Herança Portuguesa na Índia: Cariz Civil

 

 

A influência portuguesa está também presente nas ruas sendo as mais concorridas a rua do Conde de Torres Novas e a Avenida Sagrado Coração de Jesus. Aqui encontra-se um considerável grupo de seguidores do deus Shiva, assim como os templos de Shanta Durga, que apesar da aparência exterior não diferir dos templos hindus, no seu interior a decoração tem forte presença de elementos latinos. 
Toda a ilha de Goa mostra influência cristã desde as cruzes à beira dos caminhos, no meio das pontes, junto aos poços de água, em frente das casas. Nas vias há a presença de pequenos oratórios e capelinhas, assim como nas pequenas povoações.

As suas ruas principais eram pavimentadas com lajes e as secundárias eram apenas de terra batida. Na área central de Goa situavam-se dezasseis das quarenta e uma ruas principais; cinco das dezassete igrejas mais importantes, incluindo a Sé; cinco dos doze conventos; o Tribunal; o tribunal da Inquisição; a Alfândega; a Misericórdia; o Hospital Real; um dos dois cemitérios; o Palácio dos vice-reis, mais tarde, o dos governadores; o Quartel, os principais largos de reunião e desporto militar e os monumentos. Era, portanto, um verdadeiro centro político, religioso e cívico, dado que era ainda nesta zona que se encontravam as melhores casas de habitação, amplas, não muito altas, e pintadas de vermelho ou passadas a cal.
Margão tornou-se um importante centro comercial, desenvolveu-se em redor da igreja, originando os bairros onde se fixaram os cristãos brâmanes e mais tardes os cristãos das castas inferiores, e ainda hoje é possível ver o colégio de freiras, a escola técnica e a casa de saúde. 
No século XIX o desenvolvimento do caminho-de-ferro permitiu o surgimento de estabelecimentos comerciais, mas só depois da construção de um novo mercado e da transferência da Câmara Municipal, Margão conseguiu um real desenvolvimento comercial. 

Quanto a Cochim no século XVI foi a primeira sede do poder português na Índia. Gradualmente instalaram-se equipamentos e funções urbanas características das cidades portuguesas como a câmara, pelourinho, Misericórdia, a igreja matriz, conventos franciscanos, dominicanos e agostinhos, e igualmente o colégio jesuíta. É possível verificar uma certa regularidade no traçado da cidade de Cochim. 
Em Diu os portugueses ergueram um colossal sistema fortificado no extremo nascente. Como o núcleo urbano existente estava concentrado junto da muralha inicial, instalaram os seus equipamentos urbanos no espaço intermédio: a casa do Governador, o convento franciscano, colégio jesuíta e igreja matriz.
Aqui as casas encontram-se germinadas umas com as outras, as ruas são tão estreitas que duas casas vizinhas chegam a partilhar o mesmo tecto, servindo também de corredor que protege as pessoas e animais durante a chuva provocada pela monção. O interior é geralmente caracterizado por apenas uma divisão. 
Damão caracteriza-se por ser uma cidade regular composta por quarteirões quadrados. Com presença de uma praça, a igreja do Rosário, convento, colégio e Sé jesuítas. Da rua principal fazem parte a praça e o palácio do governador. Damão conta também com o forte de São Jerónimo erguido entre 1614-27. Tem como característica principal ser a única cidade portuguesa na Índia com o urbanismo ideal do renascimento, pois foi planeada e erguida durante a dinastia filipina.
 A cidade de Pangim conta ainda hoje com o palácio do governo, quartéis de artilharia, guarda municipal, escola matemática e militar, liceu e biblioteca pública. Durante o século XIX o desenvolvimento continuou dotando a localidade de novos edifícios como um tribunal, escola médica, hospital militar, farmácia, casa da alfândega, contadoria-geral, três igrejas, um templo hindu e uma mesquita.

Para mais informações note-se as obras “História da Arte Portuguesa” de Paulo Pereira, “Goa e as Praças do Norte Revisitadas” e “No Trilho dos Descobrimentos Portugueses: Estudos Geográficos” de Raquel Soeiro Brito, “Aspectos e Problemas da Expansão Portuguesa” de Orlando Ribeiro, “Palácios de Goa: Modelos de Arquitectura Civil Indo-Portuguesa” de Helder Carita ou “A Índia” de Raghavam.

 

Este texto não segue o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.