de Fátima

Quem dedicar uns minutos a admirar a igreja de Nossa Senhora de Fátima vai encontar um conjunto de curiosos simbolismos que atestam a presença de Portugal nos EUA.

Na fachada da igreja encontra esculpida na pedra; Brasão de Armas da Diocese de Providence; Brasão de Armas do bispo McVinney, Pedra Angular da Igreja, Padrão que assinalava os lugares descobertos pelos portugueses, Cruz da Ordem de Cristo, Esfera Armilar,

Cruz da Ordem de Cristo que atravessa a esfera, simbolo da terra, (na frente da igreja), representa Portugal que descobriu a maior parte do mundo. A Cruz da Ordem de Cristo pode ver-se na frente e trazeiras da igreja. A igreja dispõe ainda de torre sineira e santuário onde é rezada missa campal por altura das festas em Setembro.

No interior do templo pode ver a Cruz da Ordem de Cristo dos lados dos bancos assim como no candeeiro suspenso do tecto.

O acesso ao altar é efectuado por seis degraus. O primeiro simboliza a existência de um só Deus. Os três seguintes a Santíssima Trindade e os dois últimos os principais mistérios da nossa Fé. A Encarnação de Deus como homem e a sua morte e ressurreição.

 

 

 

Nossa Senhora do Rosário de Fátima em Providence

A mais antiga nos EUA erguida em louvor a Nossa Senhora

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa

 

A igreja de Nossa Senhora do Rosário ergue-se imponente em Providence no popular bairro de Fox-Point, visível da movi­mentada estrada 195. A área onde se encontra é o contraste entre o histórico do bairro do Fox Point e o contem­porâneo, da zona envol­vente dos relvados, da ponte, do moderno nó, das estradas 195 e 95.

Por volta do ano de 1850, os portugueses começaram a radicar-se na área de Providen­ce.O auge deste fluxo migratório regista-se em 1876. A faina baleeira nas áreas de Nan­tucket e New Bedford, atrairam os portugue­ses a esta região do EUA, principalmente oriundos das ilhas dos Açores. Como aquelas áreas começassem a ficar saturadas, o estado de Rhode Island, principalmente, Providence, foi terra de oportunidades.

Como o português é religioso não só por convicção, mas até por princípio e tradição e o residir num ambiente totalmente estranho, na língua, nos costumes e até na diversidade de religiões, fazia indubitavelmente que o ajeitar-se à nova vivência fosse uma luta árdua e constante, onde entravam em jogo as emo­ções mais diversificadas, morais, sociais e religiosas, era urgente, melhor absolutamente indispensável, que esta comunidade, tivesse uma entidade moral e espiritual que lhe desse apoio. Que lhe incutisse confiança. Que lhe mitagasse as saudades da pátria berço.

Em 1877 o padre António Freitas pastor na igreja de São João Baptista em New Bed­ford deslocava-se a Providence semanalmente para celebrar missa no salão da escola de São José na Hope St. em Providence.

Atente-se todavia à época, para melhor se deduzir do espírito de sacrifício, que a deslo­cação do reverendo Freitas, era embuída, se atendermos que as deslocações naquele período eram na generalidade efetuadas em carros puxados a cavalos ou nos próprios muares. O Bispo de Providence, Thomas F. Hendricken apercebeu-se do aumento da comunidade portuguesa, resolvendo facutar-lhe o seu local de culto. Sendo assim, com­prou uma antiga igreja protestante na Wickenden Street. Como acima se refere, os serviços religiosos eram facultados no salão da igreja de São José.  

A 18 de fevereiro de 1886, a Santa Sé, confirma criada oficialmente a paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Providence.

O padre António Serpa, assistente na igreja de São João Baptista em New Bedford,   natural do Pico foi o primeiro pároco resi­dente, tendo dado início à construção da igreja 10 anos mais tarde que iria a completar  em 1906. Construiu uma reitoria com dois pisos, mas rápido se apercebeu que as infraesturas, não eram suficientes para apoiar o constante crescimento da comunidade.

Para fazer face a esta situação o padre António Serpa, solicita autorização ao novo bispo de Providence, Matthew Harkins, para a construção de uma igreja de raiz.

