Criada a Azores-Diaspora Media Alliance

 

II Encontro de Órgãos de Comunicação Social dos Açores e da América do Norte
 

O Governo dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades, promoveu a assinatura de memorado de entendimento entre o Portuguese Beyond Borders Institute (PBBI) e 19 órgãos de comunicação social (OCS) dos Açores e da diáspora, para a constituição da Azores-Diaspora Media Alliance (ADMA).
Esta plataforma terá como missão a partilha de ideias e de conteúdos entre os OCS dos Açores e da diáspora açoriana, estabelecendo sinergias e espaços de divulgação que promovam uma melhor compreensão dos Açores na diáspora e vice-versa.
Para além da Direção Regional das Comunidades e do PBBI, o memorando foi subscrito pelos órgãos de comunicação Açoriano Oriental, Antena 1 Açores, Diário Insular, O Jornal, Portuguese Times, Programa de Cá para lá, Rádio Açores TSF, Rádio Atlântida, Rádio Clube Português, Rádio Portugal Boston, Rádio Voz do Emigrante, Rádio WJFD, Revista A Praça, Revista Feel Portugal in the USA, RTP Açores, SPTV Television, The Portuguese Channel, Tribuna das Ilhas e VITEC Açores.
Assinado no passado dia 26 de outubro, na Biblioteca Pública de New Bedford, MA, por ocasião do II Encontro de Órgãos de Comunicação Social dos Açores e da América do Norte, o documento prevê a liberdade adesão de todos os OCS que assim o desejem à ADMA, que trabalhará sob a égide do PBBI, da Universidade Estatal da Califórnia – Fresno.
Para além do referido anteriormente, a ADMA pretende ainda ser uma rede de discussão e debate de questões profissionais e sociais, promover uma cobertura ampla dos Açores e da sua Diáspora, facultar fontes de informação e contactos aos seus integrantes, defender a cooperação reciproca entre os OCS, gerar novos conteúdos direcionados para açordescendentes que não comuniquem em português, estabelecer contactos entre o mundo académico dos Estados Unidos e do Canadá e os OCS, e incentivar os jovens a prosseguir carreiras no jornalismo, contemplando a possibilidade de criação de estágios.
A ADMA e a sua criação têm origem na sequência dos esforços de aproximação e de partilha entre os OCS dos Açores e da sua diáspora, promovidos durante o presente ano pelo Governo dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades, nos encontros realizados primeiramente nos Açores, em maio último na cidade de Ponta Delgada, e, agora, aqui em Fall River e New Bedford, dias 25 e 26 de outubro.

