“A Um Mar de Distância” exibido no New Bedford Whaling Museum

 

 

Com o apoio do Con­sulado de Portugal em New Bedford e da firma Grupo Castelo, foi exibido na passada quarta-feira, no New Bedford Whaling Museum o documentário “A Um Mar de Distância”, projeto realizado por Pedro Magano, com argumento de Abel Coentrão e do mesmo Pedro Magano.

O documentário, com a duração de cerca de 50 minutos, aborda a grande faina portuguesa do ba­calhau nos mares da Terra Nova, Canadá e na Gro­nelândia.

No contexto histórico desta atividade pesqueira, refira-se que mais de vinte mil portugueses participa­ram, entre os anos 30 e 70 do século XX, na pesca do bacalhau, nos mares da Terra Nova e da Gronelân­dia. Fortemente impulsio­nado e regulamentado pelo regime ditatorial vigente, esta “epopeia” represen­tava, nos muitos navios de pesca à linha, meses de trabalho de uma intensi­dade sobre-humana, que alimentava uma compe­tição entre os pescadores, submetidos a um sistema remuneratório variável que dependia do que pes­cassem.

Pedro Magano, que se deslocou aos EUA para a exibição dos seus dois documentários “Irmãos”, apresentado quarta-feira da passada semana, e “A Um Mar de Distância”, no New Bedford Whaling Museum, afirmou ao PT sobre a ideia de criar este documentário:

“Sou de Ílhavo. Foi à mesa do jantar lá em casa e portanto não foi muito difícil ter esse interesse. O que foi difícil foi encontrar um tema que fosse trans­versal a todas as comuni­dades piscatórias... De­morei alguns anos a per­ceber qual era a melhor história… Queria fazer uma homenagem aos pes­ca­dores que ficaram por lá e àqueles que ainda estão cá para contar a história”.

O realizador deste pro­jeto baseou-se também no filme canadiano “White Ship”, realizado nos anos 60 e que se debruçava sobre esta atividade dos portu­gueses.

“Vi um filme chamado White Ship, canadiano e filmavam o funeral de um pescador natural de Vila Praia de Âncora e perguntei se a família tinha ido lá. Quis saber a história daquele homem, se veio se não veio, se Portugal reclamou o corpo. Eram homens que viviam lá, punham uma cruz na sepultura...”

O documentário, que relata ainda a história trágica de Dionísio Esteves, pescador de Vila Praia de Âncora falecido em 1966 em acidente a bordo do navio Santa Maria Manuela tendo sido sepultado no cemitério de Saint John, no Canadá, implicou uma pesquisa muito elaborada das his­tórias e personagens.

“Este trabalho demorou 3-4 anos. Primeiro foi en­contrar a história e depois fomos atrás daquela famí­lia, ganhar a confiança da família, começar a procurar o fio condutor da história e depois fomos ao Canadá, levamos o melhor amigo do Dionísio ao Canadá, o senhor Celestino, que já tinha problemas de saúde”, afirma Magano.

Para além do já referido apoio do Consulado de Portugal em New Bedford e do Grupo Castelo, a RTP e as câmaras municipais de Ílhavo, Vila do Conde e de Caminha auxiliaram neste arrojado projeto de Pedro Magano.

“Foi custoso porque não tivemos muitos apoios mas foi graças à Academia do Bacalhau de New England e ao amigo José Castelo, que nos ajudaram a contribuir com um apoio monetário para o projeto, bem como a RTP que comprou, as câmaras municipais de Caminha, Ílhavo e Vila do Conde. Foi muito difícil levantar este projeto”, salienta Pedro Magano.

Por sua vez, José Castelo, presidente e gerente da firma Grupo Castelo, que apoiou também outro do­cumentário de Pedro Ma­gano intitulado “Irmãos” e exibido quarta-feira da semana passada no New Bedford Whaling Museum, salienta a ajuda de amigos e outros empresários da co­munidade a esta iniciativa.

“O ano passado alguém pediu a minha ajuda para concretizar este documen­tário e procurei alguns amigos, fizemos uma apresentação no Inner Bay, em New Bedford. Esta é na realidade uma história dramática e interessante dos pescadores, muitos dos quais sucumbiram.

Pedro Carneiro, cônsul de Portugal em New Bedford, que tem sido na realidade muito dinâmico e incansável no apoio a ou­tros projetos que divulgam e promovem a cultura portuguesa, reconheceu a ajuda de vários agentes da comunidade ao mesmo tempo que enalteceu a qua­lidade deste documentário.

“É verdade, mais um projeto, com muita honra muito orgulho, este feito em parceria, como todos os outros. O trabalho do consulado não é isolado, trabalhamos sempre em parcerias, desta vez com o Museu da Baleia, Art Institute, Castelo Group e órgãos de comunicação social da área. Mostramos o primeiro documentário IRMÃOS e agora este A UM MAR DE DISTÂN­CIA, que se debruça sobre uma dimensão da pesca ao bacalhau na Gronelândia e Terra Nova e numa pers­petiva um pouco diferente. Uma atividade perigosa, difícil, a que muitos portu­gueses não só lá como aqui se dedicaram. Um docu­mentário muito oportuno, atual e muito interesante para mostrar aqui nesta região”, disse ao PT o cônsul Pedro Carneiro.

De salientar que para além de um livro recente­mente lançado pelo escritor canadiano Jean Pierre Andrieux e que retrata a pesca artesanal do bacalhau por portugueses em águas da Terra Nova, foi inau­gurado em 2015 no Cemi­tério do Monte Carmel, em St. John’s, no Canadá, um monumento de homena­gem aos pescadores portu­gueses falecidos em águas canadianas.

 

• Reportagem: Francisco Resendes