Vacina da Gripe e Alzheimer’s

 

 

Nestes tempos de “Fake News”, e de acesso fácil a milhões de leitores através de “Social Media”, muito se tem dito a respeito das vantagens e riscos de qualquer vacinação. Para informação do leitor, acontece que a “escola anti-vacinas” foi começada por um aldrabão a quem ninguém daria a menor atenção se não fosse o acesso fácil à atenção do público. Infelizmente é por vezes difícil para um técnico de saúde argumentar com quem se opõe a vacinas, pois tal como a política, o futebol, e a religião, as opiniões são difíceis de mudar e causa de muita discussão acalorada. Por exemplo, e este é um caso extremo, certos líderes religiosos do Taliban consideram as vacinas um plano dos países ocidentais para esterelizar ou mesmo matar muçulmanos, e com isso atacam centros de vacinação matando os técnicos que lá trabalhavam. Outros ainda consideram os programas de vacinação como mais um plano de promover os lucros das empresas farmacêuticas, à custa da saúde das criancinhas. A realidade é que as vacinas, desde a da varíola, à tosse convulsa, tétano, difteria, paralisia infantil, até à gripe comum salvaram milhões de vidas, especialmente as das vítimas mais habituais das pandemias – os mais pobres.
Voltando ao tema deste pequeno artigo, ao ler uma edição recente do “Psychiatric News”, publicado pela Associação Psiquiátrica Americana, achei que valia a pena usar a informação disseminada como exemplo de um possível benefício indireto desta vacinação comum. O autor começa por indicar que os pacientes que receberam pelo menos uma vez na vida a vacina da gripe poder ter menos risco de contrair a Doença de Alzheimer’s. Aparentemente, o risco reduz-se em mais de 25%, o que é muito significativo, e ainda mais em pacientes com diabetes, que é considerado um fator de risco grande para esta demência. 
A justificação para estes dados, que de outro modo não teriam qualquer relação, deve-se ao facto de que algumas doenças crónicas, como a diabetes, causam inflamação, e hoje sabe-se que uma situação inflamatória está na raíz, ou contribui substancialmente para o aparecimento da demência de Alzheimer’s. As chamadas placas amilóides no cérebro que caracterizam esta doença são devidas a um processo inflamatório. Por outro lado, qualquer infeção causa uma inflamação no organismo em geral, e conquentemente faz sentido que reduzindo o risco da gripe via imunização pode ter um grande benefício. Mais ainda, conforme envelhecemos o nosso organismo torna-se menos apto em combater as infeções, pelo que e apesar de mais estudos terem que ser feitos, a Associação Internacional de Alzheimer’s recomenda que todos os pacientes sejam encorajados a fazerem a sua imunização.
Se o leitor tem dúvidas sobre a segurança e eficácia das vacinas, a pessoa com quem deve conversar é o seu médico ou enfermeiro de família. Só eles têm as credenciais e experiência necessária a dar-lhe a informação certa sobre este ou outro assunto de saúde, e mais uma vez aconselho a ter um grande grau de desconfiança na dita “informação” que abunda em “sites” duvidosos da internet de hoje em dia.
Haja saúde!