Cóboiadas

 

Muitos foram os westerns a que assisti no cinema durante a minha juventude. E, nos tempos que correm, não deixo de vibrar de quando em vez com uma boa cóboiada no pequeno écran. Foi o que aconteceu recentemente quando, na RTP/Memória, (r)evi o filme Johnny Guitar, de Nicholas Ray.
Aliás, ultrapassada a faixa etária dos 6 anos, o primeiro filme que vi aos 12 foi precisamente Rio Bravo, com o incontornável John Wayne. Depois apreciei outras fitas de cowboys (quase todas realizadas por John Ford) e cujos títulos e enredos ainda hoje guardo na memória: Aconteceu no Oeste, O homem que matou Liberty Valance, Rio Lobo, Butch Cassidy, Sete homens e um destino…
Os cowboys eram imaculados, elegantes e sorridentes, montavam cavalos, laçavam reses e partiam à desfilada... A par de galopantes paixões, quase sempre bem correspondidas por castas noivas ou esposas submissas, havia as grandes confusões: murros, pancadaria, tiroteios, sangue e saloons escavacados pelos maus da fita… 
Era no tempo do Oeste e das suas cidades perdidas. Havia as caravanas, as diligências e os comboios a serem assaltados por bandidos e outros malfeitores. Havia também raptos, mortos e feridos, ululações e frechadas dos índios, tiros certeiros das infalíveis Winchester… O herói, “rosto pálido”, era o bom, e o índio, “pele-vermelha”, o vilão. Não sabíamos então que os índios haviam sido dizimados pelos americanos, e desconhecíamos muitos outros contextos históricos. De resto, a palavra genocídio não fazia ainda parte do nosso léxico…
A par dos filmes, eu devorava álbuns de banda desenhada e, em matéria de coboiadas, os meus preferidos eram os de “Buffalo Bill”, “Texas Jack” e “Xerife”.  Eu associava o John Wayne das fitas a cada um daqueles míticos heróis dos “quadradinhos”.
Nos filmes de cowboys havia outros atores de nomeada como James Stewart, Kirk Douglas, Yul Breyner, Steve McQueen, Burt Lancaster… E depois seria a consagração de Clint Eastwood e do realizador Sergio Leone com o surgimento dos chamados western spaghetti – subgénero do faroeste que se refere aos filmes que, além de um orçamento bem menor do que os de Hollywood, eram gravados em italiano: Por um punhado de dólares, Era uma vez no Oeste, O bom, o mau e o vilão… 
E para essas longas-metragens surgiram as mais icónicas trilhas sonoras da história do cinema, nomeadamente as que foram compostas por Ennio Morricone.
Não são muitos os nomes de atrizes protagonistas desses filmes que retenho na memória. Mas, já adolescente espigadote, não me esquecerei do filme As petroleiras, nem da beleza estonteante de Brigitte Bardot e Claudia Cardinale, hoje respeitáveis octogenárias…

Tempus fugit…