Causa para confusão

 


Eu sempre julguei que neste país havia a separação da Igreja e do Estado, mas por razões para mim desconhecidas, a Diocese de Fall River participou no “Paycheck Protection Program”, cuja finalidade é óbvia pelo título do programa e foi-lhe atribuída uma certa quantia que a diocese se recusa a divulgar porque afinal tudo que diz respeito a finanças é sempre um segredo que os lideres desta instituição religiosa teimam em manter. Não vou explorar as razões para tal procedimento porque já o fiz anteriormente em outros casos e o resultado foi ser chamado anti-católico por pessoa que nem teve a coragem de se identificar.
Mas voltando ao assunto em questão, tenho o direito de fazer perguntas, especialmente neste caso, porque o dinheiro dado à diocese é dinheiro pertencente à população em geral, porque advém dos cofres do governo federal, no qual são os contribuintes que pagam taxas e como tal têm o direito e o governo a obrigação de nos informar como as nossas taxas são usadas.
Como pode portanto uma instituição religiosa, que está isenta de impostos, poder beneficiar de um programa governamental para o qual em nada contribuíu? O que aconteceu à separação da Igreja e do Estado?
Porque tudo é segredo, porque tudo é feito atrás das cortinas dentro da diocese torna-se difícil explicar a razão porque esta participou naquele programa federal. No entanto posso afinal, sem medo de errar, que a diocese não tem falta de fundos se considerarmos que nos últimos seis anos impôs uma “taxa”  de $28,113.00 por ano às 96 paróquias da diocese e se multiplicarmos essa taxa annual por 96 dá a bonita soma de $16 milhões no período de 6 anos, e isto apenas numa simples forma de adquirir dinheiro dos fiéis, porque a diocese tem outras formas de adquirir fundos dos quais viveu muitos anos antes de impor a referida taxa. Necessito esclarecer que esta taxa varia de paróquia para paróquia, portanto os 16 milhões mencionados são apenas uma estimativa.
Não seria formidável se os líderes da diocese viessem a público e fossem mais abertos para com aqueles que, semana após semana, mês após mês, e ano após ano, contribuem cegamente para o bem estar da sua paróquia e da sua diocese? Não seria tão bom se houvesse mais transparência, mais honestidade e até mesmo mais boa vontade da parte dos nossos líderes religiosos e dizerem àqueles que trabalham arduamente para apoiar as suas famílias que o seu contributo está a ser usado como Cristo um dia disse: “Dai de comer a quem tem fome, dar roupa a quem não tem que vestir, dar abrigo a quem não tem casa”. Desafio portanto os líderes da Diocese de Fall River a mostrarem que nada têm a esconder, que não vivem em luxo, que não viajam de férias para os seus países de origem à custa daqueles que contribuem para uma instituição que tem obrigação de viver uma vida modesta como Jesus quando veio ao mundo para nos salvar de indivíduos mal intencionados.

 

António Teixeira - Fall River, MA