Tal como se viria a registar, futuramente em outras comunidades, o bispo levantou obejções à construção. Esta atitude não impediu o padre Serpa, de seguir com os seus intentos. Vendeu o edifício da antiga igreja a Thomas Monahan proprietátio de uma agên­cia funerária, local onde hoje existe o Coffee Exchange. Contratou dois arquitetos da firma Murphy&Harkins e após apresentados os planos deu início às obras da construção da nova igreja em 1897.

Tal como já tinha acontecido anterior­mente, enquanto se procedeu à contrução da nova igreja, a missa era celebrada na igreja de São José na Wickenden Street.

A nova igreja ficou concluída em 1906.

Mas aqui temos um golpe de teatro. O bispo Mathew Harkins, recusa-se a estar presente à bênção da nova igreja, face à tensão, com o padre Serpa, que havia ido contra as suas ordens, quanto à construção da igreja.

Sendo assim, veio diretamente de Portugal, o bispo Henrique R. Silva, que presidiu às cerimónias de inauguração da nova igreja.

Além da entidade religiosa, fizeram-se re­presentar as forças politicas, tendo em conta, a importância da comunidade.

No início do século XX o bairro de Fox Point, era habitado por uma numerosa comu­nidade portuguesa, com origem no Conti­nente, Açores e Cabo Verde. Não obstante as semelhanças, culturais e linguísticas, houve como que uma separação. E sendo assim, os portugueses oriundos do Continente Português e Açores, viviam num lado do Fox Point os caboverdianos do outro lado.

As diferenças entre uns e os outros, era tão acentuada que os caboverdianos, passaram a frequentar a igreja de São José.

Por volta de 1910 dá-se a queda da monar­quia em Portugal ao ser deposto o rei D. Manuel II e é proclamada a República. Esta mudança política origina o afastamento de muitas ordens religiosase e o êxodo faz com que as irmãs de Santa Doroteia no ano de 1911 se viessem a estabelecer junto à igreja de Nossa Senhora do Rosário.

A vinda foi autorizada pelo Bispo Harkins, que julgava que as religiosas falavam inglês e como tal poderem trabalhar com as crianças. Mas o certo é que houve uma adaptação e as irmãs, começaram a ensinar religião e cos­tura. O padre António Serpa viria a falecer a 22 de fevereiro de 1918.  Sucede-lhe o padre António P. Rebello, que encontra como gran­de desafio, o final da construção da igreja.

Os dois altares laterais, assim como a gruta de Nossa Senhora de Lurdes foram construí­dos em 1921. Por sua vez a construção das torres sineiras, começou em 1924 com a instalação dos sinos em 1926.

Neste mesmo ano o padre António Rebello, comprou uma casa na esquina das ruas Wickenden e Benefit Street que daria lugar ao Lar de Santa Doroteia. Este lar seria como que um centro de acolhimento, aos portu­gueses que chegados, não tinham familiares por estas paragens.

Quando tudo parecia correr bem, no ano de 1942 a igreja foi incendiada, ficandos  com os interiores bastante danificados.

Mas, como diz o povo “Deus nunca encerra uma porta, que não abra duas”.

Num período de 18 meses, os interiores, são totalmente reconstruídos, mantendo-se a talha exterior. Perderam-se no entanto, os vitrais primitivos, sendo substituídos, pelos que ainda hoje ali podem ser admirados.

Se o entusiasmo foi a primeira porta a abrir e que levou à reconstrução, a segunda e já no ano de 1950, foi a nova vaga de portugueses chegados do Continente e Açores que trouxe uma nova lufada de portugalidade a estas paragens, principalmente junto da sua igreja. Com todo este fervor em manter uma presen­ça física, no ano de 1965 foi renovada a cave da igreja, facilitando mais atividades sócio culturais. Entretanto o padre António Rebello que havia sido elevado à categoria de mon­senhor, veio a falecer a 18 de dezembro de 1965. Neste mesmo ano de 1965 a igreja de Nossa Senhora do Rosário, fica sob a respon­sa­bilidade do padre Louis M. Diogo. 

Dotado de largos conhecimentos musicais, durante a sua gerência, abriu a igreja à banda de Nossa Senhora do Rosário.

Graças ao entusiasmo de um grupo de paro­quianos, formou-se no ano de 1971 a Irman­dade do Espírito Santo, com a sua primeira festa a ter lugar no domingo de Pentecostes.

