O controverso saxofone

 

- o seu criador foi condenado a um triste fim –

NAZIS, SOVIÉTICOS E ATÉ O VATICANO, foram detratores do SAXOFONE. Que o diga o criador, condenado a um triste fim.

 

UM PERÍODO DE VIDA RELATIVAMENTE CURTO (179 anos passaram desde que foi inventado, algures na Bélgica) não impede o SAXOFONE de ser candidato a um dos instrumentos musicais mais polémicos da história. Banido pelas, Alemanha de Hitler, pela União Soviética de Estaline e temporariamente  -  pasme-se  -  até pelo Vaticano, a história deste instrumento de sopro compreende uma prodigiosa sucessão de êxitos e obstáculos que atirou o seu criador, Adolfo Sax  -  daí o nome  -, direto para o abismo- 
RECUEMOS, ENTÃO, até esse 1841 em que o belga de origem judaica, músico talentoso, exímio fabricante de instrumentos musicais, se saiu com a ideia, aparentemente insana, de colocar a palheta de um instrumento de sopro num corpo de latão. A invenção despertou uma paixão instantânea às bandas militares, mas também um desdém compulsivo à indústria de fabricantes de instrumentos então estabelecida. O desamor agravou-se quando Sax se mudou para França.
A CONCORRÊNCIA TORNOU-SE de tal forma feroz que, além de terem tentado roubar os projetos de Sax e incendiado a fábrica que este montou no país, os competidores diretos, chegaram mesmo, a tentar matá-lo. Não lograram os seus intentos, é certo, mas o pai do saxofone, não se livrou de um destino infeliz: foi duas vezes á falência e viveu, os últimos dias, na penúria.
QUANTO AO INSTRUMENTO EM SI, prosseguiu numa existência de altos e baixos. Na década de 1920, foi mais vendido do que a guitarra elétrica nos anos de 1960, mas a popularidade, saiu-lhe cara. Por o ver como um símbolo da música jazz, relacionado com a cultura afro-americana, a Alemanha nazi considerou-o, parte de uma “arte degenerada”. Foram tempos difíceis, perigosos até, para os saxofonistas.
E A HISTÓRIA DE INICIATIVAS PERSECUTÓRIAS não termina aqui. Também Estaline baniria o instrumento da União Soviética, pela conotação com a cultura imperialista americana. Além de ter sido riscado de todas as orquestras, chegou a valer, a uns quantos músicos, ordens de prisão (e até exílios!). Neste percurso acidentado, até o Vaticano chegou a vedar-lhe a entrada nas Igrejas. Ele resistiria bravamente ainda assim. Valha isso a Adolphe Sax.