Batem… batem… que ele aguenta!...

 

 

Batem… batem neste povo
Por este mundo a lutar,
Já cansado de chorar
E continua lutando.
Tanto o velho como o novo,
Anda preso, algemado,
Com uma corda amarrado
Mas, que se vai desfiando!…

E quando a corda desfia
A féra do povo atua,
Levanta-se e vai p’ rá rua
Gritar todos seus direitos,
Aí, como cortesia
Vem a tropa à cacetada,
Põe todos em debandada.
É assim que são aceitos!…

Não lhe chamam ditadura,
Esta maneira de agir,
Fazendo o povo fugir
Como um Sansão derrotado.
Duma maneira bem crua
Usam balas de borracha, 
Gases e, quando alguém acha!
Tipo de bala é mudado!…

Quando o povo vai votar,
Vota sempre nos que são
Pelo povo e a Nação,
Conforme a propaganda.
Com o fito d’ ajudar.
Depois de, bem lá metido,
O povo é esquecido,
ELE, é senhor, é quem manda!…

Mas antes, quando ele queria
Chegar lá ao pedestal,
Era tão cheio de moral,
Até beijava as crianças
E para todos sorria.
Mas isto, só na altura,
Depois somente procura 
Os tais senhores das finanças!…

Não precisamos de afagos,
Mas queremos ser tratados
Bem, porque foram votados,
Foi para nos defenderem,
Os funcionários são pagos
Pelo dinheiro do povo,
Sabemos bem, não é novo
Precisa é eles saberem!…
É triste o que acontece
Sem que haja uma razão,
Porque o POVO é a NAÇÃO
E ele anda sempre oprimido.
Dum modo que não merece.
Mas, p‘ra muitos governantes,
Somos somente habitantes,
As nações, são os Partidos!...

Isto é, no mundo inteiro,
Vota-se por qualquer banda,
Mas o Partido é quem manda,
É ele que tudo ordena!
Também o mandão “dinheiro”
Quando entra no conteúdo,
Compra a Lei, compra tudo,
Faminto como uma Hiena!…

Hoje, é a maior peçonha,
Um ridículo Universal,
O cancro, um grande mal
Que já arrasou nações.
A maior pouca vergonha
Que, já parecia Lei,
E quando vai parar?… Não sei!
Enquanto houver Comilões!…

P. S. 
A Propina...

A propina atualmente
É um vício que domina,
Tal e qual a cocaína,
Não é fácil de parar.
Ela ainda está patente
E quem está habituado
Nunca a vai por de lado,
Não a podem dispensar!…
Tal e qual como outra droga,
Ela cega a pessoa,
Mesmo sendo gente boa,
Vai aceitar, pelo visto,
A primeira vez afoga,
Depois, então já faz parte
Do governo, ou qualquer arte!
Dinheiro?!… até vendeu Cristo!…

De maneira desmedida,
Batem, mas o povo aguenta
Gemendo em surdina tenta
Deitar a bílis p’ ra fora.
Até que a corda é mordida,
Pois, ela vai desfiando,
Fio por fio rebentando,
Aí então chega a hora!…

Por vezes se exagera
Por ter no peito, atrevida.
Uma Fera adormecida.
E, quando este Fera acorda,
Raivosa, não considera
Gesticula, desarvora,
Deitando a bílis p’ra fora
Sem temer nada que o morda!…

Eles batem, ele aguenta,
Até que um dia, rebenta!…