Nossa Senhora dos Milagres

 

 

Nossa Senhora dos Milagres é uma pequena escultura do século XVI, de proveniência flamenga, mais propriamente
É a padroeira do Corvo e por isso a mais veneranda, A  fé que os Corvinos  lhe devotam é imensa.
A sua festa realiza-se no dia 15 de Agosto. Este é o dia o dia da feitura do tapete, que, mais tarde, há-de servir como passadeira a Nossa Senhora dos Milagres no seu bem ornamentado andor. É o dia da Missa Solene, realizada na igreja Matriz, e, que neste dia, se torna pequena para albergar todos os fiéis. É o dia da Procissão, na qual se incorporam quase todos os corvinos e muitos forasteiros.
É o dia onde os pedidos se misturam com os agradecimentos, as rezas com os cânticos, as lágrimas com os sorrisos e os passos com os compassos.
É o dia em que a fé e a devoção atingem o seu auge, formando um imenso oceano de emoções.
A azáfama para a feitura do tapete, onde horas mais tarde há-de passar a Procissão da Senhora dos Milagres, começa logo pela manhã do dia quinze.
O frenesim instala-se! Todos querem ajudar! Reina o entusiasmo, a emoção e uma organização que, por vezes, parece desorganizada.
São famílias inteiras que se reúnem no adro da igreja, no Maroiço, na Cancela ou no Ribeirão.
Uns montam os moldes em madeira, previamente construídos, onde outros colocam o musgo e flores, os mais habilidosos desenham os motivos, geralmente religiosos, que ainda os hão-de tornar mais belos e atractivos. Outros, vão regando para que tudo se mantenha verdejante até à hora da procissão.
Assim, por todas as ruas onde passa a procissão existe um tapete colorido, alegre e viçoso.
Nos últimos anos, o musgo e as flores foram substituídas por farelo pintado das mais variadas cores.
Terminado o trabalho, o orgulho e a alegria estão bem patentes nos rostos cansados, mas felizes de todos.
A celebração da Missa de Festa de Nossa Senhora dos Milagres representa o acto mais solene de toda a época festiva e aquele que, durante todo ano, atrai mais fiéis corvinos e forasteiros à igreja.
É o dia em que no templo o cheiro intenso do incenso queimado das flores se mistura, com a fé, com as orações, emoções e os cânticos.
É o dia em que reina a harmonia, a paz e a alegria.
É uma Missa, muitas vezes concelebrada por vários sacerdotes, sempre cantada e com um emotivo sermão.
A Procissão realiza-se, sempre, depois da Missa Solene do dia quinze de Agosto e representa o fim das cerimónias religiosas.
É todo um povo que, ao som da Banda Filarmónica “Lira Corvense”, faz o percurso, umas vezes em silêncio, outras cantando, umas vezes com um sorriso, outras com uma lágrima que, teimosamente, insiste em cair.
Cada vez é também maior o número de pessoas que, descalças, seguem junto ao andor, ora pagando as suas promessas, ora pedindo fervorosamente ajuda a Nossa Senhora dos Milagres.
No final e, já com a imagem de Nossa Senhora dos Milagres recolhida na igreja, ordeiramente, os fiéis, em sinal de respeito, curvam-se perante Ela, saudando-a e, muitas vezes, deixando no andor um determinado valor monetário como pagamento de promessas.
A Procissão representa um acto de grande fé, respeito, veneração e oração.
Nossa Senhora dos Milagres está presente na vida dos Corvinos durante todo o ano. 

Em momentos aflitivos é a Ela que os Corvinos recorrem e nos momentos mais alegres é a Ela que os Corvinos agradecem.