Os rombos da democracia portuguesa

 

 

Entre várias, há uma sondagem que dá ao partido ‘Chega’ 20% de apoio popular neste momento. 
Sendo um partido político nascido recentemente, não deixa de ser curiosa a sua rápida ascendência na sociedade portuguesa. E se este partido sobe, alguém está a descer. E de fato outras forças partidárias – senão todas – estão a sentir-se desta reviravolta e a ficarem preocupadas.
Mas este ou qualquer outro partido só nasce no seio de uma democracia. Se não tivéssemos um sistema livre e democrático, nenhuma força ideológica poderia ver a luz do dia.
Razão pela qual serem estéreis as críticas e os ataques cerrados que a esquerda radical decidiu encetar contra a existência do ‘Chega’, indo ao ponto de lhe chamar ‘fascista’. Mas isso não me surpreende. Para os comunistas, tudo o que não seja marxista é fascista. Sendo que eles próprios, comunistas, se um dia a democracia lhes deixasse exercer plena governação, seriam igualmente fascistas, mas da extrema-esquerda, isto é, ditadores. Os ditadores nascem nos dois extremos.
Mas voltando ao partido de André Ventura, o ‘Chega’, notamos que o povo português está saturado dos abusos cometidos por alguns dos seus “democratas” do topo da pirâmide, nos três poderes importantes para a democracia portuguesa:
No poder político, temos o caso Sócrates, ex-primeiro-ministro, acusado de vários crimes e que não vou aqui repetir, por ser do conhecimento geral. Antes deste caso, já outros haviam acontecido, sem que nada se passasse. Nem uma demissão do cargo;
No campo financeiro, temos o caso do Banco Espírito Santo e do seu principal executivo Ricardo Salgado, a quem muitos políticos prestavam vassalagem. Acusado de vários crimes com prejuízos de centenas de milhões de euros, o caso corre ainda nos tribunais e levará tantos anos que mais uma vez, ninguém será efetivamente punido;
Por fim, temos agora a casta dos magistrados a ser posta em causa, com as acusações a alguns juízes sobre crimes igualmente muito graves.

Daqui se compreende que a própria democracia tenha gerado estes maus exemplos e agora esteja a tentar um antídoto para se curar deles. 
São infundados portanto, todos os protestos, pragas e lagartos por parte do PCP e do Bloque de Esquerda contra o líder do ‘Chega’. Essa indisposição angustiante chama-se medo.
Tudo se resume ao apego ao poder. A perca da influência socializante que temos vindo a assistir desde o golpe de estado de 25 de abril de 1974. 
Mas se houver eleitores que troquem de partidos, isso só representa a incapacidade política de uns perante as promessas de outros. 
Afinal, em campanha todos prometem tudo, sabendo que mentem.
O povo está cansado de tanta vigarice a todos os níveis.
É por isso particularmente grave para a democracia portuguesa estas acusações agora surgidas a alguns juízes.
Afinal, depois de abusadas todas as barreiras da política e da finança, restava-nos o apego ao sistema judiciário – à Justiça.
Com mais este rombo na última barreira democrática, não admira que o desalento e o desânimo atinjam a confiança do cidadão e por isso mesmo proteste em diferentes direções ideológicas.
Acredito no entanto na democracia, pois esta reside na sua força fundamental: O Povo.