A igreja de Nossa Senhora dos Milagres

 

 

A igreja de Nossa Senhora dos Milagres, um edifício construído em finais do século XVIII é desde há seculos o principal local de culto dos Corvinos. Esta data é confirmada, não só por vários historiadores, como também por uma inscrição, gravada numa placa em pedra existente por cima do portal da entrada principal com a data de 1795.
O edifício está ligeiramente elevado em relação à rua e inserido num adro cujo pavimento é em calhau rolado delimitado por várias faixas de pedra aparelhada.
Toda a construção é em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco, com excepção do soco, dos cunhais, da cornija e das molduras dos vãos que são pintados de cor cinzenta. 
É composta por três portas em madeira, sendo a principal  virada  a Leste, uma a Sul, outra a Norte e de duas de menor dimensão que dão acesso, uma à Sacristia e a outra  à arrecadação.
Sobre a porta principal e as portas laterais existem duas janelas em madeira e em forma de guilhotina.
No lado direito, apresenta uma torre sineira de planta rectangular com dois sinos e a sua cobertura é de duas águas em telha de barro de meia-cana.
A igreja, no seu interior, é constituída por uma nave única, com o chão em madeira, de pinho resinado, um corredor central, em pedra de basalto a separar as duas filas de bancos construídos em madeira de carvalho. Estes bancos chegaram à igreja em finais dos anos sessenta do século passado, graças ao padre Eugénio Coelho de Rita que sensibilizou o seu primo José Rita, emigrado na cidade de New Bedford, estado de Massachusetts, Estados Unidos da América, para a necessidade de dotar a igreja de bancos.
José Rita, conjuntamente com outros Corvinos emigrados naquele país, reuniram esforços e adquiriram vários bancos numa Sinagoga Judaica. Depois de os embalarem, enviaram-nos para a ilha do Corvo, e que se mantêm até aos nossos dias.
Alguns dos habitantes mais idosos da ilha do Corvo ainda se  lembram de não existirem bancos na igreja e dos primeiros que ali foram colocados, não satisfazerem em número e qualidade. Só com a chegada dos bancos enviados pelos emigrantes é que passou a haver melhores condições de conforto para as pessoas que frequentavam o templo assistirem às diversas cerimónias religiosas.
A igreja é dotada de uma Capela-Mor, um Altar-Mor em talha dourada, dois Altares laterais, um Altar de Celebração em madeira de mogno, uma Sacristia, um Baptistério e um Púlpito 
Do lado oposto ao Baptistério existe uma escada em caracol que dá acesso ao Coro e à Torre Sineira.
O frontal do Coro é composto por tornos de madeira em pinho resinado que fazem uma bonita curvatura.
Ao fundo da Capela-Mor está o Altar-Mor com a imagem de Nossa Senhora dos Milagres ao centro. À direita, a imagem de S. Pedro e, à esquerda, a de Santo Antão. Por baixo do Altar está em exposição permanente a imagem do Senhor Morto, protegido por um vidro em acrílico.
Nas paredes laterais estão, à esquerda de quem entra na igreja, a imagem de Nossa Senhora de Fátima e, à direita, a da Imaculada Conceição.
A ladear a Capela-Mor, existem dois altares em madeira decorados com várias cores vivas. No da esquerda, e pela mesma ordem, de quem entra na igreja, destaca-se a imagem de Nossa Senhora do Carmo e, de menor tamanho, as de São Judas Tadeu, o Menino Jesus e a Menina Rainha. No da direita, destaca-se a imagem do Coração de Jesus e, de menor porte, as do Menino Jesus de Praga, de Santa Teresinha e de S. José.
No centro do tecto da Capela-Mor, destaca-se a figura de um cordeiro, deitado sobre um livro fechado com sete selos, e uma bandeira, simbolizando o Cordeiro de Deus, Cristo Vitorioso, o Leão de Judá, o único a ter a possibilidade de abrir o Livro, onde está escrita a História Santa do mundo. À volta do Cordeiro, existem dois pares de anjos, ligados a uma corda de flores e outros elementos da natureza, possivelmente, simbolizando o Céu e a Terra, louvando Cristo, Senhor do Universo.