Matança do porco

 

 

A Matança do Porco realizava-se nos meses de Outubro, Novembro e Dezembro. No entanto, os preparativos iniciam-se algumas semanas antes, quando os homens se deslocam às hortas e iam buscar a lenha que, mais tarde, iria servir para fritar o porco, a queiró para o chamuscar e as folhas das canas que eram colocadas no chão de forma a receber a carne já cortada.
Nas vésperas do Dia da Matança, cabia às mulheres a maior parte das tarefas. Lavavam a loiça, os pátios e a cozinha. Primavam para que tudo estivesse em perfeitas condições para receberem os convidados. Além disso, eram também elas que picavam a salsa e a cebola para as morcelas e preparavam as comidas que iam ser servidas aos convidados que, ao contrário das outras ilhas açorianas, no Corvo eram servidas ao almoço. Da ementa constava quase sempre a sopa de feijão ou de agrião, a linguiça frita acompanhada de batata-doce ou assada, a galinha guisada, a salada de atum, as filhoses, e, claro, o sempre apreciado queijo do Corvo.
Aos homens cabia a tarefa de fazer a “moura”, uma mistura de água com sal, alho e malagueta, em tanques de cimento, existentes na cozinha e na loja da habitação e que mais tarde iriam receber as carnes.
Em tempos mais remotos, era habitual as crianças das famílias ou dos amigos mais próximos passarem a noite da véspera da Matança do Porco deitadas em cima de junco, colocado no chão da cozinha da família que ia matar o porco. Eram momentos de intensa alegria, reboliço e excitação da miudagem.
 Um dos momentos mais aguardados pelos rapazes era a altura em que a bexiga depois de ser retirada do porco, ser esvaziada, lavada e, através de um canudo feito de cana, ser cheia com ar e “transformada” numa bola de futebol.
Era um dia de fartura, trabalho, alegria, amizade, convívio e partilha entre familiares e amigos. Era um dia em que imperavam valores de ajuda mútua e união familiar.