A passagem do padre Louis Diogo, pela igreja de Nossa Senhora do Rosário foi breve, dado que em setembro de 1972, foi nomeado padre da igreja de Santa Isabel em Bristol.

Estávamos prestes a conhecer outro activo e bom pastor. O padre António Paiva sucedeu ao Padre Luís Diogo dando seguimento a uma das obras religiosas mais dignas nos meios lusos dos EUA. O padre Reinaldo Cardoso missionário em Timor e natural do Faial da Terra é colocado como ajudante do padre António Paiva na igreja do Rosário.

 

2001- até ao presente

O padre Joseph Escobar pertence a uma nova geração com mais preparação universi­tária. Nasceu em East Providence onde frequentou o sistema escolar público.

Frequentou o Seminário Preparatório de Nossa Senhora de Providence que concluiu a 13 de junho de 1978. Foi aluno do Pro­vidence College que finalizou a 17 de maio de 1982 com “Cum Laude “ e o grau de Bacharel em Matemática. A 7 de agosto de 1982 ingressou na Ordem Dominicana onde professou a 14 de agosto de 1983.

Estudou teologia no Dominican House of Studies em Washington, DC. Recebeu o mestrado em Divindade em maio de 1987, assim como o mestrado em Teologia com distinção do Providence College em maio de 1998. Foi ordenado pelo bispo Francis X. Roque, DD na igreja de St. Dominic em Washington a 20 de Maio de 1988. Serviu como pároco assistente na igreja de St. Do­minic, Youngstown, Ohio; igreja de Saint Catherine de Siena, New York; igreja de São Pio V em Providence e igreja de Santa Isabel em Bristol, no que seria o seu regresso a RI.

A 28 de junho de 1997, o Bispo Mulvee colocou-o como administrador da igreja de Santo António em Pawtucket.

No decorrer da sua vida sacerdotal a 30 de junho de 2001 foi nomeado pároco da igreja de Nossa Senhora do Rosário de Providence.

Na sua permanência junto da primeira igreja portuguesa em Rhode Island e a segunda mais antiga nos EUA o padre Escobar já adicionou um elevador, remodelou a cozinha, instalou um novo sistema de som e de luzes no salão paroquial.

A igreja dispõe de uma secção de produtos comestiveis destinados aos mais necessitados. Ali facilitam-se aulas de inglês a quem desconhece a língua.

Durante os últimos dez anos, a paróquia tem recebido uma segunda geração, que embora residente fora da cidade, continua a estar presente às missas e junto das iniciativas da paróquia.

A igreja mantém as tradições da Quaresma e Páscoa, com procissão da Sexta Feira Santa com o Senhor Morto e Nossa Senhora das Dores.

Desde o padre Louis Diogo que esta igreja realiza as festas do Espírito Santo.

 

 

 

 

Um templo português ergue-se em Peabody

História da Missão Católica Portuguesa

A roda do tempo marcava o ano de 1962. O afluxo de imigrantes portugueses a Peabody tinha vindo a aumentar gradualmente, tendo como consequência o enraizar de uma identidade comunal de sentir português.

O ponto máximo deste sentimento verifica-se quando os imigrantes e seus descendentes são unânimes nas aspirações de um pároco que fale a língua lusa, e portanto esteja mais apto a melhor compreender os problemas da comunidade, e assim possíveis soluções para aqueles, que melhor se coadunassem com a maneira de ser português.

Por esta altura foi colo­cado na cidade de Salem, na paróquia de St. Thomas, o padre Mason, de ascen­dência portuguesa.

Em contactos com os portugueses de Peabody, este sacerdote apercebeu-se dos sentimentos que os anima­vam, tendo inclusivamente aprendido a falar português com eles.

O padre Mason passou a exercer junto dos portu­gueses uma autêntica dina­mização evangelizadora, incentivando o aparecimento de uma Missão Católica Portuguesa, e construção de uma igreja.

Finalmente, em Janeiro de 1965, os portugueses rece­beram com alegria, a boa nova de que teriam a sua missão e um padre portu­guês.

Entretanto o padre Sau-dade vivia em Hudson, quando recebeu com surpresa ordem de seguir para a cidade de Peabody, a fim de fundar a Missão Católica Portuguesa.

