Brumas políticas… a conta-gotas

 

 

O turismo provou ser um dos pilares mais importantes das economias insulares tanto dos Açores como da Madeira e até Portugal estava nos topos mundiais das preferências dos viajantes de todo o mundo.
Tudo parou nesse campo, principalmente nos Arquipélagos. E embora a Madeira tivesse esse ramo económico já bastante mais desenvolvido, os Açores sentiram-se profundamente, porque iniciavam de forma brilhante uma preferência especial pela sua esplendorosa paisagem. Os números de visitantes obrigaram investimentos de toda a ordem. A partir de 2014, a euforia tomou conta de tudo o que girava à volta da galáxia turística. Foram criados milhares de postos de trabalho e tudo começava a dar um brilho especial de bem-estar, com melhoras da qualidade de vida para todos. Faltava mais preparação em muitos casos, mas tudo evoluía em conjunto e as iniciativas foram convergindo para as necessidades. O tempo faria o resto.
Os mais jovens viram imensas oportunidades e muitos deles investiram e criaram empresas e postos de trabalho com tudo o que tinham.
A partidocracia do retângulo ibérico pela primeira vez apresentava um saldo positivo nas contas públicas e o futuro próximo refletia-se risonho. Os impostos começavam a encher os cofres do estado. O ministro das Finanças seria premiado: Governador do Banco de Portugal, com salário mais do que triplo. 
Com o tsunami económico-financeiro que se seguiu, tudo começou a desabar.
Por entre os escolhos do desastre, estão aqueles que escolheram ser Guias Turísticos. Um modo de vida essencial no ramo. Nas entradas dos aeroportos ou dos portos marítimos, lá estavam a receber quem nos visitava, para os conduzir por entre as belezas que a pródiga Mãe-Natureza lhes oferecia.
Onde estão agora? Que é feito deles?
Estão na espectativa que os políticos e governantes lhes prometeram. Os milhões em pacotes de medidas. Praticamente nada até esta data. Promessas não se comem nem pagam renda de casa e tudo o resto. 
Hotéis, restaurantes, bares, cafés, todo um enorme polvo que o turismo criou, está moribundo. Esperou, em vão, pelas falsas promessas dos governos. Todos os tentáculos estão em mortal agonia. Contribuíram com centenas de milhões de euros em impostos, taxas e segurança social ao Estado. Provocaram o maior bum económico dos tempos modernos. Agora estão entregues a si próprios.
As promessas foram rápidas a anunciar, para evitar revoltas. Mas as ajudas reais caem a conta-gotas. Se fossem contributos para os cofres dos partidos ou votação parlamentar sobre aumento de salários dos deputados, as decisões seriam quase instantâneas.  
Os pacotes de medidas de apoio são aprovados apenas para fazerem parte de comunicados à imprensa e não passam disto. Distribuem míseros euros para justificarem que deram. Mas deram o quê? Meia dúzia de papos-secos a cada?
E publicam nos jornais os totais que (obviamente) somam milhares, carregados de enorme burocracia para o acesso aos mesmos. Mas não publicam o que pagaram a cada cidadão. É tão ridículo e vergonhoso que não convém. 
Seria mais honesto dizer que não têm dinheiro para todos. Mas têm. Nem que para tal emergência fosse necessário ir à banca até chegar a famigerada bazuca de Bruxelas.
Ou então reconheçam que a vacinação em massa seria a única salvação, mas não há vacinas. Tem sido um desastre o programa de vacinação europeu. A EU falhou em todos os cantos. As grandes produtoras europeias estão a exportá-las para quem dá mais e Portugal recebe-as desoladamente e a conta-gotas por ser um irmão pobre e sem influência. Para as Ilhas pior ainda. Vêm as que são decididas em Lisboa: Menos do que o conta-gotas de António Costa. 
Porque não vacinaram completamente a Vila de Rabo de Peixe? 

Felizmente que teremos contas de votos a fazer nas urnas eleitorais lá pró fim do ano… e não serão a conta-gotas.