2020 – ano de perdas, do (quase) nada e eleições Renovada esperança para 2021

 

 

Para além da pandemia, o acontemento de realce neste ano a findar, de que falaremos abaixo, 2020 fica marcado pelas eleições presidenciais e legislativas nos Estados Unidos. Qualquer eleição presidencial neste país faz parar o mundo, tratando-se da nação mais poderosa e influente do planeta. E foi isso o que aconteceu. O país conhecerá novo rumo e espera-se agora que os nossos representantes cumprem ou pelo menos correspondam às expetativas do eleitorado americano.
Mas o ano que agora findou ficará para sempre marcado na história da humanidade como o ano da pandemia do covid-19, em que muitos familiares perderam os seus entes queridos e amigos e redefiniu a forma de relacionamento e vivência. Em consequência disso, na vertente económica e social, registaram-se estragos irreparáveis, pois nada será como dantes: muitas empresas fecharam definitivamente a porta, outras, na luta pela sobrevivência, tiveram de “apertar o cinto” seguindo e cumprindo restrições impostas pelas autoridades, na tentativa de conter a disseminação deste terrível vírus, que, ao que parece, veio para ficar, mesmo com a atenuante do surgimento da vacina. Aqui sublinhe-se que se tratou de uma vitória importantíssima da comunidade médica e científica, ao conseguir introduzir esta preparação biológica que fornece imunidade adquirida ativa no combate a este vírus e que normalmente demora alguns anos a ser preparada, aprovada e lançada no mercado. Em tempo recorde, 10-11 meses, surgiu a vacina e com ela a luz e a esperança de que os próximos tempos serão mais prósperos em todos os aspetos. Sem dúvida uma conquista sem precedentes na história da humanidade. Tudo isto graças ao esforço e sacrifício dos peritos e cientistas que trabalharam incansavelmente no estudo, pesquisa e produção de uma vacina. Bem haja a todo este pessoal da chamada linha da frente, muitos dos quais portugueses e lusodescendentes, que nos permitem ver assim luz ao fundo do túnel. 
Mas, atenção, haja prudência, bom senso e... paciência, porque ainda não estamos fora do combate e, segundo as autoridades de saúde, os próximos dois meses serão muito difíceis.
Escusado será dizer que a comunidade portuguesa desta região não escapou a este flagelo humano, social e económico. Para além do drama humano da perda de vidas, muitos cairam na situação de desemprego sendo confrontados com situações extraordinariamente difíceis. 
Foi efetivamente nestas situações de extrema dificuldade que se viu e constatou aquilo que a comunidade é realmente fértil: benevolência, solidariedade e união. Foram diversos os gestos de auxílio e solidariedade traduzidos em diversas campanhas humanitárias ao longo do ano e que a maioria delas este semanário testemunhou e registou. Neste aspeto a comunidade ficou claramente mais rica de princípios e valores básicos humanos demonstrando ser fraterna e solidária.
Na componente cultural e de vivência comunitária foi o ano do nada, do tudo cancelado, não obstante algumas iniciativas que fazem parte do calendário anual comunitário, terem sido reduzidas à sua verdadeira e real essência, como foi o caso das Grandes Festas do Divino Espírito Santo da Nova Inglaterra, que a comissão organizadora liderada por Duarte Câmara entendeu, e muito bem, não prescindir da vertente mais importante e essencial das festas: a caridade, traduzida na distribuição de pensões, o mesmo podendo dizer-se em relação à Sociedade Cultural Açoriana em Fall River e ainda à paróquia de Nossa Senhora do Rosário em Providence, que, cumprindo as restrições impostas pelas autoridades, levou a efeito a festa em honra da sua padroeira.
Saliente-se ainda o espírito de sacrifício, dedicação e esforço redobrado nesta luta pela sobrevivência de algumas das nossas estruturas associativas, que conseguiram manter de pé alguns serviços essenciais. Não temos dúvida de que algumas destas organizações têm a sorte de ter à frente dos seus quadros gente de pujança, de garra e de sentido de comunidade. Já se vê luz no horizonte, mas é preciso tempo e paciência para a recuperação, porque não se prevê que nesta primeira metade de 2021 a atividade associativa regresse na sua força normal.
Muitas destas associações e iniciativas empresariais são pilar de sustento das tradições lusas e não só. São também a base de sustento para outras iniciativas lusas nos EUA: refiro-me particularmente à comunicação social, que não pode sobreviver sem esse apoio. Graças a esse constante patrocínio, apraz-nos registar que nenhum dos nossos parceiros da comunicação social teve de fechar a porta. E todos eles são muito importantes para a comunidade, neste contexto de informar, dignificar, preservar, divulgar e promover as iniciativas que visam o reforço de uma identidade cultural, ao mesmo tempo que servem de instrumentos de integração a esta sociedade que um dia nos acolheu de braços abertos. 
Por isso, muito obrigado, na parte que nos cabe, por todo esse apoio a este veículo informativo, sinal vivo da presença portuguesa nesta região e património importante da comunidade. Sim, o Portuguese Times é um arauto das iniciativas comunitárias, está profundamente ligado e identificado com a comunidade portuguesa e será sempre assim, pelo menos enquanto houver leitores, assinantes e patrocinadores. O jornal, a rádio e a televisão são parte desta família comunitária: em lares de repouso, em estabelecimentos prisionais, hospitais, estabelecimentos comerciais, locais de convívio, organizações, escolas, residências, etc., há gente que gosta de ler, ouvir e ver aquilo que vem expresso em português. Esta ligação afetiva à comunidade é um incentivo para continuarmos. Muito obrigado.
O pessoal responsável por colocar o jornal na rua merece naturalmente uma palavra de apreço e de incentivo para continuar esta tarefa nada fácil de fazer jornais em língua portuguesa nos Estados Unidos. Mas sem leitores e patrocinadores nada feito. 
Muito obrigado por tudo isso.