Nem tolos, nem esquecidos!

 

 

Os líderes nacionais das forças políticas são sempre bem-vindos às nossas ilhas, como qualquer outro cidadão, desde que venham com espírito de conhecer a nossa vivência, os nossos problemas e, sobretudo, o quão a República nos é madrasta em tantas situações.
Rui Rio resolveu visitar o Faial e Pico, para “ajudar” o líder regional, José Manuel Bolieiro, a “convencer os açorianos de que vale a pena mudar” o partido que governa a região.
Está no seu pleno direito. Mas os açorianos não podem esquecer que foi o mesmo Rui Rio que recusou colocar um açoriano do PSD em lugar elegível para o Parlamento Europeu, ao dizer que a nossa região não valia mais do que 12 mil votos, e rematando de seguida: “Não é uma fortuna”! 
Veio agora à procura da “fortuna”? Em política convém ter memória e escrutinar a enorme hipocrisia e mentira em que se envolvem muitos dos seus agentes. Vasco Cordeiro ripostou com razão: “os açorianos não são tolos!”  O problema é que não são tolos apenas para aquilo que se faz e diz com os líderes de lá de fora. Também não são tolos para o que se diz cá dentro.
Os açorianos não são tolos quando nos querem convencer que houve uma baixa do desemprego em plena pandemia e não esquecem que os 85%  que o  Governo da República assumiu “sem reservas do dever de solidariedade” para a reconstrução dos estragos pelo furacão Lorenzo, afinal vêm da solidariedade europeia, misturados, ainda por cima, com as verbas para recuperar a economia no  contexto da pandemia.
Do mesmo modo, não nos esquecemos que foi António Costa que permitiu a entrada da covid nos Açores, no auge da pandemia, ao obrigar a TAP a voar de Lisboa para cá, por uma questão de teimosia imperial em manter a “continuidade territorial”.
Foi ele, ainda, que nos prometeu uma cadeia nova, que não passa de um negócio misterioso de bagacina, e assinou outra promessa, em Fevereiro deste ano, para atribuir 1,2 milhões de euros por ano para a Universidade dos Açores que, afinal, nunca veio. Ficamos a aguardar quais serão as próximas promessas numa eventual visita de campanha.
Portanto, não esquecemos Rio nem Costa.
Para compor o ramalhete, só falta a visita de Marcelo, o mesmo que ajudou à missa na tal “continuidade territorial”, que veio tarde e a más horas mostrar solidariedade ao Lar de Nordeste, prometendo que regressaria em férias em Agosto, mas trocou os nordestenses pelas praias douradas de Porto Santo...
Estão todos bons uns para os outros, como se viu agora na escandalosa mudança do Presidente do Tribunal de Contas. 
Fazer política assim não deve ter muitos apreciadores por cá, pelo que visitas destas são tiros nos pés dos líderes locais, que, ingenuamente, aceitam estas “ajudas” plenas de hipocrisia.
Depois não querem que digam que são todos iguais.

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FUI AO PICO E PIQUEI-ME - Há um pormenor curioso no programa da visita de Rui Rio ao Faial e Pico.
O líder do PSD foi apresentar cumprimentos ao Presidente da Câmara da Madalena, mas não fez o mesmo com o Presidente da Câmara da Horta, nem com as outras câmaras picoenses.
A diferença é que o da Madalena é Vice-Presidente do PSD-Açores. As outras são todas socialistas.
A discriminação é reveladora do estado do PSD: quanto mais anos na oposição, menos aprende.


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BAILINHO TERCEIRENSE - Artur Lima deu um bailinho à moda da Terceira a Vasco Cordeiro no frente-a-frente televisivo.
O líder do PS mostrou-se desgastado e cansado, numa prestação que ficou marcada por uma frase que diz muito de uma certa impotência do Presidente do Governo para solucionar problemas das pessoas.
A propósito do caso concreto de uma doente, que espera há mais de 500 dias por uma consulta de dermatologia na Terceira, Vasco Cordeiro descaiu-se: “não devia acontecer”!
 O caso é público e tem merecido longas reportagens na imprensa regional como exemplo do enorme problema que os açorianos estão a enfrentar no caótico sistema de saúde regional.
Um líder de um governo que reconhece que “não devia acontecer”, quando é a primeira entidade com o poder absoluto para resolver estes casos, é porque  já não consegue resolver coisa nenhuma.
Assim vai esta região, onde tudo acontece... mas “não devia acontecer”.