Novos tempos entre Açores e Santa Catarina

 

     

 

 

“Serão 4 anos de muito trabalho. de muito empenho de todos  e de cada um de nós.

Nas palavras do saudoso escritor Manuel Ferreira

queremos voltar a ser, temos 

de voltar a ser “Altos como as estrelas e livres 

como o vento”

Presidente José M. Bolieiro, In: Discurso de Posse.

 

Tomou posse no ultimo dia 24 de novembro o XIII Governo Regional dos Açores. O novo Presidente, José Manuel Bolieiro, micaelense, advogado, desde muito jovem milita no PSD e é o atual líder do partido. É um homem de convicções políticas e sociais firmes e chama atenção, sobretudo a sua capacidade conciliadora, calma, ponderada, lúcida de administrar e de concretizar. Um perfil ideal para quem vai comandar um governo que tem por tripé a coligação de três partidos e o apoio de outros dois na Assembleia Legislativa Regional. Assume a Presidência, depois de 24 anos de governo socialista (PS). 

No seu discurso de posse elencou as prioridades absolutas, as diretrizes  norteadoras do plano de governo e as mudanças que vão acontecer nos Açores para o bem e o desenvolvimento do povo açoriano. Afinal, este foi o recado das urnas. Das prioridades, o combate sem tréguas à pandemia do  novo coronavírus que se alastra pelo arquipélago e o combate à pobreza, enfatizando – “ deve ser um combate ativo de todos os que podem trabalhar, de todos os que podem oferecer emprego, de todos os que criam riqueza e que a devem partilhar com impostos justos. O combate à pobreza é uma estratégia e uma prioridade na luta contra a desigualdade, que mina e corrói a sociedade”. 

José Manuel Bolieiro assume a presidência do governo num cenário complexo e caótico em decorrência da grave crise da pandemia com índices elevados e desdobramentos imprevisíveis sobre a sociedade, exigindo imediatas estratégias para conter o avanço. Como mitigar o impacto social e econômico? Como enfrentar a pós-pandemia? Muito trabalho e dedicação sem limite e assegurar a capacidade de resposta do setor de Saúde à população. Prometeu uma sociedade justa e inclusiva : “eficácia, planeamento, competência, organização, civismo e solidariedade”  e disse mais: “as pessoas estarão em primeiro lugar, porque não há progresso económico sem uma melhoria significativa das qualificações profissionais e educação em geral.” 

Com certeza, os ventos que sopram no Atlântico Norte trazem um novo tempo para as relações entre os Açores e Santa Catarina e muito especial à Florianópolis. Desde o final dos anos 80 quatro presidentes açorianos visitaram Santa Catarina  fomentando laços históricos e culturais: João Bosco Mota Amaral, Alberto Romão Madruga da Costa, Carlos Manuel do Vale César  e Vasco Ilídio Alves  Cordeiro.

Em abril de 2018, José Manuel Bolieiro, esteve em visita oficial à Florianópolis, na condição de presidente da Câmara de Ponta Delgada, no aniversário de 270 anos do povoamento açoriano. Por onde passou deixou sua marca de simplicidade, discrição e fraternidade com a “nossa gente” açoriana e catarinense. Visitou a cidade sustentável da Pedra Branca, o Resort Costão do Santinho uma referência no Brasil, às obras sociais da Irmandade do Divino Espírito Santo (IDES), se encantou com as rendeiras e os bilhetes do mundo no Bar do Arante, bem como a galeria de fotos, recortes de jornais açorianos, flâmulas de muitos Concelhos e a bandeira dos Açores desfraldada no famoso espaço ilhéu, no Pântano do Sul. Esteve em reunião com o Presidente da Fiesc/Federação das Indústrias de Santa Catarina, com o Governador do Estado Eduardo Pinho Moreira e com o Prefeito de Florianópolis, que há 17 anos é cidade irmã de Ponta Delgada. Prestou homenagens pela celebração dos 270 anos da presença açoriana em Santa Catarina à instituições e autoridades e abriu a exposição do pintor catarinense  Willy Zumblick no Tribunal de Contas-SC. No ensejo, assinou protocolos de intercâmbio com a Associação Catarinense de Imprensa, IHGSC e Academia Catarinense de Letras. Ao seu lado, o colega e amigo de uma vida e grande conhecedor dos açorianos no mundo, o jornalista José Andrade, seu chefe de gabinete naquela altura. Abro parêntesis e faço questão de registrar que conheço o Dr José Manuel Bolieiro desde 2002 quando vereador do Legislativo de Ponta Delgada e lá se vão dezoito anos. Posso dizer com toda segurança que estamos diante de uma pessoa serena, um homem de palavra, conciliador, de conduta política inquestionável e admirável ser humano. Confio no seu caminhar nos próximos 4 anos de muito trabalho e realizações à frente do Governo Regional. Vai enfrentar tempestades e mares revoltos e vai atravessá-los com determinação, coragem e prudência sem jamais colocar em holocausto o bem comum dos Açores e o direito à cidadania plena e a vida digna de cada açoriano.

Vamos esperançar que um novo tempo há de renascer com parcerias de sustentabilidade e economia criativa, revitalizando laços fraternos e culturais jamais rompidos. Pois, como bem afirmou José Manuel Bolieiro, no prefácio do Corpo de Ilhas “a cultura açoriana universal – é “desterritorializada” e está em diversos tempos e espaços, espalhados pelo mundo da diáspora e na literatura de ontem e de hoje.”

Bem Haja, Presidente!