As listas partidárias do Pai Natal

 

O bom velho de brancas e longas barbas ficou embasbacado, ao abrir um dos milhares de envelopes que recebe por esta altura do ano e dele retirar uma bonita lista cujo remetente – sucursal açoriana do Partido Socialista – nunca havia escrito até aos dias de hoje para o pólo norte, por serem laicos e limpos (ou assim o afirmarem). Era uma lista assinada por contestatários-membros partidários, que manifestavam democraticamente o seu descontentamento em face da escolha de Francisco César para encabeçar outra lista – esta mais frutuosa – para as próximas eleições legislativas do retângulo ibérico, bem como das suas possessões ultramarinas madeirense e açoriana. Como o Velho Natal (este era o seu nome corrente no meu tempo. Pai Natal é uma módice francesa) nunca se mete em políticas e muito menos interpartidárias, pediu-me para dar uma resposta, avisando-me de que estamos na época natalícia e que eu deveria ser o mais leve possível na crítica…
Nunca poderia recusar um pedido à pessoa a quem eu tanto pedi na minha meninice!
Em várias democracias assistimos a vários membros da mesma família ocuparem postos na política ativa ou em cargos públicos dos mais variados.
Surpreende-me, portanto, que dentro da sucursal nos Açores do Partido Socialista, as desavenças e controvérsias tenham despoletado pela escolha de Francisco César como cabeça de lista às eleições do final de janeiro próximo.
Para quem acompanha as intervenções no Parlamento da cidade da Horta, vê com os próprios olhos que um dos deputados que mais intervém, que mais trabalha e que mais tem dado frutos, é exatamente Francisco César. Só é pena que as discriminações positivas obriguem à estratégia de coesão insular e colocar incapacidades várias por simples nomeação, nesta e naquela direção regional, nomeações que são uma inveja à preguiça, à falta de imaginação, ao contar dos dias no Facebook até à chegada do novo salário, enfim a todo um rosário aflitivo, produto da escandalosa lei eleitoral que muito deve à Democracia.
O facto de Francisco César ser filho do segundo presidente dos Açores, nada tem a ver com o trabalho que se produz (ou não) naquela nossa Casa da Democracia.
Nos Estados Unidos da América, nada disso é visto negativamente. Aos americanos, aos alemães, aos ingleses ou franceses, só conta o que o político é ou não capaz de produzir.
Nos EUA (USA), a família Bush ocupou a presidência duas vezes (pai e filho), com outro filho como governador da Florida. Não levantou qualquer polémica. Mesmo em São Bento, o parlamento português tem familiares que saem e que entram. Temos ministras (socialistas) filhas de outros que já foram ministros.
Como acima afirmo: A formação das listas partidárias no sistema eleitoral em Portugal e nos Açores e Madeira por arrasto, sofrem por pecado original. Estão viciadas. É um sistema que só agrada a Troianos (políticos) mas desagrada a Gregos (povo). Enquanto formos uma partidocracia, com um sistema de listas preenchidas pelos partidos, em vez de um sistema uninominal, com deputados independentes, estas situações estarão sujeitas a acontecer. Mas mesmo noutro sistema mais aberto, os casos familiares podem acontecer, pois que a Democracia não pode discriminar ninguém, só por ter um pai ou uma mãe, primo ou irmão na mesma carreira política. A Família César participa ativa e civicamente na vida política e social, tanto nos Açores como a nível nacional. Oxalá muitos e muitos de nós o fizéssemos. 
Por outro lado, fico estupefacto ao ouvir o neossocialista Francisco Barros chamar arrogante e nepotista a Carlos César. Chamar isto a quem foi eleito democraticamente com maiorias absolutas para o PS, é o mesmo que encostar os eleitores que davam essas maiorias à barricada da estupidez. Santa ignorância.
Ou será que o senhor Francisco Barros não acredita na Democracia?
E se o Povo decidir eleger Francisco César no fim de janeiro? O que vai o senhor Barros chamar ao Povo? 
PS – O Velho Natal usou o lápis azul neste escrito. Como sabemos ele não é democrata. Governa uma grande parte do mundo há mais de 200 anos com o nome atual. É um grande consumista, capitalista e incentivador de enormes desperdícios. O seu maior rival e concorrente, por ironia, é o nascimento de uma criança a quem chamam Jesus. 
Este Velho Natal moderno e ditador, é uma americanização de um imigrante alemão que só bebia coca-cola. Detesto quando me censuram os textos. Mas condescendo com os idosos por não serem descartáveis.