Aos 8 dias do mês de Janeiro de 1965, numa manhã fria em que a neve caia, chegou a Peabody o padre Carlos M. Saudade, tendo actuado desde logo, como o catalizador final do sonho dos portugueses.

Estava formada a Missão Católica Portuguesa. O padre Saudade principiou a celebrar as missas domi-nicais em português, na Sociedade de Nossa Senhora Da Ajuda.

À medida que o tempo corria era cada vez mais notória a falta de uma igreja.

Sob as directizes do padre Saudade foi criada uma comissão denominada “Con-fraria da Doutrina Cristã”, com a finalidade de angariar fundos para a construção da igreja.

Decorreram os anos e outras comissões foram formadas, “Os Pastorinhos de Nossa Senhora de Fáti-ma”, que desenvolveu apre-ciável actividade social e por último a comissão denomi-nada “Angariadores de Fundos” para a construção da igreja portuguesa de Peabody.

 

Perseverança de um povo

A arquidiocese de Boston, devido à má situação fi-nanceira não autorizou a construção da igreja sem a Missão possuir a im-portância total para o pagamento da mesma.

Em 1970 contactou-se com as autoridades ecle-siásticas de Boston, para auxiliarem financeiramente a construção da igreja. A resposta foi de que “A Arquidiocese de Boston, devido à má situação financeira, não autorizava a construção da igreja sem a Missão possuir a impor-tância total para o paga-mento da mesma”.

A comissão de angariação de fundos não desanimou a esta dificuldade parece que deu mais persistência e ânimo, formando-se assim um bloco homogéneo de trabalho e sacrifícío, que empolgou toda a comu-nidade a colaborar mais activamente na angariação de fundos para a construção da igreja.

 

Cardeal Medeiros presidiu à benção do terreno e lançamento da primeira pedra da igreja de Nossa Senhora de Fátima

A 27 de Julho de 1973 a comunidade movimentou-se para dar as boas vindas a Sua Eminência o Cardeal Medeiros, que nesta sua histórica visita a Peabody benzeu o terreno destinado à construção da igreja.

No decorrer da sua intervenção o Cardeal Medeiros, que falava em inglês, passou a dirigir-se aos presentes na língua de Camões para delírio dos portugueses que o ouviam. O orgulho foi redobrado pelo facto do Cardeal Medeiros ser oriundo dos Açores e ao mesmo tempo o chefe supremo da maior arqui­diocese dos EUA.

Finalmente a 21 de Julho de 1974 é lançada a primeira pedra para a construção da igreja de Nossa Senhora de Fátima. Foi um dia de festa a merecer transmissão em directo da sagrada eucaristia pela Rádio Portugal.

A primeira pedra que encerrava o simbolísmo da construção da igreja veio directamente de Fátima e foi trazida pelo casal Cardoso, a quem a saúde não bafejava, o que mesmo assim não impediu a sua entrega ao projecto de alma e coração.

Comprando e vendendo mobília usada conseguiram angariar mais de 30 mil dólares.

A construção corria dentro da normalidade, quando a comunidade é surpreendida pelo falecimento do padre Carlos Saudade a 2 de Abril de 1975, sem ter visto a concretização da construção da igreja.

A morte do padre Carlos Saudade foi sentida pela comunidade, que colocou em dúvida a vinda de outro padre português, assim como a finalização da construção da igreja.

Viveram-se semanas de tristeza e desânimo no seio da comunidade, cujo entusiasmo abrandou face àquela contrariedade, quando já todos sonhavam com a data da inauguração da igreja.

Mas como Deus não fecha uma porta sem que abra outra janela, aqui não foi excepção e a 1 de Maio de 1975 as boas graças e os bons ventos trazem para Peabody o padre José da Silva Ferreira, que prestava serviço na igreja de Santo António em Cambridge.

A comunidade recebeu aquele pároco como uma bênção do céu que iluminaria a parte final da construção da igreja de Nossa Senhora de Fátima em Peabody, que teria honras de inauguração a 11 de Outubro de 1975.

Assim se ergueu um padrão, não de desco-brimento daquela terra, mas da presença de uma comu-nidade activa, concreti-zadora e que as actuais ge-rações continuam a honrar.

 

(Nota: Estes dados foram compilados de um trabalho de Mário Costa e publicado no PT na edicão de 9 de Outubro de 1975)