“A Visão Madeirense da América”, novo livro de Duarte Mendonça, lançado em New Bedford

 

A convite do Consulado de Portugal em New Bedford e com o patrocínio da Azores Airlines, foi lançado quarta-feira da semana passada no Clube Madeirense do SS. Sacra­mento, o novo livro do es­critor e historiador madei­rense, Duarte Mendonça intitulado “A Visão Madei­rense da América”.

Trata-se de uma antolo­gia de 800 páginas que reúne crónicas de viagens realizadas através da América, da autoria de treze madeirenses que visitaram este país entre 1922 e 2009, e que deixa­ram para a posteridade, na imprensa madeirense de outrora, interessantes rela­tos do que viram e sentiram pelas terras do Uncle Sam.

Nesta obra encontram-se várias referências às comunidades portuguesas na América, com especial incidência nas radicadas em New Bedford e em Oakland, na Califórnia.

“Para mim é uma grande honra estar aqui esta noite. Este livro foi lançado no Funchal em julho deste ano para assinalar os 33 anos da assinatura do acordo de geminação entre New Bedford e Funchal. Esta cidade baleeira diz-me muito, adoro a comunidade e sinto que esse sentimento é recíproco e tenho feito alguns trabalhos sobre esta comunidade com o intuito de registar a sua história e para mim é sempre uma honra voltar cá e ser muito bem recebido por esta gente”, começou por dizer ao Portuguese Times e ao programa “NÓS”, do Por­tuguese Channel.

O livro é na realidade um trabalho inédito uma vez que nunca foram elabo­radas com uma certa pro­fundidade pesquisas e investigações sobre essas experiências e vivências dos madeirenses que aqui aportaram ao longo dos anos. Duarte Mendonça explica o conteúdo desta sua nova obra.

“Este livro é uma antolo­gia que contém crónica de viagens de consagrados autores madeirenses, que ao longo do século XX vieram ou passearam pelos EUA e então registaram as suas impressões pessoais das coisas que viram ao longo das várias décadas. É um trabalho inédito porque não havia livro que abor­dasse este assunto em que conseguimos ver o olhar madeirense sobre a realidade americana. Como todos sabemos, a Madeira foi durante muitos anos uma região subdesenvol­vida... Ao chegarem aqui aos Estados Unidos esses madeirenses depararam-se com autoestradas, trans­portes, edifícios arranha-céus e lá na Madeira claro que não havia nada disso. Essas pessoas vinham cá e depois publicavam regu­larmente essas crónicas nos jornais da Madeira. No fundo a finalidade da publicação destas crónicas era dar a conhecer àqueles que lá viviam, e que nunca de lá sairam, um país e uma realidade diferente e grande parte dos jornais daquela época não eram ilustrados, pelo que com estas crónicas ilustradas as pessoas ficavam com uma ideia mais concreta”, sa­lientou Duarte Mendonça.

Esse trabalho de pes­quisa, investigação e re­colha de dados importantes foi efetuado há 15 anos quando Duarte Mendonça, que durante alguns cola­borou no Portuguese Times com a sua apreciada coluna “Fórum Madeirense”, vi­sitou New Bedford.

“Isto tudo começou aqui em New Bedford, em 2002, quando estava cá na UMass Dartmouth a fazer pesquisa para a minha tese de mestrado. Foi nessa altura que descobri as crónicas do padre Alfredo, que re­gressou a New Bedford em 1939, depois ao regressar ao Funchal continuei com as minhas pesquisas e encontrei as crónicas do padre Mark Jardim, que veio cá em 1922 e depois há dez anos fiz uma pesquisa exaustiva no Jornal da Madeira e encontrei uma série de crónicas que este livro contém. Portanto são crónicas quase todas elas publicadas no Jornal da Madeira e vi que isto tinha de ser publicado em livro. Com esta nova obra tento trazer ao presente estes registos preciosos e valio­sos que nos dão um olhar diferente, um olhar madei­rense sobre a realidade americana”, explica o historiador e escritor madeirense, que recorda como aqui chegaram esses madeirenses no início do século XX.

“O que este livro tem de especial é que grande parte destes visitantes começam por desembarcar em New York, ao passo que hoje em dia desembarcam em Bos­ton e New York, embora aqui poucos, mas naquele tempo desembarcavam na Big Apple, aqui perma­neciam durante um ou dois dias e depois vinham para New Bedford onde estavam os amigos e também Oak­land, na Califórnia. Na al­tura eram as duas grandes comunidades de madei­renses que existiam na­quela altura nos EUA”.

O autor lançou este livro em New Bedford, assina­lando, como foi referido, os 33 anos da assinatura do acordo de geminação entre as cidades do Funchal e de New Bedford, havendo também o desejo de o fazer igualmente em Oakland, na Califórnia, mas que não se proporcionou, podendo no entanto acontecer um futuro próximo.

“Sim, gostaria de ir a Oakland, porque esta cidade celebra agora 50 anos em que assinou um acordo de geminação com a cidade do Funchal. Tentei obter uma resposta por parte da câmara de Oa­kland mas não tive su­cesso”, diz-nos Mendonça.

O livro foi lançado no Funchal tendo conhecido uma reação muito positiva por parte do público.

“No Funchal o lança­mento ocorreu no salão nobre da câmara muni­cipal, como não podia deixar de ser, em virtude de ser também assinalada essa data de 23 anos sobre a assinatura do acordo de geminação entre as duas cidades Funchal-New Bedford. Teve boa aceita­ção por parte do público que gostou do livro e ficou até surpreendida pelo grande volume de 800 páginas”.

Duarte Mendonça fun­dou o ano passado a Edi­tora Madeirense e cuja finalidade é precisamente publicar obras sobre te­mática madeirense.

“É uma edição minha, de autor. Criei uma editora o ano passado chamada Editora Madeirense, com a finalidade de publicar obras sobre temática madeirense, quer lá quer na diáspora e devo muito a esta gente aqui que me proporcionou o lançamento deste livro em New Bed­ford”.

Um registo que contribui certamente para reforçar e perpetuar a memória coletiva da comunidade madeirense nos Estados Unidos.

“Sim, este livro tem dados muito importantes sobre os madeirenses que se radicaram pelos Estados Unidos, sobretudo em New Bedford e Oakland, onde residem comunidades ma­deirenses. Há oito anos atrás lancei também aqui em New Bedford um livro intitulado “Da Madeira a New Bed­ford”, que aborda também a história da imi­gração madeirense para esta zona e este livro agora assume-se como natural comple­mento do outro, porque nesta obra há dados muito importantes para a história da imigração madeirense”.

 

• Texto e fotos: Francisco Resendes