Faleceu Valdemar Mota Escritor, investigador e empresário angrense

 

Valdemar Mota de Ornelas da Silva Gonçalves faleceu no dia 15 de setembro de 2021, em Angra do Heroísmo, com 88 anos de idade. Nasceu no dia 11 de abril de 1933, na freguesia da Conceição, ilha Terceira, Açores. Frequentou o ensino na antiga Escola Comercial e Industrial. Autodidata de méritos firmados.
Empresário, administrador da firma Frederico A. Vasconcelos, Hºs., Lda, de Angra do Heroísmo. Membro da Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo, vereador da Câmara Municipal, membro da Comissão de Toponímia e da Comissão para as Comemorações da Batalha da Salga, vogal do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados, presidente da Real Associação da Ilha Terceira, e do Conselho Particular das Conferências Vicentinas, presidente da direção do Recolhimento de Jesus Maria José (Mónicas) durante 12 anos, em cuja qualidade dirigiu as obras de reconstrução do imóvel após o sismo de 1980, presidente da Confederação Operária Terceirense e da Associação Cristã da Mocidade (ACM).
Autor, escritor, investigador, genealogista, contista, jornalista, colunista, congressista, palestrante e conferencista, para além de empresário. São inúmeros os seus estudos publicados em jornais e revistas, sem excluir a imprensa da diáspora, com apontamentos relembrando sobretudo episódios e factos, com personalidades da história açoriana, evidenciando os altos valores da cidadania e da cultura do povo dos Açores, num contexto de há mais de quinhentos anos de permanência nestas ilhas de onde lhe advém uma identidade muito própria, muito peculiar e muito nobre de sentimentos. O autor vem seguindo nas suas interpretações historiográficas os valores que com ele convivem, expressos na etnografia, na música, nos costumes e nas tradições, cujas matérias justificaram já uma obra que ultrapassa várias centenas de estudos publicados em livros e suplementos.
Durante vários anos dedicou-se ao jornalismo, tendo numerosos e variadíssimos trabalhos publicados nos dois jornais angrenses A União e Diário Insular. Escreveu também para as revistas Portugal Maior e Ilha Terceira. Foi correspondente, na ilha Terceira, do prestigioso jornal de Lisboa Diário de Notícias e do Jornal Açoriano de Toronto, Canadá, assim como correspondente da RTP-Açores para os noticiários.
Era membro do Instituto Açoriano de Cultura (IAC); sócio do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT); membro fundador do Núcleo Cultural Ferreira Drumond; do Instituto Histórico e Genealógico de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil; da Sociedade Portuguesa de Ex-Libris; e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.
Foi distinguido pela Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, como Cavaleiro e Comendador, da qual era chanceler da respetiva delegação nos Açores; condecorado pela Presidência da República Portuguesa com o grau de Oficial da Ordem do Mérito, no dia 10 de junho de 1998, em cerimónia pública, no Solar da Madre de Deus, presidida pelo Ministro da República para a Região Autónoma dos Açores, Sampaio da Nóvoa; homenageado pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo com a Medalha de Honra Municipal, em cerimónia pública ocorrida no Salão Nobre dos Paços do Concelho; Homenageado no II Congresso da Imprensa Regional não Diária, realizado nas Furnas, ilha de São Miguel, recebendo um troféu com Reconhecimento Público pelo seu trabalho em prol da cultura açoriana.
Os seus escritos foram editados em “Obras Completas”, no ano pandémico de 2020, pela Turiscon Editora, em 3 volumes, com cerca de 1000 páginas cada, reunindo 49 livros e/ou separatas, 15 palestras ou comunicações e mais de 600 artigos de jornal.
A missa do 7.º dia realizou-se na Sé Catedral de Angra, no dia 25 (sábado), presidida pelo cónego Ângelo Valadão, acompanhado pelos cónegos Hélder Fonseca Mendes e João Maria Mendes. 
No final da eucaristia, o cónego Hélder Fonseca Mendes lembrou Valdemar Mota e a sua grandiosa obra em prol da Diocese de Angra.

 

• Liduíno Borba (ilha Terceira)