Carnaval da Terceira 2020, 118 eventos - a força de um povo

 


 

 

• Por Liduíno Borba
geral@liduinoborba.com

 

O Carnaval da Terceira continua com a sua força tradicional. Mais de 100 bailinhos, danças e comédias desfilharam pelos palcos da ilha Terceira, Pico, Santa Maria e comunidades emigradas.
O Carnaval sénior aconteceu, como sempre, uns dias antes do domingo gordo, pelos diversos palcos da ilha Terceira, de forma organizada e planeada, mostrando os idosos que é possível haver organização. Foram 17 os bailinhos organizados que deram a volta à ilha.
Os bailinhos, danças e comédias tradicionais foram 62, a que se juntaram mais 2 vindos da Califórnia e 1 do Canadá, perfazendo 65, que percorreram os mais de 30 palcos da ilha Terceira.
Este ano, segundo julgo saber, o Canadá ensaiou meia dúzia de eventos do carnaval, incluindo uma dança de espada, que se deslocou à Costa Leste dos Estados Unidos da América, para atuar.
Na Costa Leste foram ensaiadas 16 representações do Carnaval, incluindo 3 comédias e 5 danças de pandeiro, que desfilaram nos 15 palcos das associações recreativas daquela zona.
A Califórnia participou neste Carnaval de 2020 com 12 bailinhos, metade do ano passado, que desfilaram, de norte a sul, pelos palcos dos salões das sociedades e associações da nossa comunidade.
A nível das outras ilhas dos Açores tivemos conhecimento de 4 “danças” que vieram a terreiro na ilha de Santa Maria e duas na ilha do Pico.
Este Carnaval fica assinalado pela existência de 2 danças de espada, uma da Freguesia das Lajes, ilha Terceira, e outra de Toronto, Canadá. A de Toronto foi atuar na Costa Leste como já se disse.
A festa tem vindo a crescer, em número de dias, e este ano já houve muitas apresentações programadas na sexta-feira. Foi o caso dos 3 bailinhos, dois da Califórnia e um do Canadá, que se apresentaram no Salão da Filarmónica da Serreta com muito brilhantismo, com uma receção e saudação de pé, por parte do público.
De salientar os intercâmbios, cada vez mais frequentes, de bailinhos ou danças. Foi o caso de dois bailinhos da Califórnia e um do Canadá, que se deslocaram à ilha Terceira para participar no Carnaval. Também a dança de espada, já referida, que foi do Canadá atuar na Costa Leste. Para além dos grupos, tem havido a participação de elementos de cá para lá, e de lá para cá, para se integrarem no grupo ou até serem puxadores. Para 2021 está a ser planeada uma dança de espada com elementos dos dois lados. O grande intercâmbio, que poderá alargar o nosso Carnaval ao resto do país, foi a presença do cantador minhoto Augusto Canário num bailinho de Carnaval denominado “Amigos do Canário”. Todas estas presenças vindas de fora foram muito bem aceites pela nossa gente que continua a saber receber muito bem.
Vai-se também notando alguns ajustes bem-feitos nos bailinhos: como separador de cena, ou ato, alguns grupos deixaram de usar letra mas apenas música; o puxador de pandeiro passou a fazer a sua atuação e exibição “artística” no fim, e muito bem, porque era um contrassenso cansar-se muito para depois cantar; há pouco tempo foi introduzido num bailinho o improviso pelos dois mestres desta arte, o Eliseu e o Bruno Oliveira. Os Amigos do Canário fizeram-no este ano com sucesso. É mais uma inovação.
As Cantigas de Entrada e de Despedida, no geral, apresentam-se cada vez mais bem-feitas e com sentido. Não será descabido fazer um Festival de Bailinhos no Verão só com elas, sem enredos. Esta ideia não é nova. Poesia no seu máximo.
Este ano nota-se um pouco mais de gente por todos os lados, para verem atuar os mais de 2000 bailarinos que alimentam os bailinhos. As nossas sociedades terceirenses movimentam no seu total mais de 10.000 pessoas, e muitas delas são emigrantes, cada vez em maior número, para matar saudades.

Por fim se adicionarmos todos os eventos carnavalescos, pelas ilhas e diáspora, vamos encontrar um número de 118 manifestações carnavalescas com base terceirense.