Portuguese Times ouviu alguns dos presentes colhendo algumas impressões:
Diniz Borges:
“Vejo isto não como um trabalho mas sim como uma missão no sentido de dar continuidade àquilo que vem sendo construído na diáspora açoriana ao longo de alguns séculos… Não consigo entender os Açores e a diáspora sem o esforço que é feito pelos órgãos da comunicação social nos Açores que dedicam espaço nas suas páginas, rádios e televisões para as vivências além arquipélago, porque, na minha perspetiva, defendo que os Açores são mais Açores com a sua diáspora”, referiu o professor Diniz Borges, diretor do PBBI (Portuguese Beyond Borders Institute da Universidade da Califórnia), na sua intervenção na abertura deste encontro de órgãos de comunicação social dos Açores e da diáspora na passada terça-feira, 25 de outubro, na Casa dos Açores da Nova Inglaterra em Fall River, agradecendo o trabalho de toda a comunicação social dos dois lados do Atlântico em prol de um maior conhecimento e divulgação dos Açores e da diáspora açoriana.
Francisco Viveiros, presidente da Casa dos Açores da Nova Inglaterra, dirigiu-se também aos presentes, tendo afirmado “ser um orgulho para a CANI poder receber jornalistas dos Açores e da diáspora unidos para uma causa comum, de divulgar a terra de origem e a sua diáspora e a esta casa tem sempre as portas abertas para iniciativas deste género”.
João Pacheco, conselheiro das Comunidades, na sua intervenção, na abertura do encontro, enalteceu o trabalho dos OCDS da diáspora na sua missão de unir as diversas comunidades e reforçar a sua identidade cultural nos EUA, tendo sempre em conta a sustentabilidade, o principal desafio destes instrumentos de divulgação. “Há jornais, rádio e canais televisivos que nos dias de hoje lutam para continuarem ativos e sobrevivem graças ao apoio do tecido empresarial luso, colaboradores voluntários e até mesmo empregados que trabalham horas extraordinárias”, afirmou Pacheco, para falar dos apoios (ou falta deles) do Governo português.
“Recordo que desde 1997, no primeiro Conselho das Comunidades Portuguesas, foram apresentadas várias moções de apoio a estes órgãos e mais tarde e sucessivamente ao longo dos últimos anos, e na verdade nada tem sido feito por parte do nosso governo português em apoiar estes órgãos de comunicação social que desempenham um papel muito importante na divulgação da nossa cultura e projeção das iniciativas comunitárias ligadas particularmente ao associativismo”, concluiu João Pacheco.
Por sua vez, Paulo Martins, conselheiro das Comunidades Portuguesas em MA, louvou a iniciativa da Direção Regional das Comunidades em aproximar os OCS dos dois lados.
“Como comunidade temos que ter peso perante Portugal, se bem que neste momento sinto que temos cada vez menos peso e influência perante Portugal e não sabemos exatamente que direção a tomar, o que me leva a concluir que Portugal olha para as comunidades de maneira diferente e penso que a comunicação social tem um papel importante para fazer com que o nosso peso comunitário possa chegar a Portugal”.
Rui Baptista, conselheiro das Comunidades da Diáspora Açoriana por Massachusetts, afirmou na sua intervenção: “Espero que este encontro seja frutífero para bem de todos e sublinho que a comunidade não seria a mesma sem o papel fundamental que os órgãos de comunicação social da diáspora desempenham nas suas respetivas comunidades, bem como a comunicação social dos Açores, que nos fornece o tal conhecimento do que é hoje a realidade açoriana”, concluiu Rui Baptista.
Márcia Sousa da Ponte, conselheira da Diáspora Açoriana em Rhode Island, agradeceu o convite por parte da Direção Regional das Comunidades sublinhando a importância desta iniciativa.
“É justo realçar o trabalho da DRA em prol desta iniciativa, de unir os órgãos de comunicação social dos Açores e da diáspora com a finalidade de proporcionar um trabalho de partilha, cooperação e intercâmbio, para bem da nossa comunidade e dos Açores”, disse Márcia Sousa da Ponte, adiantando que cabe à comunidade e aos seus agentes culturais, comunicação social em particular, unir esforços para a sua valorização e reforço da sua identidade cultural.
Depois seguiram-se intervenções, no primeiro painel, dos órgãos de comunicação dos Açores e tendo por lema a situação atual e as necessidades futuras da cooperação entre os OCS dos Açores e da Diáspora, de Paulo Simões, diretor do jornal Açoriano Oriental e da Rádio Açores TSF, de Ponta Delgada, de Paulo Correia, responsável da área de produção da RTP/Açores e da Antena 1 Açores, de José Lourenço, diretor do Diário Insular, de Angra do Heroísmo, de Paulo Feliciano, diretor da VITEC Azores TV, de Carlos Pires Antunes, diretor da Rádio Atlântida, de Ponta Delgada e finalmente de Susana Garcia, chefe de redação do semanário Tribuna das Ilhas, Horta, Faial.
Todos foram unânimes em enaltecer a iniciativa da Direção Regional das Comunidades, ao mesmo tempo que manifestaram alguma preocupação em conseguir levar à frente o desafio de atrair e motivar as novas gerações implicando consequentemente a utilização de outros idiomas, para além do português.
O segundo painel, com moderação do professor Diniz Borges, teve a seguinte constituição: Francisco Resendes (Portuguese Times), Lurdes Silva (O Jornal), Helena Silva (Portuguese Channel), Jorge Morais (WJFD), Frank Baptista (Rádio Voz do Emigrante) e Alberto Benedito (Rádio Clube Português e SPT TV, New Jersey).
Sustentabilidade, desafios para cativar e motivar as novas gerações, renovação tecnológica e descrição do que têm feito estes órgãos de comunicação social perante os seus respetivos leitores, radiouvintes e telespetadores, foram basicamente os temas abordados neste segundo painel.

