A política Ferrero Rocher

 

A política portuguesa, incluindo a açoriana, sofre da síndrome das ofertas de Natal.
Não sabe o que oferecer ao familiar ou amigo? Pois sai uma caixa de Ferrero Rocher!
A política está igual, como temos visto nos sucessivos debates, com muita falta de imaginação e onde se recorre, permanentemente, à  proposta mais banal como o chocolate italiano.
Já não há bombom a que o eleitor possa cobiçar, ou confiar, tal é o discurso diarreico da classe política, recheado de promessas velhas como os 75 anos do bombom natalício mais banal.
Por cá, vamos na mesma senda.
A coligação, que se tem mostrado um autêntico Ambrósio em matéria de inovação, resolveu nos últimos dias recorrer à política fantasma, nomeando pessoas que deviam estar a tratar dos netos e dar lugar a outras gerações.
A coligação não se pode queixar, nesta entrada do novo ano, do sofrimento que é dar tiros nos pés, que é como quem diz, comer apenas a crosta do chocolate, deixando o miolo para as justas críticas dos partidos da  oposição. 
O problema é que todos os partidos têm os seus Ambrósios, sempre prontos a servir a velha senhora, em nome das achocolatadas mordomias.
Alguns deles andam agora a reabilitar o primeiro-ministro António Costa, um dos piores que a nossa Autonomia teve de aturar. O tal que prometeu mais de 1 milhão de euros anuais para a Universidade dos Açores, já lá vão quase dois anos, sem que cumprisse com uma simples pitada de avelã.
É o mesmo que impôs a abertura dos aeroportos açorianos no auge da pandemia, em nome da coesão territorial, mas agora não aplica ao território da coesão os apoios aos empresários açorianos no aumento do salário mínimo, fazendo uma lei dedicada exclusivamente aos empresários continentais.
Já para a defunta proposta da Lei do Espaço não se esqueceu do território da coesão, tornando-nos mero espectadores perante os centralistas deste mandato desastroso.
Este é o primeiro-ministro que teima em não cumprir a lei em relação ao pagamento dos ex-trabalhadores da Cofaco, apesar da verba estar inscrita em Orçamento de Estado.
Foi este governo da República que prometeu 3 radares meteorológicos para a nossa região e em seis anos apenas entregou um!
A nova cadeia, em seis anos, continua embrulhada em bagacina tórrida, envolta em papel tão lustroso como o famoso chocolate de 72 calorias.
Em seis anos não conseguiu cumprir as obrigações de serviço público para transporte de carga aérea, enredando-se num processo tão mal conduzido pelo seu famigerado ministro da tralha ferroviária e da funesta TAP. O mesmo que chamou ao subsídio de mobilidade “um esquema absurdo e ruinoso para as finanças públicas”, sem que conseguisse alterar nada na meia dúzia de anos de governação.
Andaram a prometer o reforço dos meios humanos e equipamentos para as forças de segurança e, afinal, somos nós, a região, que damos viaturas e computadores para dignificar o trabalho dos profissionais das forças militarizadas.
A prometida ampliação da pista da Horta lá continua inscrita de orçamento em orçamento e não se admirem se, nesta campanha eleitoral, voltar a figurar na lista de promessas.
A limpeza ambiental da Base das Lajes e os 167 milhões de euros incluídos no saudoso PREIT é só mais uma para a colecção da má consciência deste grande génio que se despede da governação, sem saudades, que é o Ministro dos Negócios Estrangeiros.
A lista é tão extensa e tão refinada como o bombom que nasceu em 1946.
Tudo isto é tão bolorento como as promessas que vamos ouvindo, mais uma vez, por estes dias, comprovando a decadência em que se encontra o nosso país, com os mais pequenos do leste a ultrapassar-nos a todos os níveis. Por isso, no dia 30, vai ou não dizer que lhe apetece algo?