 

“Costuma-se dizer que ninguém ama o que não conhece… Vivemos num tempo em que as pessoas têm a informação à distância de um “clique” e quanto maior for a informação maior é o conhecimento”

- José Andrade, Diretor Regional, das Comunidades do Governo dos Açores 

• Entrevista e fotos de Augusto Pessoa

José Andrade, diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores, esteve nos EUA à frente de uma comitiva de jornalistas dos Açores, para o II Encontro dos Órgãos de Comunicação Social dos Açores e da América do Norte, que ocorreu dias 25 e 26 de outubro em Fall River e em New Bedford.
Com os jornalistas da diáspora, juntamente com José Andrade estiveram Francisco Viveiros,presidente da Casa dos Açores da Nova Inglaterra e Diniz Borges, diretor presidente do Portuguese Beyond Borders Institute, da Fresno State University, Califórnia.
“Saio daqui muito entusiasmado, muito motivado com este encontro dos orgãos de comunicação diáspora e dos Estados Unidos, que foi muito interessante e muito importante. Tivemos o primeiro encontro em Ponta Delgada, este segundo aqui nos Estados Unidos numa partilha de conteúdos e intercâmbio, entre a comunicação social de lá e de cá e nós não perdemos tempo, sem arrefecer a ideia. E cá estamos juntando os diretores de cá e de lá, do qual já resultou uma plataforma de entendimento formalmente constituída entre jornais, rádio e televisão. Estamos esperançados em abranger outras áreas geográficas dos EUA. Tem sido através do jornais, rádio e televisão que conseguimos estreitar os laços à origem. 
Temos agora comunicação social como parceira de desenvolvimento e poder através dela mostrar cada vez mais as nossas realidades. E dando aos Açores um dinamismo que aqui se encontra cada vez maior”, disse ao PT José Andrade, diretor regional das Comunidades.
A importância dos conteúdos varia de acordo com as origens. Ouvimos um comentário na sala que justifica estas palavras, mas que não impediu o êxito do encontro.
“Já há muito tempo que se vinha a falar numa plataforma deste tipo. Eles é que vão decidir. Eles é que vão liderar. Uma solução que pode ser vantajosa para cada um. Mas o importante é colocar acima dos interesses empresariais as comunidades dos Açores e da Diáspora. Mas tudo isto se resolverá com o tempo. Terá de haver consenso e sensibilidade entre as partes envolvidas. Temos que ter em conta o que nos Açores interessa conhecer à diáspora e na diáspora aos Açores. 
Costuma-se dizer que ninguém ama o que não conhece. Vivemos num tempo em que as pessoas têm a informação à distância de um “clique” e quanto maior for a informação maior é o conhecimento”, concluiu José Andrade. 

No encerramento do encontro e numa demonstração de grande dinamismo, José Andrade resumia:
“Desde logo e sobretudo porque deles resultou a iniciativa, desde há muito ambicionada e só agora concretizada de criação de uma plataforma concreta de cooperação transatlântica… Agora esta plataforma pioneira de entedendimento e cooperação tanto pode ser uma ilusão efémera como uma duradoura realidade, concreta e consequente”.
E para concluir, o diretor regional das Comunidades sublinhou:
“Nos Açores, quanto mais conhecidas forem as nossas comunidades, mais estimada, considerada e respeitada será a nossa diáspora, como alás bem merece”.

 

• Reportagem: Augusto Pessoa e Francisco Resendes • Fotos: Augusto Pessoa